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O custo invisível da ineficiência operacional: por que o primeiro trimestre define o seu EBITDA

Por: Ewerton Caburon

CEO da EmiteAí!

Graduado em Engenharia Mecânica pela Unicamp, possui MBA em Gestão de Negócios pelo Insper. Desde 2021, é CEO da Emiteaí, uma startup de logística responsável por facilitar a emissão de documentos e promover o gerenciamento de transportes eficientes. Atualmente, atende os principais marketplaces do mercado. Já atuou como Diretor Executivo de Operações na BBM Logística, liderando projetos de otimização com IoT e Machine Learning. Também exerceu cargos de liderança na Raízen e Ambev, sempre focado em eficiência operacional e gestão de grandes equipes.

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No ecossistema do e-commerce, existe uma categoria de prejuízo logístico que raramente é isolada com precisão nos relatórios gerenciais, mas que atua como um agente erosivo das margens de lucro ao longo de todo o ano. Não me refiro aqui aos custos diretos, como a volatilidade do combustível ou a tabela de fretes, mas sim ao custo do desperdício invisível. Esse passivo é composto por retrabalhos, horas improdutivas, multas evitáveis e latência operacional, falhas que encontram no primeiro trimestre o cenário ideal para se consolidarem como vícios de processo. Observo que a cultura de “retomada lenta” em janeiro é, na verdade, o berço das maiores ineficiências que serão pagas, com juros, nos picos de demanda subsequentes.

Trabalhador em centro de distribuição analisa documentos ao lado de um notebook, com prateleiras de estoque ao fundo.
Imagem: Freepik.

Um dos ralos de produtividade mais críticos e menos auditados é o retrabalho fiscal. Poucas variáveis consomem tanto o OEE (Overall Equipment Effectiveness) de uma operação logística quanto a emissão de documentos com inconsistências. Notas rejeitadas, MDF-e em desacordo ou guias de GNRE processadas incorretamente não são apenas falhas burocráticas; são gargalos que paralisam o fluxo de saída e drenam o backoffice. No início do ano, esse problema é catalisado por atualizações tributárias estaduais e ajustes internos que ainda não foram totalmente assimilados pelas equipes. O custo real não reside apenas na sanção pecuniária, mas no tempo de imobilização do ativo e na energia humana despendida em funções puramente corretivas, que poderiam estar alocadas na escala do negócio.

O impacto da logística no custo de oportunidade

Essa desorganização documental deságua diretamente em outro indicador de ineficiência: o custo de oportunidade do caminhão parado. Na logística de alto desempenho, o veículo é um ativo que só gera valor em movimento. Contudo, em operações mal planejadas, a retenção em doca ou em postos fiscais por divergência de informações torna-se uma constante. Cada hora de ociosidade forçada gera diárias extras e multas que elevam o custo de frete a patamares insustentáveis. Quando essas exceções operacionais ocorrem em janeiro e não são tratadas na raiz, elas deixam de ser anomalias e passam a integrar o custo fixo oculto da operação, mascarando a real capacidade produtiva da malha.

A gênese dessas falhas reside, invariavelmente, na fragmentação sistêmica. É alarmante notar como, em plena era da transformação digital, logística, fiscal e financeiro ainda operam como silos informacionais. A ausência de uma camada de integração robusta força a digitação redundante de dados, o que é o convite definitivo ao erro humano. Sem visibilidade em tempo real e sem dados que trafeguem sem atrito entre o ERP e o TMS, o gestor toma decisões baseadas em informações defasadas. Logística sem integridade de dados é, por definição, uma operação no escuro, na qual o improviso substitui a estratégia e a margem de contribuição é sacrificada para manter o fluxo mínimo.

Blindagem da operação a partir do planejamento trimestral

Portanto, é imperativo compreender que o planejamento realizado no primeiro trimestre funciona como uma blindagem para o caixa da empresa. Janeiro e fevereiro representam o período de ouro para a revisão de fluxos, eliminação de processos manuais e automação da inteligência fiscal. Empresas que negligenciam essa organização inicial não estão apenas “descansando” do pico anterior; estão permitindo que o prejuízo invisível se espalhe de forma silenciosa por todo o ciclo de 2026. A previsibilidade operacional é um ativo estratégico, e ela só é alcançada quando transformamos a auditoria em cultura e a integração em prioridade máxima.