A famosa frase “Ano novo, vida nova” também cabe nas lojas online. Mas sabemos que o que vamos abordar aqui são, de fato, desafios antigos, mas que podem ser trabalhados em 2026.

Ao passo que uma loja online estabiliza-se e passa a sobreviver e competir, o desafio não é apenas ter o melhor preço ou a entrega mais rápida. Esses atributos são conveniências vendidas ao consumidor final. Na minha visão, dois dos maiores desafios sempre serão: aumentar a margem de lucro e fugir da inflação do mercado de anúncios pagos que ocorre naturalmente com o passar do tempo.
Há um bom tempo, o e-commerce brasileiro deixou para trás a fase em que “estar online” era vantagem competitiva. Plataformas robustas, meios de pagamento diversificados e operações logísticas estruturadas se tornaram padrão. Consumidores cada vez mais exigentes fazem com que o cenário de competitividade seja acirrado, e a diferença que pode transformar operações e deixá-las mais maduras é a forma sustentável como são realizadas as integrações de sistemas e uso inteligente de dados.
O fim das ilhas operacionais
Ainda é comum encontrar operações de e-commerce estruturadas em “ilhas”:
– A plataforma de e-commerce gerencia pedidos;
– O ERP controla estoque e faturamento;
– O CRM concentra dados de relacionamento;
– O gateway de pagamento cuida das transações;
– A logística opera em sistemas paralelos.
Quando esses sistemas não conversam de forma fluida, a experiência do consumidor final fica comprometida, pois ocorre divergência de estoque, falhas no faturamento, atrasos na entrega e comunicação fora do contexto. A perda da confiança fica evidente quando o consumidor precisa repetir dados, acaba recebendo cupons de desconto de primeira compra logo após ter realizado a compra, recebe em sua caixa de e-mail excesso de comunicação e fora do contexto. Enfim, essa “bagunça tecnológica” custa caro e faz o consumidor abandonar, diminuindo drasticamente a fidelização e recompra.
A maturidade digital exige abandonar esse modelo fragmentado e evoluir para uma arquitetura integrada, na qual dados circulam de forma estruturada e confiável entre todos os pontos da operação.
Integração como base da eficiência operacional
Mais do que Integrar suas soluções, é uma decisão estratégica e orientada a indicadores. Quando os sistemas estão conectados, o impacto aparece diretamente nos principais KPIs do e-commerce:
– Estoque em tempo real reduz ruptura e overstock, impactando positivamente a taxa de conversão, o giro de estoque e a margem operacional. Vender sem estoque gera atrito com o consumidor final. Estoque parado gera desconforto para o caixa. Assim, esees indicadores são excelentes para acompanhar quando o assunto é estoque.
– Previsibilidade financeira melhora a conciliação de pedidos e pagamentos, reduzindo falhas, divergências e ajustes manuais; isso gera impacto direto no fluxo de caixa e no capital de giro.
– Visão unificada do cliente permite um atendimento mais eficiente, pois é possível ver diversas informações, como histórico de compras, entregas, status de pedido e interações anteriores, reduzindo tempo médio de atendimento (TMA), aumentando o NPS e a taxa de recompra.
– Logística integrada diminui problemas relacionados a separação e endereçamento, evitando atrasos e reentregas, colaborando para a redução de custo operacional. Assim, é perceptível uma melhora no SLA de entrega e na satisfação do cliente.
– Dados integrados para marketing aumentam a eficiência dos investimentos. Quando dados de navegação, compra, pagamento e comportamento do cliente estão integrados, o marketing deixa de operar com métricas superficiais e passa a atuar com inteligência de negócio, melhorando ROI, CAC e LTV, com campanhas mais precisas e menos desperdício.
Na prática, a integração de sistemas cria uma operação mais previsível, escalável e orientada a dados, o que permite que as equipes tomem decisões estratégicas baseadas em indicadores confiáveis.
Dados como ativo estratégico, não apenas operacional
Outro ponto crítico dessa nova fase de maturidade é a evolução no uso dos dados. Muitas operações até coletam grandes volumes de informação, mas poucas conseguem transformá-los em inteligência acionável.
Dados integrados permitem responder a perguntas fundamentais para o crescimento do negócio, como:
– Quais canais realmente geram margem, e não apenas faturamento?
– Qual é o impacto do prazo de entrega na recompra?
– Onde estão os principais gargalos da jornada do cliente?
– Quais clientes têm maior potencial de LTV?
Sem integração, essas respostas ficam dispersas em relatórios isolados. Com integração, surgem insights claros para tomada de decisão, seja para ajustar preços, rever políticas logísticas ou personalizar estratégias de relacionamento.
A experiência do cliente depende da arquitetura por trás
Muito se fala em experiência do cliente, mas ela é consequência direta da arquitetura de sistemas que sustenta o e-commerce.
Um consumidor não percebe diretamente se ERP e CRM estão integrados, mas sente o impacto através do não aproveitamento das suas pegadas digitais e, principalmente, das falhas que ele detecta quando tem uma interação ou compra com sua marca.
Quando as operações estão integradas, é possível oferecer experiências mais fluidas, personalizadas e consistentes, aumentando taxas de conversão, recompra e fidelização.
A próxima fase do e-commerce brasileiro
O e-commerce brasileiro amadureceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado por picos de demanda e aceleração digital. Agora, entra em uma fase mais racional e estratégica, em que crescer exige eficiência, controle e inteligência.
Nesse contexto, investir em integração e dados deixa de ser um “projeto de TI” e passa a ser um pilar de negócio. Não se trata apenas de escolher boas ferramentas, mas de desenhar uma arquitetura que permita escalar sem perder controle da operação.
A nova fronteira da maturidade no e-commerce não está em vender mais a qualquer custo, mas em operar melhor, com dados conectados, sistemas integrados e decisões mais inteligentes.