O varejo brasileiro abriu o ano de 2026 com o segundo mês consecutivo de contração. Segundo o Índice Getnet (IGet), desenvolvido pelo Santander em parceria com a Getnet, o varejo ampliado recuou 3,4% em janeiro na comparação mensal, enquanto o índice restrito apresentou uma queda de 4,4% frente a dezembro.

A performance negativa foi puxada por setores sensíveis ao crédito e ao orçamento das famílias. Artigos farmacêuticos lideraram as perdas com recuo de 5,0%, seguidos por materiais de construção (-3,3%) e móveis e eletrodomésticos (-2,9%). No varejo ampliado, a nota positiva veio do segmento de automóveis, partes e peças, que registrou alta de 4,0% e ajudou a amortecer o resultado geral.
Pressão monetária
De acordo com os economistas, os números confirmam que a política monetária restritiva continua pressionando o consumo. Entretanto, a análise projeta uma aceleração da atividade econômica ainda no primeiro trimestre de 2026.
O principal gatilho de otimismo para o setor é a isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil. A expectativa é que esse fôlego financeiro se reflita em um impulso direto para o consumo nos próximos meses, compensando a atual fraqueza dos bens duráveis.
Serviços às famílias operam na contramão
Enquanto o varejo recuou, o setor de serviços às famílias apresentou uma recuperação surpreendente em janeiro. O índice avançou 4,4% no mês, revertendo a tendência de baixa observada em 2025. Na comparação interanual, o indicador voltou ao campo positivo (+0,4%) após 15 meses de resultados negativos.
O destaque deste setor foi o segmento de alojamento e alimentação, com alta de 3,9%, indicando que o consumo de experiências está mais resiliente do que a compra de produtos físicos. Para os especialistas, o resultado de janeiro mostra que, apesar dos juros, há nichos da economia que começam o ano com maior dinamismo operacional.