A Amazon registrou apenas 165 mil novos vendedores em 2025, o menor volume anual desde que a Marketplace Pulse iniciou o acompanhamento desses dados, em 2015. O número representa uma queda de 44% em relação a 2024 e indica uma mudança estrutural no papel da plataforma, que deixa de ser uma porta de entrada para pequenos empreendedores e passa a exigir operações mais robustas e capitalizadas.

Segundo o relatório Marketplace Pulse 2025 Year in Review, a retração nos cadastros ocorreu em todos os marketplaces globais da Amazon e está inserida em um contexto chamado de “Grande Compressão”. O período foi marcado pela combinação de tarifas mais altas, maior dependência de publicidade paga, avanço do uso de inteligência artificial e aumento das taxas da plataforma, fatores que pressionaram margens e elevaram o nível de exigência para competir.
Sellers consolidados vendem mais
Mesmo com menos vendedores ativos, a oportunidade econômica dentro da Amazon cresceu. O volume bruto de mercadorias de terceiros atingiu cerca de US$ 305 bilhões nos Estados Unidos e US$ 575 bilhões globalmente. Desde 2021, o tráfego médio por vendedor ativo aumentou 31%, enquanto mais de 100 mil lojistas já faturam ao menos US$ 1 milhão por ano na plataforma.
Em 2021, esse grupo era de aproximadamente 60 mil vendedores. O número de empresas com faturamento anual acima de US$ 100 milhões também avançou, passando de 50 para 235.
Esse movimento mostra uma concentração maior de receita entre vendedores que conseguiram se adaptar ao ambiente mais complexo. Mais de 60% dos 10 mil maiores vendedores atuais entraram na plataforma antes de 2019, reforçando que tempo de operação e capacidade de execução se tornaram fatores decisivos para o sucesso.
Chineses dominam o marketplace
O perfil dos novos vendedores também mudou. Em 2025, os chineses responderam por 59,9% dos novos cadastros, percentual ainda dominante, embora menor que os 62,3% de 2024. Já os vendedores dos Estados Unidos representaram apenas 16,3% das novas entradas, dando continuidade a uma queda que começou anos atrás, quando essa participação superava 70%.
Os dados indicam que a Amazon passou a funcionar como uma infraestrutura para negócios mais estruturados, enquanto se torna menos atrativa para vendedores ocasionais ou empreendedores que buscam renda complementar. Para quem entra agora, o cenário é mais competitivo, com custos maiores e menor margem para erros.