Gustavo Erlichman e Vivianne Vilela, diretora executiva do E-Commerce Brasil, no Marketplace Conference Live Edition[/caption]
De acordo com Erlichman, dropshipping é uma técnica de gestão da cadeia logística na qual o revendedor não mantém os bens em estoque. Ele apresenta seus produtos aos clientes através de um canal de vendas. Assim que o cliente completa o pedido de compra, o vendedor solicita e paga o fornecedor, que fará todo o processo de embalagem e envio diretamente ao cliente.
"Como em todos os negócios de varejo, os varejistas fazem os seus lucros sobre a diferença entre o preço de compra e venda”, explica o consultor.
Tipos de dropshipping
De acordo com Erlichman, existem dois tipos de dropshipping:
- Tradicional: o vendedor faz a venda e emite a nota fiscal, e o fornecedor entrega com a nota de remessa.
- Intermediação: O vendedor faz a venda com a nota fiscal de intermediação e o fornecedor entrega com nota fiscal.
Os pedidos eram encaminhados a sites chineses muitas vezes, que enviavam os produtos para os consumidores. “O problema é muitos clientes não recebiam o produto ou eram obrigados a retirar a mercadoria nos Correios, pagando a taxa de importação da Receita Federal. Outros sequer recebiam ou esperam por meses. Quando iam reclamar, o site não existia mais ou o dono sumia”, relata Erlichman.
Ainda segundo o consultor, muitos empresários quebraram nessa época e outros precisaram mudar o modelo de negócios. “Hoje, muita gente compra site e vende produtos do Aliexpress. Também vejo grupo no Facebook vendendo produtos falsificados de grandes marcas, ou sem nota fiscal ou garantia. Eu chamo isso de muamba 2.0, que é tão prejudicial como os antigos sites de compra coletiva”.
Então como fazer direito?
Nos EUA e na Europa, esse modelo é comum. No Brasil, existem diversas dificuldades, como logística reversa, tributação e atendimento ao consumidor , mas isso não motivo para operar na irregularidade, segundo Erlichman. “Muita gente trabalha sozinha e, às vezes, sem infraestrutura para dar vazão ao atendimento, notas fiscais, e questões tributárias. Por isso, correm sério risco se continuarem operando, sem contar que prejudica o e-commerce brasileiro”. “Não podemos permitir que o dropshipping ganhe essa conotação negativa como no passado. Só existe dinheiro no bolso com muito trabalho, suor na camisa e respeito ao consumidor. O que recomendo [para quem quer abrir um e-commerce] é que comece de forma regular, da forma correta. Existem várias empresas no Brasil que atuam de forma regular com dropshipping”, aconselha o especialista. [caption id="attachment_90909" align="aligncenter" width="668"]
Exemplos de empresas que utilizam dropshipping no exterior[/caption]
Dropshipping bom para crise
O dropshipping é um modelo de negócio que pode ser promissor quando feito da maneira correta, explica o especialista. “Eu gosto de dizer que o dropshipping deve fazer parte do e-commerce como estratégia, não como único modelo de operação. Várias empresas o utilizam para incluir novos produtos ao portfólio, com uma empresa de venda de material de construção, que pode vender uma banheira de hidromassagem sem ter o produto em estoque, por exemplo”. Para evitar risco, Erlichman recomenda que o lojista escolha bons fornecedores, que os conheça pessoalmente e elabore um contrato parceria. “Há muitos fornecedores bons no Brasil que trabalham com essa modalidade. Em momento de crise, não há nada melhor do que colocar à disposição dos consumidores novos produtos. Todo mundo sai ganhando”, avalia. Em marketplace, o modelo de negócio é bem comum. “Os vendedores do marketplace são do marketplace, que não tem acesso aos consumidores. Já os produtos vendidos, são dos fornecedores. Ou seja, posso trabalhar na minha mesa operando o estoque dos fornecedores para os clientes do marketplace. É possível e já é realidade”, finaliza Erlichman. Leia também: O PIX e a Covid-19: qual é o papel do pagamento instantâneo na crise?Confira a apresentação completa do Gustavo Erlichman:
https://www.youtube.com/watch?v=38kPvjvflFo&feature=youtu.be https://pt.slideshare.net/ecommercebrasil/marketplace-conference-2020-live-edition-dropshipping-no-o-que-voc-est-pensando Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce BrasilQuer acompanhar os conteúdos do Marketplace Live Edition 2020? Fique por dentro das palestras e matérias sobre os impactos do coronavírus no mercado de e-commerce e marketplace em tempo real.