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Criptomoedas como meio de pagamento em eventos globais

Por: Giuliano Kohler Silva

Atuando há mais de 20 anos no mercado financeiro, com experiência em grandes bancos nas áreas Corporate e Large Corporate, Giuliano atendeu empresas de grande porte brasileiras e multinacionais. Atualmente, é responsável pela Mesa de Crypto do Braza entre outras estruturas comerciais.

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Grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo não são apenas um espetáculo de competições e paixões nacionais; tornaram-se laboratórios de inovação financeira. Em um mundo onde a tecnologia redefine como consumidores interagem com o dinheiro, as criptomoedas chegam como uma alternativa viável e atraente aos meios de pagamento tradicionais.

Mão com smartphone exibindo criptomoeda diante de estádio de futebol iluminado, com moedas digitais e mapa-múndi ao fundo.
Imagem gerada por IA.

A Copa do Mundo, por exemplo, evidenciou como o ecossistema financeiro global está em transformação. Patrocínios de empresas cripto, fan tokens, NFTs e discussões sobre pagamentos digitais mostraram que as criptomoedas deixaram de ser um assunto restrito a entusiastas de tecnologia ou investidores de risco. Elas passaram a ocupar um espaço concreto no dia a dia de consumidores e estabelecimentos, especialmente em ambientes internacionais, nos quais a diversidade de moedas e sistemas financeiros sempre foi um desafio.

Em eventos que reúnem milhões de pessoas de diferentes países, os meios de pagamento tradicionais enfrentam limitações conhecidas, como: taxas de câmbio elevadas, custos com conversão, barreiras bancárias, dependência de intermediários e, muitas vezes, lentidão nas transações. Para o consumidor, isso significa gastos extras e fricções na experiência de compra; já para os estabelecimentos, custos operacionais mais altos e complexidade na gestão financeira.

É nesse cenário que as criptomoedas surgem como uma alternativa relevante. Por serem digitais, descentralizadas e globais por natureza, elas eliminam fronteiras e reduzem a necessidade de intermediários. Em teoria, e cada vez mais na prática, pagar um lanche, um ingresso ou um produto oficial em cripto pode ser tão simples quanto usar um cartão, mas com menos atritos internacionais.

Não é à toa que o mercado global de pagamentos digitais segue em forte expansão. Segundo o Relatório de Mercado de Pagamentos 2025, as receitas ultrapassarão US$ 3 trilhões até 2028, impulsionadas por pagamentos instantâneos, carteiras digitais e tecnologias como blockchain. Nesse cenário, as criptomoedas conquistam espaço real, com mais de 560 milhões de usuários em 2024, um aumento de mais de 30% em relação ao ano anterior, e mais de 60% dos respondentes expressando interesse em usar cripto em transações cotidianas, ainda de acordo com o estudo.

A aceitação do consumidor e estabelecimentos: entre curiosidade e conveniência

Do lado do consumidor, a aceitação das criptomoedas em grandes eventos está diretamente ligada a dois fatores: familiaridade e conveniência. Eventos como a Copa funcionam como catalisadores porque oferecem um ambiente propício à experimentação. Muitos consumidores têm o primeiro contato real com o uso prático das criptos justamente nesses contextos, seja por meio de carteiras digitais simplificadas ou por soluções híbridas que convertem automaticamente cripto em moeda local.

Além disso, há um componente simbólico importante. Usar criptomoedas em um evento global reforça a percepção de modernidade, inovação e pertencimento a uma nova economia digital. Para um público cada vez mais jovem e conectado, isso não é apenas um meio de pagamento, mas uma experiência alinhada aos seus valores.

Já para os estabelecimentos comerciais, aceitar criptomoedas em eventos globais vai além da imagem inovadora, trata-se também de eficiência. Pagamentos em cripto podem reduzir taxas de transação, minimizar riscos de chargeback e acelerar a liquidação financeira. Em eventos de curta duração, como competições esportivas, receber valores quase instantaneamente pode fazer grande diferença no fluxo de caixa.

Além disso, soluções de pagamento baseadas em blockchain permitem maior rastreabilidade e transparência, o que é especialmente relevante em ambientes com alto volume de transações e múltiplos fornecedores. Quando integradas a plataformas de gestão, essas tecnologias ajudam a otimizar processos e reduzir perdas operacionais.

Para além da tendência, um novo padrão?

Seja pela redução de barreiras geográficas, pela conveniência para turistas internacionais ou apelo inovador junto a um público jovem e conectado, as criptomoedas estão gradualmente deixando de ser um ativo financeiro isolado para se tornar um meio de pagamento funcional e amplamente aceito.

Em eventos globais de grande visibilidade, como a Copa do Mundo, esse potencial é ainda mais evidente: a convergência de tecnologias, comportamento do consumidor e exigências do mercado torna o uso de criptomoedas não apenas uma possibilidade, mas uma pauta inevitável na construção dos pagamentos globais do futuro.