Redação E-Commerce Brasil

Do MEI ao lucro real: como organizar o crescimento sem perder a lucratividade

Terça-feira, 14 de setembro de 2021   Tempo de leitura: 7 minutos

A Lojas Mineiras nasceu como MEI (micro empreendedor individual) em 2011 e, no ano passado, faturou R$ 21 milhões, segundo Raul Prado, founder e CEO da varejista. O executivo participou do segundo dia do Fórum E-Commerce Brasil – Grand Connection nesta terça-feira (14) e ensinou como algumas estratégias podem ajudar no crescimento de e-commerces que nascem pequenos.

Prado conta que é comum vermos pequenas empresas nascerem a partir de uma pessoa que perdeu o emprego, decidiu abrir um negócio sendo MEI e a empresa começa a dar certo. Só que o teto do MEI passa a não dar conta de tudo o que a empresa pode vender e muitos chegam à seguinte conclusão: abrir um MEI no nome de outros membros de sua família.

“Essa conta pode até resolver a situação por certo tempo, pois com 5 MEIs você pode chegar ao teto de R$ 400 mil por ano ou até R$ 650 mil a partir do ano que vem, mas isso é crime, pois é abrir empresa no nome de ‘laranjas’”, explica o executivo.

“A minha empresa foi MEI de 2011 até 2013. Segurei o faturamento porque tinha estourado o teto daquele ano. Porém, esta estratégia não faz sentido nenhum. Ano passado, minha empresa faturou R$ 21 milhões. Pensem no quanto eu perdi de faturamento em ficar preocupado e preso no Simples Nacional. Hoje, é necessário informar o CNPJ da empresa ao exigir nota fiscal. Se fizer errado, vai ser pego pela Receita Federal.”, ressalta.

De acordo com Prado, essas estratégias configuram evasão fiscal, que é crime, mas a elisão fiscal é permitida e pode ajudar a reduzir impostos. E ele explica como fazer isso a seguir:

Excelente contador

“Ter um excelente contato para correr atrás de regime especial, redução de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) etc. O seu contador precisa entender a dinâmica do e-commerce. Cada estado é um país dentro do Brasil, e o profissional precisa correr atrás disso”, afirma Prado. Segundo ele, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina, como exemplos, oferecem redução de ICMS ou isenção tributária. Muitas empresas que estão nesses estados conseguem preços mais baixos por conta disso.

Assessoria jurídica

De acordo com Prazo, um advogado pode ajudar processando o estado ou o governo federal em casos que não estão na lei, além de correr atrás de informações que possam ajudar a reduzir essas despesas por meio de decisões jurídicas. “Não é caro. Hoje, gastamos cerca de R$ 1 mil por mês com honorários de advogado, que ajuda também a manter a empresa nos eixos com compliance e a manter a reputação mais forte”, aconselha. O advogado também pode auxiliar na elaboração de contratos e na validação de contratos com parceiros.

KPIs desde o MEI

“Você precisa achar pelo menos cinco métricas para medir o negócio para saber se está chegando aonde deseja. Não vou dizer quais métricas porque cada negócio tem suas particularidades. Tem uma frase da Luiza Trajano (presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza) que eu adoro: “Não pense mais do que sua mão pode contar”. Se estiver bem no começo, três métricas já está de bom tamanho. Não adianta um milhão de métricas se não souber usar esses dados e focar no que precisa”, afirma.

Separar Pessoa Física de Pessoa Jurídica

“Se tiver mais de um MEI, certamente seu estoque também está bagunçado. Foque em um único CNPJ e separe a conta da empresa da sua conta pessoal”, aconselha.

Campo próprio x marketplace

Atualmente, os marketplaces representam 90% do nosso faturamento, mas no fim do ano passado, começamos a investir na nossa marca, não só no site, mas em embalagens e redes sociais. Nos colocamos como uma marca e tomamos todas as decisões desta forma”, diz Prado. Segundo ele, os marketplaces podem dar escala e visibilidade aos e-commerces. Mas, se for entrar em marketplace, opte por estar em mais de um. Não se apegue a um só porque se mudam as regras o seu negócio pode ir à falência. Também diversifique com fornecedores”, enumera.

Marca própria e revenda

“Hoje o meu negócio é quase integralmente revenda. Temos alguns produtos fabricados aqui no Brasil que colocamos a nossa marca, mas queremos comprar da China no ano que vem. Eu tenho medo da chegada dos chineses, pois eles têm prazo com dias, além da vantagem de não pagar impostos e frete. A concorrência é desleal”, afirma.

Segundo Prado, também há um movimento natural da indústria de vender diretamente para o consumidor final através do marketplace. “Isso significa que a minha posição de fornecedor na cadeia está sendo deteriorada e vai acabar. Por isso, é importante pensar em estratégias, como marca própria ou parcerias com fornecedores. Não precisa se assustar, mas é um ponto importante de se avaliar”, pondera.

Leia também: “O e-commerce é o futuro do Brasil”, aposta Fred Trajano, CEO do Magalu

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil.

Fórum E-Commerce Brasil Grand Connection acontece nos dias 13, 14 e 15. O evento de alcance global conta com a participação de especialistas e grandes nomes do comércio eletrônico. Acompanhe ao vivo.

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