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Dark web opera como mercado estruturado de fraudes, diz estudo

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

A LexisNexis Risk Solutions divulgou um novo relatório sobre a atuação de cibercriminosos na dark web. O estudo, intitulado Global State of Fraud and Identity Report 2026, integra a edição 2025 do levantamento anual Global State of Fraud e foi baseado em pesquisa exclusiva conduzida ao longo do ano.

(Imagem: Envato)

O material aponta que a dark web segue funcionando como infraestrutura para crimes em escala, facilitando o acesso a ferramentas e informações para fraudes financeiras, mesmo por usuários com conhecimentos técnicos básicos.

Mercado estruturado e reposição constante

Segundo o relatório, marketplaces ilegais continuam sendo fechados por autoridades regulatórias e policiais, mas rapidamente são substituídos por novas plataformas. A dinâmica mantém a oferta ativa de dados, contas prontas para fraude e dispositivos capazes de superar verificações básicas de segurança.

Entre os produtos ofertados estão contas de e-mail existentes, credenciais bancárias com verificação de identidade já concluída e tutoriais em vídeo ensinando como aplicar golpes.

De acordo com Kimberly Sutherland, diretora global de fraude e identidade da empresa, o ambiente funciona como uma estrutura organizada de comercialização de fraudes, com distribuição de conhecimento e ferramentas.

IA cria barreiras para fraudadores

O relatório também identifica um movimento de frustração entre criminosos diante de sistemas de detecção baseados em inteligência artificial. Bancos e instituições financeiras vêm adotando tecnologias capazes de analisar fluxo sanguíneo e micromovimentos faciais para detectar deepfakes.

Em fóruns monitorados, usuários relatam dificuldades para contornar essas barreiras tecnológicas. Ainda assim, há discussões sobre tentativas de evasão, como uso de máscaras de látex.

Segundo o estudo, mecanismos como prova de vida em tempo real, análise comportamental de conta, verificação de dispositivos e validação de telefone e e-mail estão entre os controles mais difíceis de burlar.

Risco também dentro da dark web

Apesar de operar fora do alcance tradicional das autoridades, a dark web também apresenta riscos para os próprios criminosos. O levantamento destaca a ocorrência frequente de “golpes de saída”, quando administradores encerram marketplaces e desaparecem com os recursos dos usuários.

Como resposta, alguns ambientes passaram a adotar mecanismos internos para demonstrar legitimidade, como bloqueio de vendedores suspeitos e restrições a determinados produtos. O estudo ainda aponta o surgimento de versões alternativas desses marketplaces em redes sociais abertas.