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O que é o ChatGPT e como isso pode ser usado no E-commerce?

Por: Paulo Moreira

Mestre em Administração de Empresas, pós-graduado em Marketing pela FGV e Bacharel em Comunicação Social pela PUC. Professor e Pesquisador-Acadêmico, possui mais de 09 anos de experiência em Comércio Eletrônico, tendo especializado-se em projetos de implantação. Já atuou em diversas empresas de todos os portes pelo Brasil, tais como: Novo Mundo, Tend Tudo, Casa Show, Pontal Calçados, SurfCo e World Comexx. Conta com Certificação Google Advertising Professional (GAP) & Google Analytics Individual Qualification (GAIQ). Atualmente atende projetos de <nowrap>e-commerce</nowrap> pela sua empresa, a Ecommerce Jump.

No final de novembro de 2022 e início de dezembro do mesmo ano, uma verdadeira enxurrada de pessoas, empresas, notícias, vídeos e conteúdos diversos começaram a tratar repentinamente sobre um tal “ChatGPT”.

Esse comportamento explosivo aconteceu não só no Brasil como também em todo o planeta, como podemos ver nas imagens a seguir, com destaque especial para a China. Muitos dizem que governos ligaram sinal de alerta, assim como também o fizeram Big Techs como o Google. Profissionais de marketing, programadores, criadores de conteúdo do mundo todo ficaram em polvorosa. Mas, por que razão?

Bem, é sobre isso que irei tratar neste artigo, explicar o que é o mais novo sucesso dos últimos tempos, o que ele tem de tão especial, e como isso pode afetar o mercado de E-commerce, e nós, enquanto sociedade.

O que é o ChatGPT?

Começando pelo básico, Chat GPT nada mais é do que uma sigla para “Chat Generative Pre-Trained Transformer”, ou, em tradução livre, Transformador Pré-treinado Gerador de Bate-Papo. Ele é uma variante do modelo de linguagem GPT-3 (Generative Pre-trained Transformer) que foi desenvolvido especificamente para gerar textos em linguagem natural, de maneira semelhante a um humano. Ele foi treinado sob um grande conjunto de dados de trocas de conversas, e é capaz de produzir textos coerentes e apropriados dentro do contexto de uma conversa.

Desenvolvido pela empresa de inteligência artificial (AI) chamada OpenAI Inc. com sede em São Francisco – e que começou sem fins lucrativos – teve diversos nomes envolvidos, como Elon Musk, Sam Altman (atual CEO), Ilya Sutskever (Google), Reid Hoffman (co-fundador do Linkedin) e Peter Thiel (co-fundador do PayPal). Atualmente, um grande parceiro e investidor é a nossa velha e conhecida Microsoft, que desenvolveu em conjunto com a OpenAI a plataforma Azure AI.

Além do ChatGPT essa companhia também possui um outro produto muito conhecido (Dall-E), capaz de gerar imagens a partir de instruções de texto, chamadas de “prompts”. Tecnologias desse tipo também fizeram bastante sucesso recentemente no Brasil.

Mas o que o ChatGPT tem de tão especial?

Para muitos, o ChatGPT pode ser a ferramenta moderna mais importante desde a chegada dos mecanismos de busca, capaz de promover mais uma “mini-revolução”.

Através do ChatGPT, a OpenAI trouxe uma Inteligência Artificial (AI) capaz de responder perguntas complexas através de conversação. Muitas pessoas já consideram essa ferramenta revolucionária porque ela foi treinada para aprender o que os humanos querem dizer quando fazem suas perguntas, e responder de forma surpreendentemente humana, como se fosse uma outra pessoa escrevendo. Isso pode mudar e muito a forma como humanos interagem com computadores e a maneira em que as informações são apresentadas.

O ChatGPT é um modelo de chatbot de grande linguagem (LLM) baseado no seu predecessor, como citado anteriormente. Modelos de grande linguagem conseguem prever qual a próxima palavra a ser apresentada em meio a uma série de palavras possíveis, como se fosse um “autocompletar” de larga escala, isso porque são treinados com gigantescas quantidades de dados. De acordo com a Universidade de Standford, o GPT-3 foi treinado sobre 570 GB de textos e possui 175 bilhões de parâmetros, quantidade 100 vezes maior que seu antecessor, o GPT-2.

