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Mais inteligência, menos esforço e mais resultado na automação inteligente do ciclo de vendas

Por: Jorge Sellmer

Jorge Sellmer é um executivo de negócios e tecnologia com trajetória consolidada em transformação digital, crescimento comercial e modernização de operações, atuando na interseção entre estratégia, tecnologia e geração de receita. Atualmente é Chief Revenue Officer (CRO) e membro do Conselho na Objective Group, onde lidera a agenda de crescimento e posicionamento de portfólio, com forte ênfase em Inteligência Artificial (IA) — da estratégia à execução — conectando casos de uso (eficiência, produtividade e novas receitas) com governança, adoção responsável e impacto mensurável. Sua atuação se destaca por traduzir tendências (especialmente em IA aplicada, dados e automação) em planos práticos de transformação, combinando visão de mercado, storytelling executivo e execução orientada por métricas. Como líder e produtor de conteúdo, compartilha aprendizados sobre adoção de IA com governança, cultura data-driven, modernização como base para inovação e colaboração humano-máquina, apoiando lideranças na tomada de decisão em cenários de rápida mudança. Ao longo da carreira, acumulou experiências relevantes em empresas como BASF, vivenciando o contexto corporativo global e os desafios de escala e excelência operacional, e em organizações como Resource e BRQ, contribuindo para iniciativas de evolução tecnológica, entrega de valor em projetos complexos e aproximação entre áreas de negócio e times técnicos — sempre com foco em resultados, clientes e construção de soluções sustentáveis. Sellmer é graduado em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP), especialização em Gestão Empresarial e de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). e diversos programas de formação executiva com destaque para o curso de inovação no Vale do Silício, onde teve contato direto com o ecossistema de startups, big techs e modelos de negócios exponenciais, fortalecendo sua visão prática sobre inovação, disrupção e aplicação de novas tecnologias em escala empresarial.

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Durante décadas, a produtividade em vendas foi confundida com intensidade: mais horas, mais pressão e mais volume de atividades. Esse modelo, embora comum, tornou-se insustentável em um ambiente de negócios marcado por múltiplos canais, excesso de informação e consumidores cada vez mais exigentes. Persistir nessa lógica hoje é, na prática, aceitar ineficiência como padrão.

Notebook com gráficos de vendas e ícones de automação, CRM e IA em escritório.
Imagem gerada por IA.

A automação inteligente muda esse paradigma. Ao assumir tarefas repetitivas e organizar fluxos de ponta a ponta – do lead ao pós-venda -, ela redefine o papel das equipes comerciais. Automatizar deixou de ser uma aposta em eficiência futura e passou a ser um requisito básico para competir em mercados complexos e altamente orientados por dados.

Os números ajudam a explicar por quê. Segundo o IBGE, em 2024, 89,1% das empresas industriais brasileiras já utilizavam ao menos uma tecnologia digital avançada. Esse dado sinaliza que a inteligência artificial e o uso de dados não são mais iniciativas experimentais: tornaram-se parte da engrenagem operacional das organizações e influenciam diretamente como se vende, como se decide e como se cresce.

A pressão por eficiência no varejo digital

No varejo, essa transformação é ainda mais evidente. O crescimento consistente do e-commerce brasileiro, que movimentou R$ 225 bilhões em 2024, de acordo com o Sebrae, ampliou a pressão por estruturas comerciais mais eficientes, integradas e responsivas. Em um ambiente de alto volume transacional, insistir em processos manuais ou pouco conectados não é apenas ineficiente; é arriscado.

É justamente nesse ponto que surge uma contradição relevante do mercado brasileiro. Em 2025, o Estudo Maturidade de Dados, conduzido pela Objective sobre a maturidade das empresas na transformação orientada por dados, revelou que, apesar do discurso favorável à automação, o varejo ainda opera majoritariamente em estágios iniciais. As organizações foram classificadas em cinco níveis – principiante, explorador, estruturado, orientado por dados e data driven -, e 80% das empresas do varejo permanecem no nível “Explorador”, utilizando dados de forma fragmentada. Parte delas ainda decide com base predominantemente na intuição. O diagnóstico expõe um desalinhamento claro entre ambição tecnológica e capacidade real de execução.

No plano internacional, análises como o OECD Digital Economy Outlook 2024 reforçam que a digitalização só gera ganhos sustentáveis quando está integrada à estratégia e à governança. Não se trata de adotar mais ferramentas, mas de transformar dados em orientação operacional contínua – algo que exige método, disciplina e mudança cultural.

Como automação e dados redefinem resultados comerciais

Na prática, observa-se que iniciativas bem-sucedidas de automação do ciclo de vendas combinam inteligência artificial, CRM inteligente e Revenue Operations (RevOps) aplicadas a marketing e vendas. O resultado não é apenas eficiência pontual, mas maior previsibilidade do funil, melhor priorização de oportunidades e capacidade de ajustar estratégias em tempo real. Quando bem implementada, a automação reduz desperdícios e aumenta a qualidade das decisões comerciais.

Também é um equívoco tratar automação como sinônimo de desumanização. Ao reduzir a carga operacional, a tecnologia reposiciona o papel das equipes de marketing e comerciais, que passam a se concentrar no que realmente gera valor: relacionamento, negociação complexa e leitura estratégica do cliente. Dados do IBGE mostram que empresas que avançam nesse modelo tendem a apresentar maior previsibilidade de receita, melhor controle de custos e níveis mais altos de satisfação do cliente.

A discussão, portanto, não deveria ser se vale a pena automatizar, mas como fazê-lo de forma inteligente. Automação eficaz exige clareza estratégica, maturidade no uso de dados e capacidade de execução consistente. Quando esses elementos não caminham juntos, a tecnologia vira promessa. Quando caminham, vira resultado.