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Cartão private label ou co-branded: vale a pena para o meu negócio?

Por: Letícia Fernandes

É pós-graduanda em Branding pela ESPM-SP e bacharel em Jornalismo pela UFJF. Atualmente, é responsável pelo Marketing Institucional do Pagar.me, com mais de 4 anos de experiência em marketing para negócios B2B.

O cartão de crédito já é parte da vida e da organização financeira dos lares brasileiros, sendo um recurso importante para a aquisição de bens duráveis e produtos de ticket médio mais elevado, graças à possibilidade de parcelamento.

Prova disso é o crescimento de sua adesão no país. Segundo um levantamento do Banco Central, o número de brasileiros que utilizam cartões de crédito cresceu 30,9% entre 2019 e 2022.

Do ponto de vista dos empreendimentos, o cartão de crédito é uma forma de pagamento absolutamente importante de ser ofertada, principalmente com condições de parcelamento sem juros.

Mas será que o cartão é apenas um meio de receber pelos produtos adquiridos?

Cartões de crédito private label e co-branded são soluções exclusivas que funcionam como uma maneira de incrementar serviços ao seu negócio e aumentar o reconhecimento de marca e a fidelização dos clientes.

Quer saber como funciona isso na prática e se é indicado para o seu negócio? Leia o artigo até o final!

O que é cartão private label?

O cartão private label é um tipo de cartão de crédito com bandeira própria. Sendo assim, só pode ser usado na rede de estabelecimentos que o oferece.

Esse cartão foi criado como uma ferramenta alternativa ao crediário – os antigos carnês que possibilitavam a compra a prazo -, mas seus benefícios e funcionalidades não se limitam a isso, como falaremos mais adiante.

A nível técnico e operacional, o cartão private label funciona por meio de um arranjo de pagamento fechado. Ou seja, o próprio estabelecimento que oferece o cartão faz o papel de adquirente, bandeira e emissor, não dependendo de players terceiros.

Esse tipo de arranjo reduz os custos de operação, já que não é preciso pagar o fee desses agentes. No entanto, todo o risco da inadimplência é de responsabilidade do próprio estabelecimento, incluindo as adequações regulatórias para atuar em compliance com o Banco Central e regras para operar dados sensíveis de pagamentos.

E qual a diferença para o co-branded?

O cartão de crédito co-branded traz uma importante diferença para a modalidade anterior: é um cartão de crédito de uma marca específica, mas é bandeirado.

Isso significa que pode ser utilizado em uma ampla gama de estabelecimentos que aceitam, via maquininha de cartão ou meio de pagamento digital, a bandeira em questão.

Além disso, o estabelecimento não tem os riscos e nem a necessidade de se adequar ao mercado de pagamentos. Isso porque o cartão co-branded funciona como uma solução white label – é envelopado com a marca do lojista, mas opera com players terceiros por trás.

Quais as vantagens de ter um cartão próprio da marca?

Tanto o cartão private label como o co-branded são recursos interessantes para expandir a oferta de produtos para os clientes, incrementando serviços financeiros no negócio.

Essa é uma forte tendência para os próximos anos, conhecida como fintechização, movimento que já vem sendo feito por players gigantes do Brasil, como é o caso do Magalu.

Algumas outras vantagens desse tipo de cartão são:

Reconhecimento de marca

Ter um cartão – com um serviço importante agregado – estampando a sua marca é uma maneira eficaz de amplificar o reconhecimento da empresa.

No caso dos cartões co-branded, que ainda podem ser utilizados em outros estabelecimentos, inclusive internacionalmente, esse fortalecimento de marca é ainda maior.

Rentabilização com serviços de crédito

O cartão de crédito próprio é uma maneira de agregar novos serviços na sua loja, trazendo uma maior rentabilidade para o negócio com taxas, juros, anuidade e oferta de crédito.

Mais comodidade para os clientes

Com um cartão de crédito próprio, é possível viabilizar maiores comodidades aos clientes, como um percentual de desconto sobre as compras ou opções maiores de parcelamento.

Fidelização

O cartão próprio do estabelecimento contribui fortemente para a fidelização e recompra dos consumidores. Afinal, por terem benefícios exclusivos, os clientes dão preferência para fazer compras na loja em que possuem o cartão, tornando suas compras recorrentes.

Como viabilizar esse tipo de cartão?

O cartão private label é um tipo de serviço que requer uma estrutura maior do lojista. Afinal, é preciso bancarizar as suas operações e se adequar às questões regulatórias, criando uma bandeira própria e todo o sistema para viabilizar esses cartões, desde a emissão do plástico às linhas de crédito e cobrança de inadimplência.

Já o cartão co-branded é mais simples de ser colocado em prática, bastando a integração com uma bandeira e demais players para viabilizar a aceitação dele mesmo. Mas toda essa comodidade também tem o seu preço, com taxas maiores para estruturar esse modelo de negócio.

Com seus ônus e bônus, ambos os cartões são boas opções para expandir o leque de serviços e encontrar novas formas de rentabilização do negócio, em um ramo de atuação que está muito em alta e tem tudo para crescer no Brasil nos próximos anos.

Até 2030, é esperada uma expansão de receita de até US$ 1,5 trilhão com a fintechização de negócios, segundo o Boston Consulting Group e a QED Investors. Já na América Latina, o crescimento anual desse serviço está estimado em 29%, tendo como líderes de mercado o Brasil e o México.

Assim, se você quer começar 2024 expandindo o seu negócio de uma maneira rentável, ter um cartão private label ou co-branded pode ser uma excelente estratégia.