Dinheiro em papel?
O dinheiro de papel já é raridade no país asiático e o avanço foi tão rápido que até o QR Code já começa a ser uma tecnologia mais antiga por lá. Agora, as tecnologias de pagamento por reconhecimento facial começam a despontar. O Alipay, por exemplo, empresa do Grupo Alibaba, já implantou dispositivos para permitir esse tipo de transação em mais de cem cidades no país. Os gigantes Alibaba e Tencent correspondem a 90% dos US$ 17 trilhões do mercado local de pagamentos móveis, de acordo com a consultoria CGAP. O número de usuários de pagamentos móveis está estimado de 577 milhões em 2019, com aumento previsto para 700 milhões em 2022. Já na Índia, um case muito interessante é o da Paytm, empresa que iniciou as operações com oferta de recargas de celular e cresceu fornecendo serviços financeiros a pessoas desbancarizadas, se tornando a startup mais valorizada do país. Na Suécia, onde a realidade é bastante diferente e não havia um problema de acesso a serviços bancários, o Banco Central fomentou a criação de uma interface de transferências e pagamentos, para facilitar as movimentações entre instituições financeiras e reduzir taxas. Com isso, as novas tecnologias levaram o dinheiro de papel a praticamente desaparecer por lá.Unificação padrão
O fato é que essa tecnologia caminha a passos largos, mas de formas diferentes ao redor do mundo, se adaptando para resolver as dores locais, encontrando desafios e oportunidades únicas por onde passa. Assim ocorre também no Brasil, onde o QR Code tem sido amplamente utilizado em restaurantes e bancas de jornal, além de estar sendo testado em estações de trens e metrôs, e o Banco Central estuda a unificação do padrão que será utilizado pelas diversas empresas que promovem pagamentos instantâneos no país, visando facilitar a vida do consumidor. A intensa concorrência colabora para a educação do consumidor em relação ao uso da tecnologia e a criação do hábito. Ainda temos muito a fazer, tanto em inclusão quanto em termos de melhoria de serviços e facilitação do dia a dia. É provável que o dinheiro de papel não desapareça por aqui — ao menos não tão cedo — como ocorreu em outros países, mas grandes mudanças podem sim ser esperadas. De acordo com o Global Payments Report 2017 da Worldpay, o uso de aplicativos de pagamentos no Brasil deve passar dos 15% atuais para 31% em 2021. Nesse mercado, não é mais o grande player que deixa o pequeno para trás, mas o mais rápido e inovador que provoca grandes transformações que reverberam na sociedade e, pouco a pouco, mudam a forma de consumir e transacionar como conhecemos hoje. Leia também: Supermercado ou banco? Aumente sua gama de produtos com serviços bancáriosGostou desse artigo? Não esqueça de avaliá-lo! Quer fazer parte do time de articulistas do portal, tem alguma sugestão ou crítica? Envie um e-mail para redacao@ecommercebrasil.com.br