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Retração nas vendas e oportunidade no comércio eletrônico

Por: André Santos

Consultor de Projetos Digitais - gestão, visão e estratégia 360°de <nowrap>e-commerce</nowrap>, omnichannel, logística, SAC, meios de pagamentos, performance, ERP, front e back end. Especialista em marketplaces e ferramentas de otimização de projetos digitais B2B, B2C e D2C. Professor de <nowrap>e-commerce</nowrap>, plataformas e cadastro de produtos na ComSchool.

Se você é do ramo do comércio eletrônico, deve ter percebido uma guinada nas vendas no primeiro semestre de 2023. Será que ainda vale a pena investir no e-commerce? Confira aqui o que realmente aconteceu nos dois primeiros trimestres e como aproveitar as oportunidades da atual situação.

O e-commerce continua a crescer e a atingir marcas impressionantes, como a de 53,0 milhões de compradores em 2023, segundo o relatório Webshoppers da NIQ Ebit. Esse aumento expressivo no número de consumidores online demonstra a contínua popularização e a adoção do comércio eletrônico como um canal de compra essencial.

Será que ainda vale a pena investir no e-commerce? Confira o que realmente aconteceu nos dois primeiros trimestres e como aproveitar as oportunidades da atual situação.

Embora o crescimento constante do e-commerce ofereça oportunidades significativas para empresas que desejam expandir suas operações online, também apresenta desafios: percebe-se no primeiro semestre de 2023 uma queda nas vendas no comércio eletrônico. Essa retração se deve ao fato de que antes os consumidores compravam em várias lojas produtos de diferentes preços, tanto produtos mais em conta quanto produtos mais caros. No primeiro semestre, aconteceu que os consumidores consolidaram a fidelidade a lojas de suas preferências e aumentaram o ticket médio nas suas aquisições.

No acumulado do primeiro semestre de 2023, as vendas do e-commerce apresentaram uma retração significativa de -7,3%, o que inicialmente pode ser motivo de preocupação para empresas e analistas desse setor. No entanto, o dado também aponta para uma tendência de melhora a partir do segundo trimestre de 2023. Nesse período, a queda nas vendas diminuiu para -5,7%, o que indica uma desaceleração na retração (dados da NIQ Ebit). Essa tendência de menor intensidade na queda é um sinal positivo, sugerindo que o mercado pode estar se recuperando gradualmente. Além disso, o dado destaca que no mês de junho de 2023, a retração nas vendas foi ainda menor, atingindo apenas -2,1%. Isso pode ser um indicativo de que as condições estão melhorando ainda mais e de que o e-commerce pode estar se aproximando de uma recuperação total.

Categorias de destaque

As melhores performances dentre as demais categorias foram: perfumaria e cosméticos, saúde, alimentos e bebidas, bebês e cia.

Para explicar tal desempenho nesses setores, pode-se considerar os seguintes fatores:

– Sazonalidade: o Dia das Mães e o Dia dos Namorados (perfumaria e cosméticos).
– Mudanças no comportamento do consumidor: devido à pandemia, muita gente consolidou o hábito de fazer as compras online (alimentos e bebidas).
– Competitividade: as crianças nascem durante todo o ano e os pais procuram muitas vezes preços mais competitivos, por isso muitos optam por adquirir itens do enxoval do filho em lojas online (bebês e cia).

Categorias com crescimento no ticket médio

Tiveram crescimento no ticket médio: telefonia (5,4%), eletrodomésticos (1,5%), casa e decoração (0,4%). Setores como telefonia e eletrodomésticos estão em constante evolução tecnológica. A introdução de produtos mais avançados e inovadores, muitas vezes com preços mais elevados, pode levar os consumidores a gastar mais para obter as últimas características e os benefícios tecnológicos. Vale acrescentar que as mudanças nas tendências de estilo de vida, como um foco maior na qualidade de vida e na estética da casa, podem levar as pessoas a gastar mais em itens de casa e decoração. As pessoas estão dispostas a investir em produtos que melhorem sua qualidade de vida e bem-estar em casa.

Oportunidades

Vale ressaltar que, apesar da queda nas vendas, não houve uma redução na quantidade de shoppers ativos no canal. Pelo contrário, houve um crescimento de aproximadamente 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isso sugere que a base de clientes que utiliza o canal de vendas permanece sólida e até mesmo está se expandindo, o que pode ser encarado como uma oportunidade para a retomada das vendas. Isso sugere que há um público disposto a comprar, e as empresas podem direcionar esforços para entender o que está impactando os pedidos e trabalhar em estratégias para incentivá-los. Por isso, é importante conhecer as preferências do consumidor.

A pesquisa realizada pela NIQ Ebit mostra que as compras realizadas por meio de aplicativos destacam-se com 15% da preferência do shopper:
– 32% compraram supermercado.
– 43% compraram farmácia.

Esse aumento significativo na preferência por compras por aplicativo pode ser atribuído a fatores como a conveniência, a variedade de opções disponíveis e a flexibilidade de compra que essas plataformas oferecem. Esse dado ressalta a importância crescente do comércio eletrônico e a necessidade das empresas de se adaptarem a essa mudança no comportamento do consumidor, investindo em experiências de compra online mais atraentes e eficientes.

Vale reforçar que é importante não apenas observar as métricas de vendas, mas também entender o comportamento dos consumidores e os fatores que influenciam suas decisões de compra.

Ainda segundo a pesquisa da NIQ Ebit, frete grátis, promoções e praticidade são os principais motivadores de compra.

Assim, as empresas devem acompanhar as tendências em constante evolução do e-commerce, considerando fatores como sazonalidade, mudanças no comportamento do consumidor, concorrência e eventos econômicos globais e, dessa forma, adaptar suas estratégias de negócios e considerar como podem melhor atender às necessidades e expectativas dos consumidores online em um mercado tão dinâmico.