A apresentação de Bad Bunny no Super Bowl de 2026 expôs algo que muitas empresas ainda resistem a admitir: não é falta de orçamento que limita crescimento, é falta de relevância cultural. Em um ambiente de mídia fragmentada, no qual a atenção se tornou o ativo mais disputado da economia, insistir apenas na lógica da compra de espaço publicitário é uma estratégia cada vez mais insuficiente. O que o intervalo da final mostrou não foi apenas força de audiência, mas a diferença entre aparecer e realmente significar algo para o público.

Os números ajudam a dimensionar o cenário. Segundo medições da Nielsen, a final costuma ultrapassar 120 milhões de espectadores somando televisão e streaming. Ao mesmo tempo, anúncios de 30 segundos atingiram valores médios próximos a US$ 8 milhões, podendo chegar a US$ 10 milhões em posições premium, conforme divulgado pela emissora detentora dos direitos de transmissão da NFL. Trata-se do espaço publicitário mais caro da televisão mundial. Ainda assim, o que realmente movimentou conversas globais não foi apenas a presença das marcas, mas o impacto cultural do espetáculo.
O custo da atenção e o valor da conexão
Esse ponto é central. O Super Bowl funciona como um raro momento de convergência coletiva em um ecossistema pulverizado. Esporte, entretenimento e identidade se encontram em um mesmo palco. Quando um artista com forte carga simbólica ocupa esse espaço, a repercussão extrapola a audiência linear e se transforma em debate público, compartilhamento e posicionamento. É nesse ambiente que marcas disputam não apenas visibilidade, mas associação cultural.
A lógica, até certo ponto, continua sendo alcance e frequência, e grandes investimentos ainda garantem vantagem competitiva. O problema está no alcance sem conexão, resultando em uma lembrança frágil. A economia atual premia quem participa de movimentos culturais que já mobilizam atenção orgânica. Interromper o público custa caro e gera dispersão. Inserir-se em narrativas com significado orgânico gera pertencimento.
Crescimento exige leitura cultural
O aprendizado não é copiar o Super Bowl nem buscar megaeventos internacionais. É compreender que crescimento sustentável exige leitura profunda do contexto cultural do próprio público. Marcas que continuam operando apenas com métricas de exposição ignoram que relevância hoje nasce da capacidade de dialogar com identidades e valores em circulação.
O intervalo de 2026 não foi apenas entretenimento. Foi um recado claro ao mercado. Quem entende que atenção é construída dentro da cultura amplia suas chances de crescimento. Quem insiste apenas em comprar espaço corre o risco de continuar falando sozinho, mesmo diante de milhões de espectadores.