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A tecnologia como grande aliada na gestão de fornecedores que privilegiam as práticas de ESG

Por: Rodrigo Gonçalves Lasalvia

Profissional formado em Administração de Empresas, pós-graduação em Logística, Capacitação em Qualidade e Processos, MBA em Gestão de Negócios e Capacitação em Gestão em Sustentabilidade com mais de 15 anos de experiência na área de Governança e Compliance de Cadeias de Valor de grandes empresas (C&A Brasil S/A e RaiaDrogasilS/A). Atuou no processo de construção, reestruturação, consolidação e globalizando das respectivas áreas, adequando-as às melhores práticas de mercado em relação ao tema. Prêmio Amcham Eco (2017) - Rede de Fornecimento Sustentável e Prêmio Amcham Eco (2020) - Programa de Monitoramento Participativo, ambos conquistados com uma equipe extremamente dedicada. Idealização e implantação da tecnologia blockchain para monitoramento e transparência do processo produtivo do varejo de moda (Revista Forbes – abril/2021).

À medida que cresce, todo negócio se vê frente ao desafio de fazer uma boa gestão da sua cadeia de fornecedores, tarefa ainda mais relevante em tempos de valorização dos conceitos e das práticas de ESG. Afinal, vários mercados já entendem que as parcerias vão muito além das questões comerciais, gerando oportunidades para cooperações que visam o real desenvolvimento das marcas, de suas pessoas, das comunidades com as quais se relacionam e do cuidado com o meio ambiente. Tendo como base a ideia de que estamos todos interconectados, fica clara a necessidade de assumirmos a responsabilidade pelas relações que criamos e, mais do que isso, mantemos ao longo dos anos.

À medida que cresce, todo negócio se vê frente ao desafio de fazer uma boa gestão da sua cadeia de fornecedores, tarefa ainda mais relevante em tempos de valorização dos conceitos e das práticas de ESG.

A complexidade dessa tarefa se intensifica à medida que o tamanho do negócio também aumenta. Quem atua no varejo sabe exatamente do que estou falando, já que o número de fornecedores pode chegar à casa das 12 mil empresas para alguém com o nosso porte, por exemplo. Claro, há diferentes níveis de interação e escalas de importância, fazendo com que esse número seja reduzido em termos de parceiros prioritários. De qualquer modo, o universo de trabalho é bem grande, abrindo espaço para a seguinte pergunta: como gerenciar um volume gigante de dados, processos e ainda encontrar caminhos para nutrir as relações de olho em ESG?

Tecnologia como mediadora

Com quase duas décadas da minha carreira dedicada a esse tema, a melhor resposta que encontrei foi: utilizar a tecnologia como grande mediadora entre os negócios. E fico animado em falar disso especialmente por estar à frente de um portal que cumpre exatamente esse papel de interlocução entre o meu time e cerca de cinco mil parceiros que são de grande relevância para o nosso dia a dia. Além de toda a praticidade para disponibilizar informações valiosas em apenas alguns cliques, temos uma ferramenta que potencializa a nossa comunicação de mão dupla e, ainda, permite coletar e processar dinâmicas essenciais, como as auditorias e os planos de ação pautados pela ideia de melhoria contínua.

Além de ganharmos em velocidade e segurança no trato de informações sensíveis aos nossos negócios, investir na criação de um portal é uma ótima pedida para quem aposta na transparência das relações, algo que tem tudo a ver com ESG. De forma intuitiva, temos acesso a todo histórico de interações e à documentação cocriada entre as partes. Podemos contar até com alertas que nos orientam quanto à validade de laudos, certificações, licenças e demais documentos técnicos, por exemplo. Isso é fundamental para darmos vida a uma plataforma de governança, que é muito mais eficiente e produtiva do que uma agenda meramente protocolar. Sem a visibilidade gerada pelo sistema, seria muito mais difícil criar uma rotina de monitoramento ativo e de desenvolvimento dos nossos parceiros. Na era da tão falada “experiência”, também precisamos estar atentos à jornada dos fornecedores em relação à nossa marca.

Outro ganho importante para quem investe em tecnologia como mediadora do relacionamento com os fornecedores é a capacidade de intensificar o papel educativo da marca em torno do que vem a ser, de fato, o contexto de ESG. Para as grandes e médias empresas, que podem ter pessoas dedicadas ao tema, é natural acompanhar e implementar tendências. Porém, há um mar de pequenos negócios que sequer se reconhecem como capazes de adotarem posturas mais sustentáveis, embora já tenham práticas nessa direção. Quando temos um portal ou um aplicativo em mãos, ganhamos força em termos de divulgação de informações que, no final do dia, geram conhecimento e insights que podem ser aplicados por todos os tipos de negócio. Do tratamento adequado de resíduos à gestão de equipes, temos muito que compartilhar com nossos parceiros para que eles possam ter uma conduta ética e responsável. Isso vale, inclusive, para as subcontratações, ou seja, os fornecedores de nossos fornecedores. Se queremos manter práticas que nutrem um olhar sistêmico, é importante que tenhamos a tecnologia ao nosso lado.

Em um mundo pautado pelo uso cotidiano de soluções digitais nas mais variadas áreas de nossas vidas, posso compartilhar que criar um sistema é uma ótima estratégia para aumentarmos o engajamento e a colaboração dos nossos parceiros. Quando se dão conta de que têm em mãos um ambiente confiável, que gera respostas para os pedidos do dia a dia e que traz visibilidade para o que deve ser feito em nome de manter a relação saudável, nossos parceiros vestem a camisa e passam a fazer parte do que antes era tido apenas como mais uma tarefa sem razão ou, em outras palavras, pura burocracia. Ao gerarmos devolutivas sobre as auditorias e sobre os planos de ação, por exemplo, demostramos que aquele ambiente realmente é de troca e tem como objetivo maior o desenvolvimento de todos. Temos colhido muitos frutos da aposta que fizemos em tecnologia, mas ainda há espaço para muita animação em torno do que está por vir!