Dessa forma, o GPT-3 consegue até mesmo fazer tarefas que não foram especificamente treinadas para executar com relativo sucesso, como realizar traduções de sentenças com pouco ou nenhum treinamento anterior. Além disso, perceberam que muitas vezes o GPT-3 consegue até superar modelos que foram especificamente treinados para realizar determinadas tarefas.

Outro ponto que vale destacar é que o ChatGPT também foi treinado com uma camada adicional de Aprendizagem de Reforço com Feedback Humano (RLHF), que utiliza de feedback humano para ajudar o ChatGPT a aprender a habilidade de seguir orientações complexas que os humanos inserem, entender suas nuances e o que esperam quando fazem suas perguntas, e gerar respostas satisfatórias dentro das expectativas e perspectivas humanas.

Tecnologias como as LLMs (Modelo de Grande Linguagem) são capazes de prever a próxima palavra mais adequada em uma sentença, tornando possível, assim, escrever parágrafos ou páginas inteiras de conteúdo de forma automática. Mas é claro, como toda tecnologia, as LLMs também têm as suas limitações. É a combinação desse sistema de “autocompletar” alucinante com a camada de RLHF (Aprendizagem de Reforço com Feedback Humano) citada anteriormente, que faz o ChatGPT tão especial, o elevando a um resultado incrível, para muitos, próximo ao estado da arte.

O treinamento do ChatGPT com a camada RLHF sobre massivas quantidades de dados relativas a códigos e informações da internet, incluem resumos de notícias, conjuntos de dados de comparações de diferentes respostas humanas e fontes de discussões, como por exemplo o Reddit, utilizado para ajudar o ChatGPT a compreender e dialogar no mesmo “estilo” de um humano, além de prever o que os humanos julgam ser a resposta mais adequada.

Claro que simplesmente tornar modelos de linguagem maiores não os transforma necessariamente em sistemas melhores para seguir a intenção do usuário. Modelos de grandes linguagens podem com frequência resultar em respostas incorretas, prejudiciais ou simplesmente inúteis para o usuário.

Sendo assim, podemos dizer que outra grande singularidade do ChatGPT é que, diferente de outros chatbots, ele foi especificamente treinado para fornecer respostas úteis, verdadeiras e não-prejudiciais, enquanto busca compreender a verdadeira intenção do usuário com a sua pergunta ou solicitação, podendo até mesmo descartar partes dela se não fizerem sentido.

Quais são as limitações do ChatGPT?

Como dito anteriormente, toda tecnologia possui suas limitações e o ChatGPT não é diferente. A seguir, aponto algumas daquelas que considero serem as mais importantes. Todas elas, são claramente conhecidas pela OpenAI Inc.

Limitações sobre respostas prejudiciais:

Bom, isso pode ser visto como uma limitação, ou uma vantagem. O fato é que, como mencionado há pouco, o ChatGPT foi especificamente programado para não fornecer respostas tóxicas ou prejudiciais. Portanto, ele buscará ativamente evitar responder esse tipo de pergunta.

Obviamente, erros podem acontecer e a equipe OpenAI está ciente disso, e nesse sentido eles tem estimulado os usuários a enviar feedbacks para ajudar a melhorar o sistema. Inclusive, recentemente buscaram incentivar os usuários a avaliar as respostas oferecendo créditos ChatGPT em troca.

Qualidade das respostas:

Outra limitação é que, apesar de ser projetado para entender o que o usuário quer dizer com a sua questão, orientações melhores, isto é, perguntas de melhor qualidade, tendem a gerar respostas melhores.

Além disso, por ser treinado para fornecer respostas que pareçam corretas ao estilo humano, elas podem até enganar os humanos de que o conteúdo está correto, mesmo não o sendo, de tão bem escritas. Isso mesmo, nem sempre as respostas estão corretas, é preciso estar atento. Por exemplo, após a chegada do ChatGPT o famoso site Stack Overflow percebeu que muitas pessoas começaram a utilizar as respostas do ChatGPT na comunidade, e o que mais os preocupou foi exatamente o fato de que, apesar da alta taxa de erros, o conteúdo “aparenta” estar correto, o que dificulta ainda mais o trabalho da equipe de moderação e que resultou em uma política temporária de banimento de respostas oriundas do ChatGPT dentro do Stack Overflow.

