Logo E-Commerce Brasil

NCM para importação: guia essencial para classificação e uso

Por: Lincoln Fracari

CEO da China Link

Fundador e diretor executivo do Grupo China Link. Especialista e consultor na área de negócios com a China e Ásia, empresário, investidor, escritor e palestrante. Formado em Administração pela Universidade Paulista e especializado em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas.

Ver página do autor
Vista aérea de um navio cargueiro com contêineres coloridos e um guindaste de carga em operação sobre o mar.
Imagem: Reprodução.

Classificar mercadorias pode parecer uma tarefa burocrática comum, mas basta um único dígito errado no código para transformar uma operação de importação em uma grande dor de cabeça com multas e atrasos alfandegários.

A NCM para importação é um código de oito dígitos que determina todas as taxas, impostos e regulamentações que incidem sobre produtos que entram no Brasil, sendo indispensável para qualquer empresa que deseja importar de forma legal e evitar problemas com a Receita Federal.

Por que a NCM para importação é crucial?

A NCM para importação atua como base para o cálculo dos tributos que incidem sobre as mercadorias. O código determina as alíquotas específicas do Imposto de Importação (II), IPI, PIS, COFINS e ICMS que serão aplicadas na operação. Cada dígito da nomenclatura direciona a aplicação correta dos impostos.

Além da questão tributária, a NCM define o tratamento administrativo necessário para cada produto. Conforme o código registrado, pode ser obrigatória a obtenção de Licença de Importação (LI) ou a anuência de órgãos reguladores como ANVISA, INMETRO, MAPA ou Decex. Sem essas autorizações, a mercadoria permanece retida na alfândega.

O uso incorreto do código gera penalidades. A classificação errada pode resultar em multas, retenção da carga ou necessidade de pagamento retroativo de impostos com juros e correções.

A NCM também padroniza as informações prestadas nos documentos de comércio exterior. Na DUIMP (Declaração Única de Importação) e no Catálogo de Produtos, o código acompanha atributos específicos que identificam características técnicas da mercadoria.

Estrutura do código NCM para importação

Vista panorâmica de um navio cargueiro azul sendo manobrado por rebocadores em um porto movimentado, com grandes guindastes amarelos e brancos e milhares de contêineres ao fundo.
Imagem: Reprodução.

O código NCM funciona como um sistema progressivo de oito dígitos, e cada par representa um nível diferente de especificação do produto. Os primeiros seis dígitos seguem o padrão internacional do Sistema Harmonizado, enquanto os dois últimos são determinados exclusivamente pelos países do Mercosul. Saiba mais a seguir.

Capítulo (2 primeiros dígitos): categoria geral

Os dois primeiros dígitos do código NCM identificam o capítulo onde a mercadoria se enquadra, representando sua categoria mais ampla. Esses capítulos estão organizados de forma lógica, começando pelos produtos menos elaborados até itens mais complexos.

Para quem trabalha com NCM para importação, entender essa divisão básica permite localizar produtos na tabela. No caso de peças automotivas, por exemplo, o ponto de partida geralmente é o capítulo 87, que reúne veículos automóveis e seus componentes. Dentro dele, a posição 8708 concentra diversas partes e acessórios de veículos, como freios, amortecedores e rodas.

Posição (4 dígitos): desdobramento da categoria

Vista lateral de um navio cargueiro azul atracado, com contêineres empilhados no convés e grandes guindastes portuários (um azul e outro amarelo) operando sob um céu claro.
Imagem: Reprodução.

A posição, formada pelos quatro primeiros dígitos, traz um desdobramento mais específico dentro de cada capítulo. Nesse nível, os produtos começam a se diferenciar com base em características importantes como origem, composição ou função.

Quando alguém utiliza NCM para importação, precisa estar atento a essas nuances, já que um erro na posição pode resultar em tributação incorreta.

Para ilustrar, na importação de equipamentos fitness, esses itens costumam ser classificados no capítulo 95, que reúne artigos para esporte e lazer. Dentro dele, a posição 9506 abrange artigos e equipamentos para cultura física, ginástica e outros esportes.

Subposição (6 dígitos): detalhamento internacional

A subposição corresponde aos seis primeiros dígitos e representa o último nível de classificação regido internacionalmente pelo Sistema Harmonizado. Aqui, o produto recebe detalhamentos ainda mais precisos relacionados a material, uso específico ou processo de fabricação. É nesse ponto que termina a padronização mundial e onde todos os países signatários da convenção seguem o mesmo código.

Para que você entenda, um equipamento CNC pode ser classificado inicialmente na posição 8458, que reúne tornos e centros de torneamento para metais. Ao avançar para a subposição 8458.11, por exemplo, o sistema já diferencia tornos de comando numérico.

Item e subitem (7º e 8º dígitos): especificações exclusivas do Mercosul

Vista da popa de um navio cargueiro azul atracado ao lado de grandes guindastes portuários laranjas, com destaque para as altas pilhas de contêineres coloridos e uma cidade ao fundo.
Imagem: Reprodução.

Os dois últimos dígitos do código NCM representam o item (7º dígito) e o subitem (8º dígito), criados especificamente pelos países do Mercosul para atender às necessidades regionais de classificação.

Esses dígitos podem variar entre diferentes blocos econômicos, mesmo quando os seis primeiros são idênticos. Na prática, essa especificação regional permite um controle mais refinado sobre produtos que demandam atenção particular em termos de políticas comerciais ou tributárias no âmbito do Mercosul.

Um exemplo pode ser observado em peças automotivas. A posição 8708 abrange partes e acessórios de veículos automóveis, enquanto a subposição 8708.29 reúne outras partes de carroceria. A partir daí, o Mercosul adiciona novos dígitos para detalhar ainda mais o produto. Assim, o código 8708.29.14, por exemplo, identifica especificamente painéis de instrumentos de veículos.

Conclusão: qual a importância da NCM para importação?

A escolha correta do NCM para importação representa um passo que não pode ser negligenciado nas operações de comércio exterior, visto que impacta a tributação, o desembaraço aduaneiro e a conformidade legal das empresas.

Além disso, manter-se atualizado sobre as mudanças na tabela NCM permite que as empresas ajustem suas estratégias e mantenham a competitividade no mercado. A correta classificação fiscal se torna uma vantagem operacional que agiliza processos e reduz custos.