Como a pandemia quebrou paradigmas na logística internacional
O avanço da pandemia de Covid-19 impactou todos os setores da economia mundial, sobretudo o comércio exterior. Fechamento de portos e a paralisação do transporte aéreo de passageiros aumentaram a escassez de produtos, ao mesmo tempo em que a demanda por mercadorias cresceu exponencialmente no e-commerce. No Fórum E-Commerce Brasil - Grand Connection, nesta terça-feira (14), Victor Motta, head de Novos Negócios da Timbro Trading, falou de como a área de importação e exportação é interessante porque traz em pauta produtos novos ao negócio e uma competitividade forte, mas ressaltou que é preciso estar trabalhando em certas características.
“Vivenciamos nos últimos tempos, situações que serviram de alerta. Por exemplo, o furacão Katrina, em 2005. Ele bagunçou um pedaço do comércio exterior. Mas nada impactou como o Covid-19. Desde que estourou a pandemia em 2020, nós tivemos uma quebra de paradigmas de logística internacional porque todo mundo ficou em casa, os terminais fecharam, o supply ficou muito limitado. Cerca de 90% de toda a mercadoria transitada por modal aéreo são transportados em voos de passageiros. No momento em que se fechou esse transporte, perdeu-se um modal muito importante. A nossa logística foi praticamente a zero. Claro que temos o transporte via carga, mas ele representa pouco em relação ao transporte aéreo de mercadorias”, revela.
Segundo o especialista, isso trouxe uma pressão ao modal marítimo muito maior. “No primeiro momento, houve redução da disponibilidade de produtos. E, no segundo momento, a pressão por volumetria e disponibilidade de produtos foi aumentando, só que modal marítimo, que é o cenário atual. Nos últimos dois anos, vivenciamos situações atípicas no transporte marítimo, como terminais portuários fechados ou com capacidade parcial e terminais com excesso de mercadorias. Esse desequilíbrio trouxe uma situação de desequilíbrio entre oferta e demanda, o que impacta no tempo e no custo do transporte”.
No transporte aéreo, o principal fator de aumento do preço dos fretes é o avanço da variante Delta, variante da Covid-19), na China, diz Motta. “Os aeroportos do país operam parcialmente, gerando atrasos de três dias. A capacidade limitada de carga aérea em curso provavelmente aumentará ainda mais as taxas à vista que subiram mais de 6% mês após mês”. Ele revela que o valor para transportar um contêiner, em linhas gerais, era US$ 2 mil entre China e Brasil. Hoje, chega-se a pagar entre US$ 10 mil e US$ 14 mil por contêiner. “Tem que ter cuidado para que o custo não impacte no seu negócio, pois há produtos que não valem mais a pena importar devido ao custo de transporte”, aconselha.
Motta revela que, para driblar o problema, muitas empresas pulverizam a logística nos modais. No aéreo, produtos que devem chegar mais rápido, pois o transporte leva até sete dias, e, no marítimo, cargas que podem demorar mais para chegar, pois esse tipo de transporte leva de 30 a 40 dias para chegar ao destino. “Pense fora da caixa. Não fique focado em apenas um modal”, diz.