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A crise logística tem solução?

Por: Gilson Chequeto

Gilson Chequeto é cofundador e CEO da Lincros Tecnologia S/A, logtech com mais de 200 clientes nacionais e internacionais. Graduado em Ciência da Computação pela FURB, há 23 anos atua com Tecnologia da Informação, somando experiências de áreas técnicas como desenvolvedor e analista de sistemas.

As dificuldades apresentadas pela cadeia de suprimentos nos últimos anos se tornaram cada vez mais reais e desafiadoras. À medida que um novo ano se apresenta, novos imprevistos podem aparecer. Pensando nisso, é necessário que líderes do setor logístico prevejam uma extensão da crise no segmento e aprendam a conviver com ela.

Em caráter de exemplo, podemos dizer que as consequências logísticas provocadas pela pandemia da Covid-19 ainda não foram completamente superadas, ao passo que novos desdobramentos são apresentados em ciclos. Também é difícil prever o quanto ainda teremos de impacto com relação às tensões geopolíticas e guerras comerciais, que também geram desafios e consequências ao setor, tudo isso atrelado às oscilações dos preços dos combustíveis e dos alimentos. Existe uma preocupação cada vez maior das empresas em garantir uma cadeia de suprimentos atenta aos impactos ao meio ambiente e cumpridora da agenda ESG.

A pandemia acabou provocando uma crise na logística nos últimos anos. Para mitigar a situação, o setor tem adotado novas tecnologias.

Mesmo assim, esses problemas não são mais novidades e, muito menos, um termo que faça o mercado relaxar durante a crise. Os consumidores estão mais exigentes do que nunca, e satisfazê-los se tornou ainda mais um diferencial competitivo. Em resumo: o fluxo “normal”, certamente, nunca será alcançado.

A verdade é que a noção de normalidade se tornou obsoleta nos últimos anos, com as mudanças que alteraram a política e a realidade socioeconômica que estavam estabelecidas. E enfrentaremos mais das mudanças climáticas que colocam o comércio global em desordem, ou pelo menos em algum estado imprevisível.

Quais são os próximos passos?

Mesmo que pareça assustador, os próximos passos são os mais importantes e, além de abrir portas para um futuro inovador, que vai do varejista até o consumidor final, podemos nos preparar para a latente inconstância.

Um dos desdobramentos mais interessantes da recente crise logística foi a adoção de novas tecnologias. Segundo a MHI e a Deloitte, quase 80% dos diretores de logstica globais investiram na digitalização em resposta à crise iniciada pela pandemia. Na busca por manter a alta produtividade, com equipes enxutas, relatórios recentes indicam que o mercado de terceirização de processos de negócios, que já está crescendo rapidamente, deve atingir novos patamares nos próximos anos.

A tecnologia e a análise avançada estão permitindo que as empresas que usam o BPO, Business Process Outsourcing, forneçam soluções inteligentes para questões mais complexas, conversando diretamente com dificuldades enfrentadas por empresas que precisam de capital para outras áreas.

Nesse sentido, o BPO pode ser a melhor opção quando se busca por um trabalho mais especializado e com alto nível de excelência na execução de tarefas administrativas e burocráticas, e que possa proporcionar uma redução ainda maior de custos e alta na produtividade.

Podemos pensar que todas as organizações são impactadas por fatores como o estado da economia, mudanças na tecnologia e a dinâmica de uma determinada região geográfica ou mercado. Elas precisam se concentrar em melhorar a agilidade dos negócios para sobreviver às dinâmicas em constante mudança. E a agilidade nos negócios é a capacidade de prosperar e competir na era digital, simplificando processos e atendendo às demandas do consumidor moderno.

Ao fornecer acesso a novas tecnologias e habilidades, permitimos que as organizações desenvolvam novos produtos ou serviços complementares ao negócio principal e com potencial para atrair seus clientes e se preparar, cada vez mais, para as mudanças inesperadas que o mundo nos traz diariamente.

A principal ideia é construir situações e estruturas capazes não apenas de sobreviver às crises, mas de prosperar apesar delas.