Às vésperas de completar seu centenário, a Teka anuncia a abertura de seu e-commerce próprio como parte da estratégia de consolidação da marca no ambiente digital. Após a crise financeira iniciada em 2012 e falência em 2025, a empresa adotou um plano de reestruturação que inclui investimentos nos parques industriais, lançamento do e-commerce, abertura de novas lojas físicas e a criação de um Centro de Distribuição.

Em 2026, a Teka projeta um crescimento 44% superior ao registrado no ano passado, passando de R$ 500 milhões de faturamento em 2025 para R$ 720 milhões neste ano.
Inicialmente, a empresa projeta faturar R$ 30 milhões com as operações do comércio eletrônico. Ainda muito tímido, afirma Angelo Guerra Netto, integrante do comitê de reestruturação da Teka. Segundo ele, o valor representa “nem 5% do faturamento total da empresa. Iremos trabalhar para que o e-commerce tenha uma representatividade próxima de 15% do negócio ao longo dos próximos três anos”.
Previsto para atender tanto o público final quanto o B2B, o projeto pretende oferecer produtos diferentes nos canais próprios, justamente para não concorrer com os clientes varejistas. A precificação também foi estruturada para evitar canibalização. “O mercado já está muito competitivo com os importados hoje, e a gente tem trabalhado com uma margem muito pequena, assim como toda a cadeia, inclusive o varejo final”, destaca Ângelo.
Entre as novidades, Ângelo também mencionou a criação de uma nova linha de produtos. A Teka by Teka, como será batizada, ainda não tem data prevista de lançamento, mas será dedicada aos públicos A e B.
Celebrando o recomeço
Dividido em dois momentos, o e-commerce vai atender primeiro o consumidor final. Na segunda fase, prevista para o fim da 1ª quinzena de março, a empresa avança no B2B. Nesse formato, quem é Pessoa Jurídica (PJ) pode acessar diretamente o site com seu próprio código, visualizar a tabela de preços correspondente e realizar pedidos fracionados.
Ângelo comenta que, com maior atuação no varejo, os representantes passaram a visitar todas as cidades dos estados em que atuam. As vendas digitais devem auxiliar no atendimento às lojas de menor porte. Além disso, há um centro de distribuição no entorno de São Paulo em preparação para descentralizar as operações logísticas do e-commerce atualmente concentradas em Navegantes (SC).
Em dezembro, a empresa iniciou as operações no Outlet Premium da cidade de Itupeva, em São Paulo. A partir de abril, quem passar pelo local verá embalagens atualizadas com QR Code para acessar ofertas e a página da Teka nas redes sociais.
A estratégia dialoga com as exigências de consumidores cada vez mais digitalizados. Com lançamentos nos canais digitais e a contratação de um time especializado, Ângelo ressalta que a empresa iniciou um trabalho de conteúdo mais amplo do que realizava até pouco tempo atrás, embora ainda tímido diante do que pretende alcançar.
O mercado externo de volta à mira
Utilizada em hotéis de alto padrão, como o Fasano, Palácio Tangará e Copacabana Palace, a Teka utiliza a hotelaria como porta de entrada para o mercado externo. Em 2008, 17% da receita da empresa catarinense vinha das vendas aos Estados Unidos e a países da América Latina, Europa e Ásia. Sobre o tema, Angelo afirma que a área internacional ficou “adormecida” por algum tempo.
No entanto, há a intenção de retomar esse mercado na esteira do segmento hoteleiro. “Temos feito um trabalho de divulgação com redes hoteleiras no Caribe, América Central, América do Sul e México”, acrescenta. Além disso, a Argentina segue como maior mercado consumidor da marca na América Latina; a empresa voltou a atender timidamente a Europa e tem realizado vendas para os Estados Unidos. “Estamos trabalhando para atender o Oeste da África”, menciona Ângelo.
O processo envolve o desenvolvimento de produtos com características específicas para essas demandas. Para isso, a companhia destinará R$ 50 milhões à modernização dos parques fabris em Blumenau (SC) e Artur Nogueira (SP).
Apesar do ânimo, a fabricante permanece atenta às barreiras tarifárias. O executivo também demonstra expectativa quanto ao avanço do acordo Mercosul–União Europeia (UE), “porque estaremos falando do segundo maior mercado consumidor do mundo”.
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