A Americanas deu um passo decisivo em seu processo de reestruturação nesta semana. A varejista protocolou o pedido de encerramento de sua recuperação judicial, movimento que ocorre simultaneamente ao anúncio da venda da Uni.Co, empresa que detém as marcas Imaginarium e Puket. A alienação de ativos faz parte da estratégia de simplificação do portfólio da companhia, visando focar em operações core e na sustentabilidade financeira a longo prazo.

A operação de venda da Uni.Co foi firmada com a BandUP! pelo valor de R$ 152,9 milhões. Segundo comunicado ao mercado, o desinvestimento integra o plano de reorganização que prioriza áreas estratégicas e a redução da complexidade operacional que marcou a trajetória da gigante do varejo nos últimos anos.
No campo dos números, a Americanas apresentou dados que sinalizam uma melhora na eficiência do negócio. No quarto trimestre de 2025, a companhia registrou um prejuízo de R$ 44 milhões, o que representa uma redução expressiva de 92,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA ajustado do trimestre alcançou R$ 276 milhões, com uma leve alta de 1,9% na comparação anual.
No consolidado de 2025, a receita líquida anual somou R$ 12,3 bilhões, uma variação negativa de apenas 1,2% em relação a 2024. O EBITDA ajustado anual, por sua vez, cresceu 11,6%, totalizando R$ 1,1 bilhão. Embora tenha fechado o ano com prejuízo líquido de R$ 271 milhões, após um 2024 impactado por efeitos extraordinários da reestruturação da dívida, a operação continuada gerou lucro de R$ 98 milhões, evidenciando que o negócio principal voltou a ser rentável.
Protagonismo das lojas físicas
A estratégia atual da Americanas marca uma mudança profunda no seu modelo de e-commerce. O canal digital deixou de atuar de forma independente para se tornar complementar às 1.500 lojas físicas da rede. No quarto trimestre, enquanto o GMV (Volume Bruto de Mercadorias) do digital recuou 68,9% (R$ 261 milhões), as lojas físicas cresceram 6,4%, atingindo R$ 4,8 bilhões.
A reformulação focou na integração logística: as unidades físicas agora operam como centros de distribuição e pontos de retirada. Essa mudança visa aumentar a eficiência e reduzir as despesas gerais e administrativas, que caíram 30,7% no último trimestre do ano, somando R$ 902 milhões. A empresa atende hoje cerca de 50 milhões de consumidores mensalmente através deste modelo híbrido.
Perspectivas para 2026
Com o pedido de encerramento da recuperação judicial, a Americanas sinaliza ao mercado que a fase de saneamento financeiro está próxima do fim, permitindo a retomada de uma agenda de crescimento. Para 2026, o foco será a execução da eficiência operacional e a monetização da base de clientes, utilizando datas sazonais para impulsionar o novo modelo de vendas.
A companhia destaca que a reconstrução da confiança com fornecedores, parceiros e consumidores foi essencial para este estágio. O encerramento formal do processo judicial é visto pela administração como o marco final da reorganização, abrindo caminho para uma operação mais enxuta e focada na rentabilidade das lojas físicas integradas ao ecossistema digital.