O sucesso de uma venda no Brasil, seja no ambiente físico ou digital, depende cada vez menos apenas do produto e cada vez mais da experiência no checkout. Segundo a pesquisa Fiserv Insights 2026, realizada em parceria com a Opinion Box, 75% dos consumidores brasileiros já abandonaram uma compra por não encontrarem o meio de pagamento de sua preferência. O dado acende um alerta para o varejo: a multiplicidade de opções não garante conversão se as modalidades favoritas do público forem negligenciadas.

Atualmente, o cartão de crédito permanece no topo da preferência nacional, utilizado por 56% dos consumidores. O Pix consolidou sua força, aparecendo logo em seguida tanto via chave (51%) quanto via QR Code (35%), superando o cartão de débito (34%). De acordo com Rodrigo Climaco, vice-presidente da Fiserv no Brasil, a escolha do método está intrinsecamente ligada à percepção de segurança, especialmente no e-commerce, onde o medo de fraudes e clonagem ainda dita o comportamento do usuário.
O descompasso entre consumidor e varejista
A pesquisa identifica um “vácuo” entre o que o cliente deseja testar e o que o lojista aceita oferecer. Modalidades modernas como o BNPL (Buy Now, Pay Later) e o Click to Pay enfrentam forte resistência: o BNPL, por exemplo, é rejeitado por 55% dos negócios. As principais barreiras apontadas pelos varejistas para não adotar novas tecnologias são:
- Custos e taxas: Citados por 26% como o principal obstáculo.
- Insegurança: 25% temem golpes, fraudes ou o impacto de estornos (chargebacks).
No varejo presencial, o abandono de compra ganha uma nuance psicológica: o medo de “deixar dinheiro na mesa”. É comum que o cliente experimente o produto na loja física, mas desista da compra ao suspeitar que encontraria um valor menor em marketplaces online. Fatores logísticos como filas e custos de estacionamento também pesam negativamente na balança.
Por outro lado, o varejo físico ainda sustenta sua relevância através do imediatismo e do contato sensorial. “Na loja, posso sentir o produto e testar. No online, você compra com uma expectativa”, ressalta Climaco. Para o especialista, o desafio do setor em 2026 é integrar a agilidade e a variedade de pagamentos do mundo digital com a experiência tátil do mundo físico, reduzindo o atrito no momento final da jornada de compra.