A Amazon trabalha no desenvolvimento de um novo smartphone, mais de uma década após o fracasso do Fire Phone, lançado em 2014. O projeto, conhecido internamente como “Transformer”, está sendo conduzido pela unidade de dispositivos e serviços da companhia e ainda se encontra em estágio inicial.

A proposta do novo aparelho é funcionar como um hub de personalização móvel, integrado à assistente virtual Alexa e ao ecossistema de serviços da empresa. A ideia é ampliar os pontos de contato com o consumidor ao longo do dia, conectando funcionalidades como compras, streaming e pedidos de delivery em um único dispositivo.
A iniciativa retoma uma visão antiga do fundador Jeff Bezos, que defendia a criação de um assistente digital onipresente, controlado por voz, capaz de centralizar a experiência do usuário — conceito inspirado em interfaces de ficção científica.
IA e ecossistema no centro da estratégia
O projeto tem como principal diferencial a integração avançada de inteligência artificial (IA), com potencial para reduzir ou até eliminar a dependência de lojas de aplicativos tradicionais. Nesse modelo, o usuário interagiria diretamente com a IA para executar tarefas, sem necessidade de baixar ou configurar apps.
A Alexa deve desempenhar papel central no dispositivo, embora ainda não esteja definido se será também o sistema operacional. Internamente, a assistente é considerada estratégica para o futuro da Amazon no segmento de serviços ao consumidor, especialmente após sua reformulação baseada em IA e relançamento previsto para 2025.
Além disso, o smartphone poderia facilitar o acesso a serviços do ecossistema da empresa, como Amazon.com, Prime Video e Prime Music, além de integrações com parceiros como o Grubhub.
Mercado desafiador e histórico de fracasso
A nova investida ocorre em um cenário competitivo dominado por Apple e Samsung, que concentraram cerca de 40% das vendas globais de smartphones no último ano, segundo a Counterpoint Research. Ao mesmo tempo, o mercado enfrenta pressão: a International Data Corporation (IDC) projeta queda de 13% nas remessas globais em 2026, impulsionada pelo aumento nos custos de componentes.
A própria Amazon já enfrentou dificuldades no segmento. O Fire Phone foi descontinuado após apenas 14 meses, gerando uma baixa de US$ 170 milhões em estoque não vendido. Entre os problemas estavam a ausência de aplicativos populares, consumo elevado de bateria e baixo apelo para o consumidor, mesmo com incentivos como um ano gratuito de Amazon Prime.
Para analistas, o histórico aumenta o desafio. A empresa precisará apresentar uma proposta clara de valor para convencer usuários a trocar de aparelho, especialmente diante da forte dependência dos consumidores em relação aos ecossistemas de aplicativos existentes.
Nova abordagem e formatos em teste
O projeto Transformer está sendo liderado pela equipe ZeroOne, criada há cerca de um ano com a missão de desenvolver dispositivos considerados “inovadores”. O grupo é comandado por J Allard, ex-executivo da Microsoft com experiência em produtos como Xbox e Zune.
Segundo fontes, a Amazon avalia diferentes formatos para o novo dispositivo, incluindo um smartphone tradicional e versões mais simples, com recursos limitados. Uma das inspirações é o Light Phone, modelo minimalista que prioriza funções básicas e reduz o uso de aplicativos.
A estratégia pode incluir o posicionamento do aparelho como um segundo dispositivo, complementar aos smartphones principais dos usuários. Em 2025, celulares básicos e modelos com menos funcionalidades representaram 15% das vendas globais, de acordo com a Counterpoint Research.
Ainda não há informações sobre preço, cronograma de lançamento ou parcerias com operadoras. As fontes afirmam que o projeto pode ser ajustado ou até cancelado, dependendo de mudanças estratégicas ou restrições financeiras.
*Com informações da Reuters