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2026 será o ano da maturidade: a creator economy entra na fase da responsabilidade, da profissionalização e do pertencimento

Por: Luiz Menezes

Luiz Menezes é Linkedin Top Voice e atua como creator, empresário e apresentador. Em 2021 criou a Trope-se, consultoria de novas gerações que conecta marcas à Gen Z e Gen Alpha por meio de insights antropológicos, ajudando empresas a se tornarem relevantes na cultura digital. A empresa atua como o braço da Geração Z das marcas e conta com o InstitutoZ, núcleo pioneiro de pesquisa sobre comportamento e consumo dessas gerações, atendendo clientes como Meta, Google, Itaú, BRF, Mondelez, P&G e Oi, também fundado por ele.

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A creator economy brasileira chega a 2026 menos fascinada pelo brilho dos virais e mais preocupada com a solidez das relações, a sustentabilidade das carreiras e o impacto real que exerce sobre cultura e consumo. As pessoas que compõem esse mercado, ainda apegadas às métricas de vaidade, velocidade de postar, engajar, repetir, agora se encontram em uma virada que reorganiza prioridades: ética, bem-estar e método passam a pesar mais do que hype.

Mulher escreve à mesa enquanto notebook exibe ícones; ao lado, câmera e objetos de trabalho.
Imagem gerada por IA.

Saúde mental, tecnologia e profissionalização mudam a creator economy

Nesse cenário, três forças moldam o novo ciclo: saúde mental, tecnologia e profissionalização. A pressão por relevância, a competição por atenção e a rotina de múltiplas entregas cobram um preço alto. Segundo o estudo “Creator Economy Predictions 2026” do InstitutoZ, da Trope-se, 43% dos entrevistados afirmam não haver equilíbrio entre criação e saúde mental. E o problema é maior: 63% dos criadores que trabalham exclusivamente com conteúdo já tiveram burnout (ConveKit, 2021), enquanto os afastamentos por burnout no Brasil cresceram 1000% em 2023 (Anamt). A creator economy viveu muito tempo como uma maratona sem linha de chegada. Agora, 2026 aponta para modelos de trabalho mais sustentáveis, com limites mais claros e relações mais maduras.

A segunda força é a tecnologia. A inteligência artificial, antes vista com desconfiança, agora aparece como divisor de águas. O creator que souber usar IA para ampliar produtividade, personalizar entregas e interpretar comportamento terá vantagem clara sobre quem ainda a enxerga como ameaça. Em 2026, IA não substitui criatividade, mas multiplica alcance, velocidade e capacidade analítica. Ignorá-la deixou de ser resistência: virou limitação estratégica.

Com base na observação cultural de fenômenos sociais, feita pelo estudo do InstitutoZ da Trope-se com profissionais da creator economy, e eventos de marketing de influência, pude ter um parâmetro desse contexto. Foram ouvidos mais de 110 participantes, creators (35%), profissionais de marca (26%) e de agência (15%), e ficou evidente que o mercado se vê diante de uma encruzilhada: seguir acelerando sem estrutura ou ajustar o ritmo para garantir longevidade. O que apareceu com força nas conversas foi menos “qual é a próxima trend?” e mais “como continuamos existindo daqui a cinco anos?”.

A virada para profissionalização e cuidado com carreira

Essa pergunta abre caminho para a terceira força: a profissionalização do trabalho criativo. O tempo do improviso acabou. Criadores precisam entender contratos, métricas, direitos, faturamento, limites éticos e dinâmica de comunidade. Não por acaso, 53% dos participantes consideraram a profissionalização o tema mais relevante. Em 2026, o creator competitivo será aquele que age como empresa: que documenta, organiza, planeja e estabelece relações saudáveis com marcas, plataformas e equipes.

Desses movimentos surgem as tendências que devem definir o próximo ano. A primeira é a regionalização como potência cultural, com o fortalecimento do sotaque, da identidade e da narrativa local como diferencial real, não como artifício. O Brasil está cansado de conteúdos genéricos. O novo ciclo valoriza profundidade, pertencimento e raízes.

A segunda é a criação orientada por dados: não para substituir intuição, mas para qualificar decisões. Dados deixam de ser números e passam a ser linguagem criativa.

A terceira é a responsabilidade na checagem de informações. Em tempos de IA generativa, a confiança será o ativo mais disputado do mercado. Creators que tratam informação como infraestrutura, e não como mercadoria, ganharão vantagem competitiva.

Por fim, 2026 consolida a ascensão dos nichos de criação, em que relevância é construída não por audiência massiva, mas por vínculo profundo. O algoritmo pode entregar alcance; comunidade é o que entrega relação de confiança. Se antes a creator economy era o território do improviso e da velocidade, agora ela se torna o espaço da consistência e da consciência. 2026 será o ano em que o mercado deixará claro: influência não é sobre falar com todos, o tempo todo, é sobre falar certo, com profundidade e responsabilidade. É assim que a indústria cresce. É assim que ela dura.