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Por que os smart lockers chegaram para ficar?

Por: Gustavo Artuzo

Gustavo Artuzo é o diretor executivo da Clique Retire, empresa inovadora de logística para o <nowrap>e-commerce</nowrap>. Antes disso, foi diretor de desenvolvimento de negócios no fundo de private equity Patria Investimentos, além de CFO na Delly’s, empresa líder em distribuição para food service. Tem também experiências relevantes no setor de real estate, atuando na Cyrela, Direcional Engenharia e Cury Construtora. Gustavo é engenheiro formado pelo ITA, com MBA pela Wharton School.

Eles estão nos shopping centers, nas estações de metrô, nos condomínios residenciais, em postos de gasolina, hipermercados e em tantos outros locais dos mais diversos. Os smart lockers (armários inteligentes) ou e-Boxes definitivamente caíram no gosto de varejistas, indústrias e consumidores, em todo o mundo. E não são poucos os motivos para isso

Imagem de um armário inteligente com uma embalagem de papelão dentro do compartimento

Foto por Fernanda Vidoti.

Acompanhando a expansão da internet, o comércio eletrônico cresce, desde o fim da década de 1990, em ritmo bem acelerado. E com o crescimento vêm os desafios. No caso do e-commerce, a entrega tornou-se um gargalo, a maior das “dores do crescimento”. A experiência de entrega influencia fortemente a percepção final do consumidor a respeito da compra e da qualidade do varejista online. Esse consumidor pode estar tanto numa área rural distante, onde a internet tenha chegado antes mesmo que o asfalto, como numa área urbana de alta densidade e grandes problemas de mobilidade. Não importa, ele quer receber sua encomenda em curto prazo, sem pagar muito por isso e sem ter qualquer tipo de preocupação. O autoatendimento por meio dos e-Boxes veio ajudar no desafio, complementando outros modais logísticos.

Os primeiros smart lockers surgiram na Europa, em 2002, e nos Estados Unidos, em 2011. Na Europa, o serviço pioneiro foi o da gigante alemã DHL, com suas Packstations, que já são mais de 7 mil em toda a Alemanha. Nos Estados Unidos, quem inaugurou o conceito foi a Amazon instalando os armários nas franquias de conveniência 7-eleven. Hoje a Amazon tem mais de 2 mil lockers espalhados pelo território americano.

No Brasil, os smart lockers começaram a aparecer em 2012, porém foi só em 2019, com a chegada de novos modelos de negócio e atendimento, que ganharam escala a ponto de apoiar o comércio eletrônico, altamente pressionado pelas novas demandas na pandemia. O país tem suas particularidades e os e-Boxes conseguem solucionar os mais variados entraves na entrega. Um exemplo são as áreas de risco de violência ou furto: pesquisa do Insper mostra que 22% da população das grandes cidades vive em comunidades consideradas como áreas de risco, representando 13 milhões de pessoas que consomem R$ 23 bilhões por ano. Com as dificuldades enfrentadas na entrega a domicílio nesses locais, quem garante o atendimento a todo esse significativo contingente é a empresa que instala os armários em locais públicos.

E como é exatamente o serviço de smart lockers?

Imagem de um celular escaneando um QR Code

Foto por Fernanda Vidoti.

Como o nome indica, os armários inteligentes têm tecnologia: basicamente um sistema digital que permite abertura automática dos compartimentos por meio de senha ou QR Code. A segurança é uma das vantagens para quem entrega e para quem recebe. A operação não envolve terceiros e os armários dispõe de câmeras de vigilância e monitoramento.

Conforto, praticidade, comodidade são outras vantagens para os consumidores. Ao fazer uma compra online e optar pelo recebimento em um armário inteligente, é possível escolher o melhor ponto para buscar a encomenda sem restrições de horário. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), mais de 35% dos consumidores no Brasil reclamam do recebimento de encomendas. Desses, inclusive, 75% apontam como principal problema o horário limitado do serviço. A comodidade também fica evidente quando há necessidade de troca ou devolução.

Para as empresas, os smart lockers facilitam a logística de entrega e trazem uma redução significativa nas despesas de frete. Isso porque a chamada “última milha” — a entrega ao consumidor final — responde por 55% do custo de toda a entrega. E o custo se repete na “logística reversa”, quando há devolução do produto. As empresas também conseguem reduzir os prazos, já que reduzem os percalços do trecho final da entrega e otimizam suas rotas.

Por fim, o meio ambiente também agradece: a consolidação dos pacotes na entrega reduz a quilometragem rodada pelos veículos de entrega ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência. O resultado disso são reduções de 95% na emissão de CO2 por entrega.