O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33% em dezembro de 2025, acima do resultado de novembro, que foi de 0,18%, e abaixo da taxa observada no mesmo mês de 2024, quando ficou em 0,52%. O resultado de dezembro foi o menor para o mês desde 2018.

Com isso, o IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, abaixo dos 4,83% registrados em 2024 e dentro do teto da meta de inflação de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional. Trata-se também do menor resultado anual desde 2018, quando o índice fechou em 3,75%, segundo dados do IBGE.
Atuação por categoria
Habitação lidera impacto no ano
O resultado de 2025 foi influenciado principalmente pelo grupo Habitação, que acelerou de 3,06% em 2024 para 6,79% e respondeu pelo maior impacto no índice anual, somando 1,02 ponto percentual. Em 2024, esse impacto havia sido de 0,47 ponto percentual.
Na sequência, os grupos com maior contribuição foram Saúde e cuidados pessoais, com impacto de 0,75 ponto percentual e alta de 5,59%; Despesas pessoais, com 0,60 ponto percentual e variação de 5,87%; e Educação, que subiu 6,22% e contribuiu com 0,37 ponto percentual. Juntos, esses quatro grupos responderam por cerca de 64% da inflação do ano.
Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, o resultado de 2025 figura entre os menores da série histórica iniciada com o Plano Real. Apenas quatro anos apresentaram inflação mais baixa no período: 1998, 2006, 2017 e 2018.
Alimentos desaceleram e ajudam a conter a inflação
O grupo Alimentação e bebidas, de maior peso no IPCA, desacelerou de forma significativa em 2025. A alta anual passou de 7,69% em 2024 para 2,95%, movimento puxado principalmente pela alimentação no domicílio, que saiu de 8,23% para 1,43%.
Entre junho e novembro, os preços dos alimentos consumidos em casa registraram variações negativas consecutivas, acumulando queda de 2,69% no período. Nos demais meses do ano, a alta acumulada foi de 4,23%. De acordo com o IBGE, a maior oferta de alimentos contribuiu para o recuo dos preços ao longo do ano.
Energia elétrica tem maior impacto individual
Entre os subitens que compõem o IPCA, a energia elétrica residencial exerceu o maior impacto individual em 2025, com contribuição de 0,48 ponto percentual e alta acumulada de 12,31%. O resultado refletiu reajustes que variaram entre -2,16% e 21,95%, além da maior presença de bandeiras tarifárias com cobrança adicional ao longo do ano.
Na sequência, os itens com maior impacto foram cursos regulares, plano de saúde, aluguel residencial e lanche. Entre as principais quedas do ano, destacaram-se produtos alimentícios como arroz e leite longa-vida, além de eletrodomésticos, aparelhos telefônicos e seguro voluntário de veículo.
Serviços e preços monitorados aceleram
No agregado especial de serviços, o IPCA avançou de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025. Já os preços monitorados, administrados pelo governo, passaram de 4,66% para 5,28% no mesmo período. Os produtos não alimentícios tiveram alta de 4,64% em 2025, acima dos 4,07% registrados no ano anterior.
Transportes pressionam dezembro
Em dezembro, o grupo Transportes apresentou a maior variação mensal, com alta de 0,74% e impacto de 0,15 ponto percentual no IPCA. O resultado foi influenciado pelo aumento nos preços do transporte por aplicativo e das passagens aéreas, que tiveram o maior impacto individual do mês.
Por outro lado, o grupo Habitação recuou 0,33%, após alta em novembro, puxado pela queda nos preços da energia elétrica residencial, reflexo da mudança na bandeira tarifária ao longo do mês.
Regiões
Entre as 16 localidades pesquisadas, Vitória apresentou a maior inflação acumulada em 12 meses, com alta de 4,99%, influenciada principalmente pelos aumentos da energia elétrica residencial e dos planos de saúde. Porto Alegre e São Paulo vieram na sequência.
O menor resultado foi observado em Campo Grande, com variação de 3,14%, impactada pelas quedas nos preços do arroz, das frutas e das carnes.
INPC de 2025
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos, subiu 0,21% em dezembro. No acumulado de 2025, o índice fechou em 3,90%, abaixo dos 4,77% registrados em 2024, com desaceleração expressiva dos preços dos alimentos.