Redação E-Commerce Brasil

Privatização dos Correios: estudo do governo revela passivo de R$ 14 bilhões

Segunda-feira, 02 de novembro de 2020   Tempo de leitura: 5 minutos

Um estudo realizado por técnicos do Sistema de Informações das Estatais (Siest), do Ministério da Economia, soluciona um dos principais impasses dos Correios, que tem sido objeto de inquietações no mercado. A estatal caminha para um processo de privatização, com a quebra do monopólio do serviço postal e a modernização do setor.

A análise da Siest mostra que o passivo dos Correios chega a R$ 14 bilhões. Quase a metade da dívida corresponde a pendências financeiras com o fundo de pensão dos funcionários, o Postalis, e o plano de saúde da empresa.

Obrigações sociais e trabalhistas respondem por cerca de 17% do passivo. Outros 7% são compostos de dívidas com fornecedores, segundo o Siest.

O estudo também examinou o ativo da estatal e outros indicadores financeiros e econômicos importantes, como a liquidez, que teve uma piora entre 2017 e 2019, ficando abaixo de 1 nesse período. Outro indicador analisado foi o custo da atividade, que no ano passado consumiu mais de 85% da receita líquida. Em outras palavras, os Correios estão utilizando a maior parte do faturamento para pagar suas contas.

Segundo reportagem da Exame, não há somente más notícias. Em 2019, houve um lucro líquido de R$ 102 milhões. Foi o terceiro ano de lucros, após quatro de prejuízos. Mesmo assim, não foi suficiente para equacionar o equilíbrio financeiro da estatal.

“Nos exercícios de 2018 e 2019, a empresa contratou operações de crédito de R$ 750 milhões, recebeu aportes do Tesouro (R$ 224 milhões), e consumiu aplicações financeiras para a manutenção de suas atividades operacionais e para realizar investimentos”, aponta o relatório.

Leia também: Ministério entrega à Presidência projeto de privatização dos Correios

Desestatização dos Correios

De acordo com a ressalva do auditor independente do balanço de 2019, foi identificada uma incerteza sobre a continuidade das operações dos Correios. Na prática, isso quer dizer que a estatal corre o risco de se tornar dependente do Tesouro. Quando isso acontece, os custos da empresa são pagos pela União. Esses gastos incidem sobre as despesas discricionárias do governo.

No entanto, a estatal não está de braços cruzados. Um plano de demissão voluntária reduziu em 11 mil o quadro de funcionários, hoje de 95 mil pessoas, para enxugar os custos. A estatal também fechou 161 agências no ano passado.

Já foi dado início ao processo de desestatização da empresa. No dia 10, o projeto de lei que acaba com o monopólio dos Correios sobre o serviço postal foi enviado para apreciação da Secretaria-Geral da Presidência da República e Casa Civil. A expectativa é que seja enviado ainda neste ano para o Congresso.

O consórcio contratado pelo BNDES para propor modelos de desestatização dos Correios e sua precificação segue trabalhando. A intenção é que esses estudos sejam finalizados, depois de rodadas de conversas com o governo e o mercado, até o final do ano que vem. Depois disso, será lançado o edital referente à desestatização.

A privatização conta com o apoio de boa parte da sociedade. Uma pesquisa EXAME/IDEIA realizada com 1.235 pessoas entre os dias 24 e 31 de agosto mostrou que 40% dos brasileiros apoiam a venda dos Correios — percentual muito superior em relação aos que apoiam a venda da Petrobras, 28%, ou da Caixa, 22%.

As queixas dos consumidores em relação ao serviço prestado pela estatal aumentaram neste ano. Somente nos primeiros 14 dias de setembro, a Fundação Procon-SP registrou 756 reclamações contra os Correios. No mesmo mês no ano passado, foram 132, um aumento de 472%. O principal motivo é o não fornecimento do serviço em razão da última greve, que durou 35 dias.

Leia também: Correios lançam espaço com lockers para entrega de encomendas no DF

Fonte: Exame

Deixe seu comentário

5 comentários

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentando como Anônimo

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

  1. A empresa é pública não visa lucro, mas sim prestar serviço público e de preferência sem depender do governo.E isso os Correios fazem.Infelizmente a mídia desconhece ou fingem desconhecer q a privatização irá trazer prejuízos principalmente as pequenas empresas de comércio eletrônico.. aumentando os preços de fretes e piorando o serviço..

    Responder
  2. O governo diz que não tem dinheiro para colocar nos Correios, mas nunca vi uma privatização onde o comprador ficou com as dívidas. Hoje a carga de trabalho aumentou e tem uma redução do efetivo. Se investir, dará retorno (a empresa já mostrou isso antes) e o governo receberá seu percentual de lucro, se vender tem que arcar com o passivo, facilitar o financiamento da compra, e vai receber só os impostos.

    Responder
  3. Pensar na não privatização dos Correios é o mesmo que se opor ao avanço natural do mundo, a empresa teve seu tempo de glória e espaço para se aperfeiçoar e modernizar mas preferiu se fechar em um casulo considerando-se imbatível, hoje percebe-se que não passa de um saco de areia furado que simplesmente não avança, e bem se sabe que o que não anda emperra, e é exatamente isso que tem ocorrido. Que venha a privatização tão esperada por todos desse elefante branco.

    Responder
  4. Esse texto trata-se de mais um artifício do governo para manipular opiniões e vender um patrimônio de mais de 350 anos. Se o governo não é capaz de administrar uma empresa como será capaz de administrar um país?

    Responder

  Assine nossa Newsletter

Fique por dentro de todas as novidades, eventos, cursos, conteúdos exclusivos e muito mais.

Obrigado!

Você está inscrito em nossa Newsletter. Enviaremos, periodicamente, novidades e conteúdos relevantes para o seu negócio.

Não se preocupe, também detestamos spam.