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CX integrado: quando o atendimento vira estratégia

Por: Danilo Luta

Diretor de Operações na Social Digital Commerce

Diretor de Operações na Social Digital Commerce, especialista Digital Commerce. Com mais de 15 anos de experiência em gestão empresarial, lidera frentes que integram logística, sucesso do cliente, processos e qualidade, com foco em eficiência operacional, inovação e experiência de ponta a ponta. Tem formação em Publicidade, gestão financeira e investimento, qualidade (Six Sigma Green Belt) e metodologias ágeis. Atua de forma estratégica no desenvolvimento de soluções que conectam operação e negócio nos canais digitais

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A integração entre SAC, logística e dados como diferencial competitivo

Via de regra, o consumidor que compra em um canal digital, seja em um marketplace ou no e-commerce de uma marca, não faz ideia de tudo o que acontece logo após concluir o clique no botão “comprar” e receber a mensagem mágica de que “seu pagamento foi aprovado”.

A partir desse momento, uma complexa cadeia de processos é acionada: diferentes áreas, muitas pessoas envolvidas e uma tecnologia robusta trabalhando em conjunto para que o produto chegue até a casa do cliente no prazo escolhido – hoje, muitas vezes em poucas horas após a compra.

O ponto é que, como citei no início, “via de regra” o consumidor não sabe o que acontece após o clique. Porém, alguns acabam conhecendo um pouco desse bastidor. Normalmente, são aqueles que por algum motivo precisaram entrar em contato com o time de atendimento do canal em que compraram – seja porque algo não saiu como o esperado, por necessidade de alterar o pedido ou por inúmeros outros motivos que levam o cliente a buscar o time de Customer Experience (CX).

E, nesse contato, tudo o que não pode acontecer é o consumidor receber uma resposta vazia. Independentemente do porte da companhia, o time de CX precisa ter condições de ser resolutivo já no primeiro atendimento (first call resolution – FCR). O desafio é que, quanto mais robusta a operação, mais difícil se torna manter o FCR em níveis de excelência.

Mais do que atender a chamados, o CX é a linha de frente que captura a voz do consumidor. Cada interação traz informações valiosas sobre dores, expectativas e comportamentos. Isolados, esses dados têm valor limitado, mas quando integrados a áreas como logística, tecnologia, CS e comercial, transformam-se em insumos estratégicos para decisões de negócio.

Dados integrados: o poder do Data Lake

Uma operação verdadeiramente orientada ao cliente precisa tratar dados como um ativo estratégico. Ao concentrar todas as informações em um Data Lake, torna-se possível cruzar dados de atendimento com indicadores logísticos e operacionais. Isso revela padrões que, de forma isolada, seriam invisíveis.

Exemplos práticos incluem:

– Identificação precoce de gargalos logísticos a partir do aumento de chamados;

– Redução de custos com transportes e devoluções, combinando análises de CX + supply chain;

– Melhoria da taxa de recompra, alinhando feedback do consumidor com ajustes rápidos na operação;

– Maior autonomia para o time de atendimento oferecer respostas assertivas, sem depender do SLA de múltiplas áreas internas.

Esse uso inteligente dos dados reforça que o CX não é custo, é investimento estratégico em inteligência e competitividade.

Do clique à entrega: CX como elo da jornada

Um atraso logístico, uma falha no picking ou uma divergência de estoque não são apenas incidentes operacionais, são experiências negativas para o cliente. Para evitá-las, o CX precisa estar conectado ponta a ponta:

– No planejamento: compartilhando insights que ajudam a calibrar previsões de demanda.

– Na operação: sinalizando em tempo real os pontos críticos que afetam entregas.

– Na estratégia: trazendo a perspectiva do consumidor para a mesa de decisão.

Assim, o CX deixa de ser apenas o “resolvedor de problemas” e passa a atuar como agente de prevenção e melhoria contínua.

Integrar o CX à logística, tecnologia e demais áreas é criar uma engrenagem única, em que a voz do consumidor orienta eficiência, inovação e decisões estratégicas.

Em um mercado cada vez mais competitivo, essa integração diferencia marcas que apenas vendem daquelas que constroem relacionamentos duradouros e sustentáveis.

O futuro do digital commerce não será das operações apenas mais rápidas, mas das que entregarem experiências consistentes, previsíveis e encantadoras. E isso passa, inevitavelmente, por um CX integrado.