Durante o Congresso Lifestyle, na plenária de Moda, Felipe Schepers, COO e cofundador da Opinion Box, apresentou um retrato do comportamento do consumidor brasileiro e reforçou que a moda vai além da estética e simboliza um momento de alegria, de descoberta para o consumidor.

Isso se prova segundo os dados compartilhados na apresentação: 55% das pessoas associam a compra a momentos felizes e 60% conectam a moda diretamente à autoestima. O consumo também transita entre canais. Nove em cada 10 brasileiros costumam comprar tanto em loja física quanto online.
Preço e qualidade seguem como fatores determinantes, citados por 74% e 71% dos entrevistados, respectivamente. A experiência, porém, pesa na decisão e na fidelização. Sete a cada 10 brasileiros já abandonaram uma marca devido a um atendimento ruim, movimento mais forte entre consumidores de 30 a 49 anos. Além disso, 54% leem avaliações de outros clientes antes de comprar.
Redes sociais moldam a jornada
De acordo com Felipe, o consumidor acompanha as marcas nas redes sociais. Cerca de 40% seguem creators no TikTok, enquanto 87% acompanham perfis no Instagram, que se consolida como a principal rede para o segmento fashion. Aproximadamente 65% buscam tendências em páginas de redes sociais e 50% obtêm informações por meio de influenciadores.
Nesse cenário, as plataformas digitais assumem múltiplos papéis na jornada. Funcionam como provador, vitrine e validação social, influenciando percepção e decisão de compra.
Compra internacional e barreiras
O levantamento também mostra que 66% dos entrevistados já compraram moda fora do país. Entre eles, 46% compram regularmente e 20% experimentaram, mas pararam. Entre os que não compram, 39% apontam medo das taxas alfandegárias e 36% receio de o produto não ser entregue.
Outros entraves também aparecem. Cerca de 45% têm medo de erros de tamanho e ajuste, enquanto 42% já foram taxados na alfândega. A diferença de modelagem e a possibilidade de custos adicionais impactam a decisão.
Diversidade ainda limitada
A discussão sobre inclusão ganhou espaço na plenária. “A moda ser inclusiva é uma necessidade, é interessante para o consumidor, mas ainda temos um gap no mercado”, reforçou Felipe. Ele acrescentou que o Brasil, por ser um país continental, não apresenta diversidade suficiente para atender todos os corpos em cada região.
Os dados refletem essa percepção. 56% das mulheres não acham que a moda é acessível para todos os tipos de corpo e 45% relatam dificuldade para encontrar seu tamanho.
Sustentabilidade esbarra no preço
A sustentabilidade é considerada importante por 74% dos entrevistados. Ainda assim, 41% dão preferência a marcas que desenvolvem ações sustentáveis e 35% afirmam que pagariam mais por moda sustentável.
Segundo a pesquisa, quem mais demonstra preferência por marcas sustentáveis é o público com 50 anos ou mais. Apesar disso, o preço continua sendo uma barreira para a adoção mais ampla.
Ao encerrar, Felipe sintetizou o novo padrão que embasa o panorama atual da moda. A omnicanalidade é o mínimo esperado. Atendimento excelente retém. Redes sociais funcionam como provador, vitrine e validação. Inclusão e sustentabilidade aparecem como diferenciais competitivos em um mercado cada vez mais exigente.