O consumo na América Latina entrou em 2025 sob pressão de orçamentos mais restritos e decisões de compra mais racionais, mas passou a revelar padrões estruturais que ajudam a antecipar os movimentos do mercado em 2026. A conclusão faz parte de um novo levantamento divulgado pela Worldpanel by Numerator na América Latina, com base nos dados do estudo contínuo Consumer Insights Latam.

A análise indica que eficiência, busca por valor e maior polarização passaram a orientar as decisões do consumidor na região. Após 11 trimestres consecutivos de crescimento, o volume de bens de consumo de giro rápido começou a desacelerar em 2025, caminhando para um cenário de maior estabilidade na maioria dos países latino-americanos.
Um dos movimentos mais claros foi a redução da frequência de compras, combinada com carrinhos mais cheios. A inflação em FMCG levou os consumidores a reduzir o número de unidades por visita, compensando parcialmente o aumento de preços.
Esse comportamento se intensificou em um contexto de incerteza econômica e de anos eleitorais em vários países, o que ampliou o planejamento financeiro das famílias. Ao mesmo tempo, os lares passaram a circular por mais canais, comparando preços e formatos antes de concluir a compra.
Em todos os mercados analisados, o custo-benefício se consolidou como principal critério de decisão. Marcas econômicas e marcas próprias ganharam espaço, enquanto o segmento intermediário perdeu relevância. Atacarejos e lojas de desconto ampliaram penetração e frequência, reforçando seu papel na rotina de compras. No Brasil e na Argentina, os atacarejos se destacaram, enquanto lojas de desconto avançaram em países como Equador, México e Colômbia.
O comércio eletrônico manteve trajetória de expansão consistente ao longo de 2025. A penetração do canal na América Latina saltou de 29% para 43% em um ano, com destaque para a cesta de cuidados pessoais como principal alavanca de crescimento.
A intensificação da disputa entre plataformas globais e regionais impulsionou investimentos em logística, sortimento e experiência, ampliando a atratividade do canal. Mesmo partindo de uma base menor em relação ao varejo físico, o e-commerce contribuiu de forma relevante para o crescimento do mercado de bens de consumo e se consolida como vetor estratégico para 2026.
Outro ponto observado foi o avanço do efeito “high-low”. Marcas premium e marcas próprias cresceram simultaneamente, enquanto marcas de posicionamento intermediário enfrentaram maior pressão. O comportamento reflete um consumidor mais seletivo, que alterna entre economia e indulgência conforme a ocasião. Em 2025, o consumidor latino comprou, em média, 106 itens de marcas próprias, com crescimento de 5% na frequência de compra.
As preocupações com saúde ganharam ainda mais relevância. Produtos com baixo teor ou sem açúcar passaram a ocupar o território do essencial, impulsionados pela intenção de 46% dos lares latino-americanos de reduzir o consumo de açúcar. Em países como Brasil, México e Equador, a penetração desse tipo de produto mais que dobrou nos últimos seis anos. A demanda por proteína também se manteve elevada, beneficiando categorias ligadas à nutrição cotidiana, como iogurtes e produtos funcionais.
A categoria de alimentos para pets se consolidou como um dos segmentos mais resilientes do consumo regional. Mudanças demográficas, como o envelhecimento da população e o aumento de lares com uma ou duas pessoas, ampliaram o papel dos animais de estimação na dinâmica familiar. Em 2025, o segmento avançou 9% em valor e 7% em unidades na América Latina.
Segundo a Worldpanel by Numerator, os dados indicam que o futuro do consumo na região estará menos associado ao crescimento populacional e mais ligado à reconfiguração dos lares, das idades e dos estilos de vida. Marcas que ajustarem portfólio, canais e execução a esses novos padrões devem sair em vantagem em 2026.