Vender mais em 2026 passa por usar bem os novos canais de venda e ter um plano de marketing e vendas claro. Temu e TikTok Shop chegaram para se somar a gigantes como Shopee, Mercado Livre e Amazon, ampliando o leque de oportunidades para pequenos e médios negócios.

O ano será desafiador. Teremos eleições e Copa do Mundo, que dividem a atenção do consumidor, mas também abrem janelas importantes de consumo e com um cliente mais digital e exigente: 75% já compram pelo celular e 14% dizem ser influenciados pela inteligência artificial em suas decisões de compra, de acordo com uma pesquisa recente da Tray. É nesse cenário, com mais canais, competição e tecnologia, que o lojista precisa organizar a casa para crescer.
Planejamento de marketing e vendas: o que precisa estar no papel
Negócios que crescem de forma consistente sabem aonde querem chegar antes de apertar o botão “publicar”. Um bom plano de marketing e vendas para 2026 deve responder, de forma objetiva, a: o que vender e com quais metas de faturamento e margem; se o foco será aumentar ticket médio, recorrência ou abrir novos canais como Temu e TikTok Shop; qual é o perfil atual de cliente e quais novos públicos se deseja atingir; e quanto será investido em marketing por mês e em quais períodos faz sentido acelerar (Dia do Consumidor, Dia das Mães, Black Friday, Copa e calendário próprio da marca).
Com isso definido, o calendário deixa de ser apenas uma lista de datas e vira roteiro: cada ação com objetivo, canal, verba, meta de vendas e margem mínima. Isso evita o cenário comum nas PMEs em que a campanha é lançada só porque “a data chegou”, sem conexão com uma estratégia maior.
Enxergar os marketplaces como laboratórios diferentes
Cada marketplace tem suas regras, público e dinâmica. O que funciona em um pode não performar em outro. Em Temu e Shopee, faz sentido testar produtos de entrada com forte apelo de preço e variedade, participar de campanhas como 11/11 e 12/12 e observar rapidamente quais itens ganham tração.
No TikTok Shop, o jogo é mais visual: produtos que “se explicam” em vídeo curto ou live, com bom storytelling, tendem a performar melhor, especialmente quando há conteúdo recorrente. Já em canais como Mercado Livre, Magalu e Amazon, é necessário estar bem posicionado em buscas amplas e manter nível de serviço alto para preservar reputação.
Para navegar tudo isso, contar com uma plataforma de e-commerce integrada aos marketplaces é decisivo, pois permite acompanhar o desempenho de todos os canais em um único painel, facilitando a comparação de resultados, realocação de esforços e corte de campanhas que não estão performando bem.
Estoque e frete como parte da estratégia
Quando estoque e frete estão alinhados ao plano, cada campanha tem mais chance de ser lucrativa e não apenas “gerar movimento”. O lojista precisa avaliar histórico de vendas, sazonalidade e canais para planejar compras e negociar com fornecedores a fim de evitar falta de produtos, atraso em entregas ou mesmo encalhe.
No frete, o erro clássico é o “frete grátis para tudo”. Em PMEs, isso costuma corroer a margem com rapidez. Hoje a logística é parte da experiência do cliente, e na conclusão da compra contam vários fatores: valor, prazo, rastreio e um bom atendimento, em caso de algum problema com o produto ainda no seu processo de envio ao cliente.
Por isso, em vez de oferecer frete grátis, vale investir em um valor mínimo de pedido para liberar frete promocional, pois isso contribui para o aumento do ticket médio. Também é possível adotar condições diferenciadas por região e canal de venda e utilizar fretes mais agressivos em campanhas de aquisição, compensando depois em recorrência e ticket médio.
Automação e inteligência artificial para destravar tempo
Com mais canais, campanhas e oportunidades, cresce o risco de o lojista ficar preso em tarefas manuais. Automação e inteligência artificial entram para liberar tempo e permitir que a PME pense mais em estratégia.
Com plataformas de e-commerce, é possível centralizar pedidos de marketplaces, social commerce e loja própria em um único painel; integrar com ERPs para sincronizar estoque e financeiro; emitir notas fiscais e etiquetas em lote; recuperar carrinhos abandonados com fluxos automáticos por e-mail e WhatsApp; e usar aplicativos como Enviou ou Sak para monitorar “quase clientes” e disparar mensagens personalizadas.
A IA já está presente tanto no comportamento do consumidor quanto nas ferramentas disponíveis. Ela ajuda a testar variações de anúncios, melhorar descrições de produtos, montar segmentações básicas e entender padrões de abandono de carrinho com base nos dados da própria loja. Quanto mais essas rotinas são automatizadas, mais o empreendedor consegue focar em decisão de portfólio, preço e posicionamento.
Gestão, margem e planejamento como rotina
No fim, tudo volta à gestão. Operar loja própria e grandes marketplaces só faz sentido se o lojista sabe onde ganha e onde perde dinheiro. Alguns indicadores que deveriam entrar na rotina: margem por canal, ticket médio e taxa de recompra, custo por pedido, prazo médio de entrega e o impacto de promoções e políticas de frete no resultado final. É aqui que o planejamento deixa de ser um documento produzido em dezembro e vira processo contínuo: rever mensalmente o que foi feito, comparar com o plano, aprender com erros e acertos e ajustar a rota.
Concluindo, o início de ano traz desafios para quem quer crescer no varejo – segmento dinâmico e sensível às volatilidades da economia. No e-commerce, podemos surfar em previsões promissoras: ultrapassaremos os 100 milhões de compradores online no país, segundo a ABComm, ou seja, há espaço para fazer as vendas crescer. Mas só avança quem planeja com antecedência e adota tecnologias que permitam automações e ganho de tempo para desempenhar estratégias para escalar o negócio.