Os Correios avaliam novas alternativas para levantar cerca de R$ 8 bilhões adicionais e dar continuidade ao plano de reestruturação da estatal. A medida busca evitar uma nova pressão de caixa nos próximos meses e pode envolver a contratação de um novo empréstimo ou um aporte direto da União.

A movimentação ocorre poucas semanas após a empresa fechar um financiamento de R$ 12 bilhões com um consórcio formado por Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander. O contrato, publicado no Diário Oficial, tem prazo de 15 anos, carência de três anos e juros equivalentes a 115% do CDI, abaixo do teto de 120% do CDI geralmente adotado pelo Tesouro Nacional em operações com garantia da União.
Em novembro, a própria estatal informou que o plano de reestruturação demanda até R$ 20 bilhões no total. O objetivo é reduzir o déficit operacional, alcançar equilíbrio financeiro em 2026 e retomar a lucratividade em 2027.
O pacote de medidas inclui ações para redução de custos e reorganização da operação. Entre elas está a reabertura do Programa de Demissão Voluntária, prevista para janeiro de 2026, com potencial de adesão de até 15 mil empregados entre 2026 e 2027, segundo estimativas da companhia.
Os Correios enfrentam uma deterioração de resultados nos últimos períodos. No primeiro semestre de 2025, o prejuízo aumentou na comparação anual. A empresa também destaca o impacto financeiro do serviço postal universal, obrigação de atendimento em todo o território nacional, cujo custo foi estimado em R$ 5,4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025, gerando déficit associado.
Além da busca por crédito, o debate interno envolve alternativas estruturais para reduzir a dependência de aportes recorrentes. Entre as opções já mencionadas pela companhia e pelo governo estão a venda de ativos, ajustes na rede logística e iniciativas para reforçar as receitas dentro de um redesenho mais amplo do modelo de negócios.