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Datas duplas favorecem marketplaces no e-commerce brasileiro

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O e-commerce brasileiro passa por um processo de reorganização que vem alterando a dinâmica do consumo digital e a lógica do calendário promocional. Dados da base do ANYMARKET mostram que o dia 2 de fevereiro de 2026 registrou crescimento de 107% no GMV na comparação anual, resultado bem acima do avanço médio observado em janeiro, próximo de 35%.

Datas duplas favorecem marketplaces no e-commerce brasileiro
(Imagem: Freepik)

Segundo a empresa, o desempenho indica que o consumo online vem se concentrando em eventos estratégicos, transformando datas tradicionais em momentos de alta disputa entre plataformas. Além disso, entende-se que este movimento indica uma mudança estrutural no comportamento do mercado.

Em vez de depender de poucos grandes picos concentrados no fim do ano, como a Black Friday, o e-commerce passa a operar com estímulos recorrentes ao longo dos meses. Nesse contexto, datas duplas ganham protagonismo e funcionam como ciclos regulares de aceleração das vendas.

Os dados também apontam uma redistribuição de força entre os marketplaces. No comparativo do dia 2/2, o Mercado Livre apresentou crescimento de 158%, enquanto a Shopee avançou 143%. Já a Amazon registrou alta de 14%. O resultado reforça o protagonismo de plataformas que combinam subsídios comerciais, estrutura logística e meios de pagamento integrados, ao mesmo tempo em que indica perda relativa de relevância de outros players nessas datas.

Modalidades

Outro vetor que começa a ganhar peso estrutural é o social commerce. A entrada do TikTok Shop como novo competidor relevante sugere uma convergência entre descoberta e conversão no mesmo ambiente digital. Diferente do modelo tradicional baseado em busca, esse formato se apoia em conteúdo e influência, exigindo dos sellers uma integração mais profunda entre catálogo, operação e comunicação.

O crescimento das vendas também veio acompanhado de aumento do valor médio dos pedidos. Enquanto o número de compras subiu 78%, o GMV avançou 107%, indicando que o consumidor gastou mais por transação, mesmo em um cenário de juros elevados. O movimento é atribuído à ampliação de parcelamentos, incentivos para pagamentos à vista ou via PIX, parcerias com fintechs e uso intensivo de cupons, estratégias que estimulam tickets mais altos.

Os efeitos das datas de pico não se limitam à conversão. Dados do Predize, empresa do Grupo DB1, mostram que soluções baseadas em inteligência artificial influenciaram mais de 400% nas conversões via respostas automáticas, na comparação anual. A automação reduz o tempo de resposta ao consumidor e diminui o risco de perda da venda para anúncios concorrentes. No pós-venda, a data também registrou alta de 241% na abertura de chamados, reforçando a importância do atendimento como fator de retenção e reputação dos sellers.

Para marcas e lojistas, o cenário indica que visibilidade e competitividade passam, cada vez mais, pela presença nas datas e plataformas certas. A consolidação de novos formatos de venda e a intensificação dos eventos ao longo do ano ampliam a pressão por preparo operacional, integração tecnológica e capacidade de resposta em momentos de pico.