Integrante do ecossistema Riachuelo, nascido no Rio Grande do Norte, a Casa Riachuelo propõe tropicalizar e trazer tendência e afeto para a casa dos brasileiros. Para Debora Furlan, Diretora Comercial da Casa Riachuelo, o mercado passou por uma mudança estrutural nos últimos anos. “O mercado de casa era funcional. Ele passou de cenário para o conforto, estilo e personalidade. O consumidor quer traduzir sua personalidade dentro de casa”, disse.

O e-commerce pode ser aspiracional
Apenas em 2025, o varejo brasileiro de artigos para casa cresceu 5,7% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 119 bilhões em vendas.
Globalmente, o segmento deve atingir a previsão de 1 trilhão de dólares até 2035. Após o pico de consumo durante a pandemia, quando o setor cresceu de forma desproporcional, o varejo agora busca redimensionar e acomodar o mercado, com foco em sustentabilidade, comércio eletrônico e produção nacional.
Nesse contexto, o digital ganha novo papel. “O e-commerce deixou de ser um canal de compra e passou a ser uma inspiração”, completou Debora. A executiva citou ainda a influência de plataformas como o Pinterest, mostrando como a aspiração pode se transformar em praticidade nas plataformas digitais. Produtos de casa abrangem desde itens grandes até peças de decoração e utilidades como toalhas e pratos, o que amplia a navegação e impacta o ticket médio.
O Brasil conta hoje com 114 mil lojas especializadas e 114 mil pontos não especializados no segmento. Para a marca, porém, o foco está na conexão emocional. “A casa é o nosso refúgio, local de acolhimento e proteção. É onde podemos ser nós mesmos e nos reconectar para começar de novo no dia seguinte”, afirma Débora.
Segundo ela, a Casa Riachuelo proporciona o acontecimento desses momentos, seja por meio de uma fragrância ou de um bom travesseiro. A estratégia é entrar na vida do consumidor não pelo produto-preço, mas pelo impacto na rotina: no banho, no almoço ou no jantar em família.
A operação conta com 13 lojas stand alone dedicadas exclusivamente à Casa Riachuelo, 2k produtos disponíveis por estação e mais de 8 collabs de grande impacto.
Vintage como resgate e identidade
Na mesma plenária, Juliana Souza, Gerente Geral de Estilo da Casa Riachuelo, apresentou o conceito criativo que sustenta a coleção. “Na Riachuelo, o Brasil não é um tema, é uma tomada de decisão em todos os produtos desenvolvidos por nós”, disse.
Para ela, o vintage é traduzido como saudade. Não se trata apenas de retomar o passado, mas de incorporar sustentabilidade e resgatar histórias. O movimento de voltar ao analógico também representa reconexão com as origens.
O vintage brasileiro, segundo Juliana, ressignifica a nostalgia a partir de referências próprias como cafés e almoços em família na casa da avó, azulejos, filtro de barro. Cores e texturas próprias do contexto nacional trazem mais fluidez e intensidade, em contraste com a sobriedade europeia e norte-americana. Vidros âmbar, crochê, bordados, opaline, cerâmica, redes, novelas do Manoel Carlos, veraneio e carnaval fazem parte desse imaginário.
A marca construiu um elo entre tempo, identidade e futuro, apoiado em três pilares. O afeto como protagonista, ligado à identidade nacional. Rituais de encontros, como almoços em família. Artesanato como luxo emocional, com peças bordadas à mão, cestos artesanais, pintura e mistura, traduzindo a cultura brasileira. Elementos como a sala com planta, café quentinho e sofá confortável simbolizam essa proposta.
“Deixamos de ser um serviço para estar presente no cotidiano das pessoas, o Brasil é onde estamos e para onde temos que trazer nossas ideias e tendências”, conclui Juliana Souza.
Para encerrar, a palestrante acrescenta que essa narrativa é construída no digital, desde a produção de textos e vídeos, e também nas lojas físicas, onde a história é contada pela fluidez do espaço, ambientação e treinamento dos times.