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WGSN apresenta quatro perfis de consumidores para o setor de decoração durante o Casa & Decor 2024

Por: Amanda Lucio

Jornalista e Repórter do E-Commerce Brasil

Formada na Unifesp, é pesquisadora em História Social e está sempre de olho nas tendências do mercado.

Nesta terça-feira (20), na conferência Casa & Decor 2024 da E-Commerce Brasil, algumas tendências de consumo para o setor foram apresentados pela WGSN, autoridade global na previsão de tendências, que trabalha com a detecção de sinais e comportamento para observar a multiplicidade do futuro. A palestra, apresentada por Paula Thofehrn, diretora de Conteúdo, trouxe quatro perfis de “Consumidores do Futuro 2025”, sendo eles: redutores, neo-niilistas, protetores do tempo e pioneiros.

(Imagem: E-commerce Brasil)

A palestrante mencionou que agora estamos saindo da era da imaginação para entrar na da criatividade e, portanto, a dimensão dos sentimentos não pode ser ignorada no mapeamento de previsões, pois as decisões de consumo não são propriamente racionais, mas guiadas pelo apelo sentimental.

Além disso, ao atravessar o período de de “policrises” (como Thofehrn nomeou as diversas crises econômicas, de moradia, ambientais etc.), a forma e o que é consumido passam a ser catalisados por esses acontecimentos, moldando o consumo. Como efeito, isso se transforma em tendências da indústria. E em relação ao segmento de casa e decoração, a busca pela sensação de segurança e pertencimento que o lar transmite são uma forma de se resguardar e construir espaços exclusivos.

Redutores

Consumidores com esse perfil são quase minimalistas, vivem a vida sem excessos, valorizando produtos que proporcionam “mais com menos”, itens multifuncionais. Eles tentam otimizar a vida, gastam de acordo com seus princípios. A palestrante destacou que são os redutores podem ser pessoas de todas as idades. Para eles, os produtos potenciais trazem a conveniência consciente, como persianas resfriadoras, por exemplo. Um outro desdobramento é o cuidado, autocuidado e bem-estar: gostam de transformar banheiros em spas e momentos de dormir em atos relaxantes. Também são adeptos do upcycling, adquirindo utensílios baseados em estoques parados, revendas e produtos duráveis.

Neo-niilistas

Mais velhos que os redutores, abrangem os mais velhos da Geração Alfa, Geração Z e um pouco dos Milennials. Diante do caos moderno, pensam que já não há nada a perder e tentam encarar o mundo como ele realmente é, transformando sentimentos para se sentirem melhores. Eles buscam valor nos produtos e na decoração, criando conexão com aquilo que tem uma história, remete à ancestralidade e no “retorno às raízes”. Esse público também prioriza os rituais e a criação de ambientes, assim como procura nas cores uma forma de proporcionar otimismo para o espaço, criando momentos felizes.

Protetores do tempo

Como a pandemia fez a sociedade questionar a passagem do tempo, encarar o envelhecimento faz parte da visão de consumo desse público. O sentimento de “ansiedade do tempo” é uma questão para os Millennials e Geração x, fazendo com que eles pensem como, com quem e onde querem passar suas horas. Um mote de produtos para o consumo é a versatilidade para acolher diferentes gerações e a criação de memórias dentro de casa. Esse grupo também procura a herança vintage com produtos que remontam a outros tempos, aliados à tecnologia: o novo que encontra o velho. Dão preferência ao compacto e também são focados no estilo de vida flexível que propicia a economia de tempo, como: produtos empilháveis, cômodas etc.

Pioneiros

Eles são de geração mais jovem, onde o espaço físico e digital está no epicentro das suas escolhas. Também são nômades digitais, usuários do Metaverso que buscam envolvimento em ambas realidades. A casa desse perfil de consumo está em movimento, com mobiliários que montam e desmontam (sofás, mesas dobráveis, sofás que viram redes), ocupando ambientes diversos. Importante destacar que procuram itens que simulam realidades duplas, como difusores que se conectam com os jogos online emitindo cheiros e as interconexões de ambientes. A palestrante se referiu a eles como “kidult” (uma mistura de criança e adulto), que significa a busca pelo escapismo, vontade de voltar para tempos mais simples, retorno à infância.

Para finalizar, Paula Thofehrn enfatizou alguns pontos sobre os perfis mencionados, como para os reducionistas, é importante apoiar o cuidado a si próprio e a terceiros. Já os neo-niilistas, priorizam a colaboração para maximizar a entrega potencial. A premissa é compartilhar o máximo de informação. Vivendo cuidadosamente, os protetores do tempo buscam longevidade e inclusão de valores. Ao contrário dos pioneiros, que focam na individualidade, se envolvendo em realidades diferentes e em experiências particulares.