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O que esperar do mercado de fidelidade em 2026?

Por: Aluísio Cirino

Aluísio Cirino, CEO e fundador da Alloyal, Loyalty Tech que entrega mais vendas, engajamento e retenção de usuários para empresas por meio de soluções personalizadas de fidelidade.

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O mercado de fidelidade no Brasil está passando por uma mudança estrutural, e 2026 será o ano em que essa transformação ficará mais evidente. A 4ª edição do Panorama da Fidelização 2025 confirma algo que tenho observado na minha rotina com minha equipe e líderes de diversos setores: o consumidor amadureceu, suas expectativas evoluíram, e a forma como as marcas constroem relacionamento precisa acompanhar essa evolução.

Smartphone exibindo a frase “Clube de fidelidade” com ícones de estrelas, cercado por elementos de recompensas em ambiente de varejo.
Imagem gerada por IA.

Não estamos mais falando de programas pontuais, campanhas isoladas ou ações desconectadas do dia a dia. Fidelidade, hoje, é rotina. A pesquisa mostra que 88,3% dos brasileiros participam de pelo menos um programa de fidelidade, e 94,9% interagem com esses programas mensalmente, sendo que 76% fazem isso semanalmente. Esse nível de engajamento torna evidente que o loyalty deixou de ser um diferencial e se tornou parte essencial da jornada do consumidor. E quando algo passa a fazer parte da rotina, o nível de exigência naturalmente aumenta: as pessoas querem conveniência, clareza, personalização real e benefícios que façam sentido no momento certo.

O retorno dos programas de pontos e novas expectativas

Outro ponto importante é a volta da força dos programas de pontos. Pela primeira vez desde o avanço do cashback, o acúmulo de pontos reassume liderança como o benefício mais valorizado pelos consumidores, registrando o maior crescimento da pesquisa em 2025. Esse movimento tem a ver com autonomia. O cliente quer liberdade para direcionar seus ganhos, ou seja, viajar, trocar por produtos e economizar no orçamento. Programas de pontos nunca deixaram de ser relevantes, eles apenas precisavam ser simplificados, transparentes e conectados ao perfil real de uso de cada pessoa.

Ao mesmo tempo, cresce a busca por experiências mais ricas, personalizadas e interativas. Quase metade dos consumidores afirma gostar de propostas gamificadas, como desafios e missões, e 42,5% destacam recompensas personalizadas por inteligência artificial como a aplicação mais desejada. Isso mostra que a tecnologia, quando usada como meio e não como fim, pode tornar a jornada mais fluida e mais engajadora. Na prática, isso significa usar dados com inteligência para entregar relevância. É exatamente esse o tipo de construção que venho desenvolvendo com a minha equipe: criar mecanismos de personalização que entendam comportamentos, momentos de vida e necessidades reais, de forma ética, transparente e orientada a valor.

Modelos premium e o papel do reconhecimento

Outro movimento que ganhará escala em 2026 é o dos programas premium. Segundo a pesquisa, 93,5% dos consumidores estariam dispostos a pagar por um programa de fidelidade, desde que a proposta seja clara, com benefícios imediatos e consistentes. Isso reforça uma visão que já discutimos internamente: o consumidor atual está disposto a pagar por conveniência, economia de tempo e redução de esforço. Modelos de assinatura deixam de ser apenas sobre status e passam a ser vistos como praticidade. Frete grátis, acesso antecipado, atendimento prioritário e curadoria de experiência entram no centro da estratégia das marcas que desejam construir relações de longo prazo.

Mas talvez o maior desafio para 2026 esteja em um ponto simples, porém frequentemente negligenciado: o reconhecimento. A pesquisa mostra que 81,9% dos consumidores afirmam que o reconhecimento, seja por meio de agradecimentos, mensagens personalizadas ou tratamento diferenciado, influencia diretamente sua fidelidade. No entanto, apenas 9,6% dizem ter vivido experiências desse tipo. É aqui que marcas fortes se diferenciarão em 2026.

Na minha rotina com o time, dedicamos 2025 a construir três pilares que agora se mostram essenciais para esse novo cenário: um catálogo de benefícios vivo, dinâmico e realmente contextualizado; um programa de pontos simples, flexível e transparente; e um modelo de assinatura que entrega valor imediato, sem promessas distantes. Fizemos isso porque acreditamos que a evolução do loyalty exige unir tecnologia e simplicidade, dados e humanidade, eficiência e encantamento.

Diante desse cenário, o que esperar de 2026? Será o ano da maturidade do loyalty. Um ano em que programas deixarão de ser percebidos como “benefícios extras” e passarão a ser vistos como parte estratégica da proposta de valor das marcas.