Outro ponto informado pela própria equipe OpenAI é que o conhecimento do sistema está, ao menos temporariamente, limitado até o ano de 2021.

Investimento financeiro:

Por hora, ao menos quando esse material foi escrito, o ChatGPT pode ser utilizado gratuitamente durante seu período de “visualização da pesquisa”. Porém, tudo leva a crer que o ChatGPT será pago.

Como citei anteriormente, o chatbot está aberto atualmente para que os usuários experimentem, ou seja, gerem demanda, e para que forneçam feedbacks sobre as respostas oriundas da AI, para que a ferramenta possa aprender com seus erros e se tornar ainda melhor.

De fato, outros produtos da companhia e o próprio anúncio da premiação em créditos do ChatGPT nos dá uma ideia de como pode ser um de seus modelos de monetização no futuro.

Os modelos de linguagem irão substituir a pesquisa do Google?

É interessante notar que o próprio Google já criou seu chatbot de IA chamado LaMDA. Engenheiros do Google tem dito que o desempenho de seu chatbot está tão próximo de uma conversa humana que alguns o chamaram de “senciente”.

Esse cenário de um chatbot de perguntas e respostas capaz de criar conteúdos e até de substituir o Google é assustador para profissionais de muitas áreas, criadores de conteúdo como redatores, escritores, compositores, profissionais de marketing de busca, de atendimento ao cliente online, programadores, buscadores, estas são só algumas áreas que podem ser afetadas com esse tipo de tecnologia.

É claro que ainda há um longo caminho a percorrer até que possamos ter certeza se as LLMs irão substituir os buscadores, contudo, creio que o futuro será mais algo como um modelo híbrido, que utilize das duas tecnologias (busca e chatbot) em conjunto, pois me parecem ser mais complementares do que predatórias.

E como o ChatGPT pode afetar o universo do E-Commerce?

Imagino que a essa altura, todos vocês já devem ter visualizado algumas possibilidades de implementações e benefícios do uso do ChatGPT nas operações de E-Commerce.

Contudo, para deixar esse material ainda mais interessante, resolvi perguntar ao próprio ChatGPT qual era a sua “análise” desse tema, e eis que a resposta segue abaixo (print no final do texto), para que possamos apreciar e admirar a capacidade da ferramenta de escrever uma resposta que parece muito, feita por uma pessoa.

“Em um contexto de e-commerce, o ChatGPT poderia ser usado para alimentar um chatbot que ajuda os clientes em sua experiência de compra respondendo perguntas, fornecendo recomendações de produtos e auxiliando no processo de compra.

Por exemplo, um chatbot alimentado pelo ChatGPT poderia ajudar um cliente a encontrar um determinado produto respondendo perguntas sobre as características do produto, o preço e a disponibilidade. Ele também poderia sugerir produtos similares ou complementares com base no histórico de busca ou compras do cliente.

Além disso, o ChatGPT poderia ser usado para gerar respostas automatizadas para perguntas frequentes (FAQs) ou para fornecer recomendações personalizadas aos clientes com base em suas compras e histórico de navegação anteriores. Isso poderia ajudar as empresas de e-commerce a melhorar seu atendimento ao cliente e aumentar as vendas fornecendo uma experiência de compra mais personalizada e conveniente para os clientes.”

Incrível, não é? Pensei em editar, remover algumas partes e incluir outras, mas por fim, para mostrar como é o ChatGPT em seu quase estado da arte e responder a questão, os parágrafos acima entre aspas são a íntegra de trecho da resposta dada pela ferramenta.

Agora, me digam vocês, parece ou não uma resposta de uma pessoa? E não de uma pessoa qualquer, uma que conhece muito sobre a área? Poderia garantir a vocês que, com exceção da parte citada, todo esse artigo foi escrito por mim, mas, afinal, acho que a partir de agora muitos ficarão cada vez mais desconfiados. 😄

Espero que tenham gostado desse conteúdo e entendido um pouco melhor sobre esse tema que, ao que tudo indica, chegou para ficar. Foram utilizadas algumas fontes para apoiar no desenvolvimento desse conteúdo, em especial o Search Engine Journal, que gostaria de citar.