Entrevista: A importância da Arquitetura da Informação para o ambiente digital

por Redação E-Commerce Brasil Quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Entrevista com Bruno Rodrigues.

 

Por Mariana Anselmo – Redação E-Commerce Brasil

Um dos pontos mais fascinantes da Internet é sua capacidade infinita de armazenar informações. O problema aparece quando precisamos encontrar um dado específico em meio a esse aglomerado nem sempre organizado. Para facilitar o processo de busca e relevância das informações, a Arquitetura da Informação veio auxiliar o universo digital. Com ela, é possível estruturar todo conteúdo informativo da forma que melhor atenda aos seus usuários.

Em entrevista exclusiva à Revista E-commerce Brasil, Bruno Rodrigues, um dos maiores especialistas no assunto, vai falar de como a arquitetura da informação se aplica ao e-commerce. Ele, que é professor de arquitetura da informação e de web writing no Brasil e no exterior, além de ser o autor da cartilha “Padrões Brasil e-Gov: Cartilha de Redação Web”, vai nos contar a importância da AI tanto para ambientes off e online e sobre como anda o mercado brasileiro nesse setor.

E-commerce Brasil – Qual o principal objetivo da Arquitetura da Informação?

Bruno Rodrigues – O papel da AI é organizar toda a informação daquele ambiente (site, blog, biblioteca etc.), estruturando e distribuindo as áreas, principais e secundárias, para que as informações possam ser encontradas com facilidade. Em um ambiente digital, elas precisam ser facilmente identificáveis, sua distribuição bem definida e a navegação intuitiva.

Este é o grande desafio hoje em dia: fazer com que o usuário de um site queira conhecer o sistema de informação em que está, sem que vá direto para o mecanismo de busca. Muito da cultura de busca, nos últimos anos, surgiu da péssima organização da imensa maioria dos sites. Se o usuário não encontra o que procura, ele recorre a esse mecanismo para chegar à informação desejada.

A Arquitetura da Informação é algo que surgiu muito antes da Internet (e-commerces, sites, blogs). Mas, com sua aplicação nesse setor, ela ganhou uma maior visibilidade. A que se deve isso?

Particularmente, acredito que seja à necessidade que temos de organizar a imensa quantidade de informação com que lidamos no nosso dia a dia e, principalmente, de encontrá-la com facilidade. Quanto mais conteúdo um sistema de informação possui – seja ele um portal ou uma biblioteca -, mais complexa torna-se a tarefa de estruturá-lo. E mais necessária se faz essa estruturação.

O grande desafio está em tornar a organização dessa informação toda intuitiva e fácil de entender para seus usuários. Quem consegue encontrar o que procura se não compreende como funciona o ambiente que está consultando? Pode parecer complicado, mas é pra isto que a Arquitetura da Informação existe: para facilitar essa compreensão.

Quais as áreas onde mais se aplica a Arquitetura da Informação e qual a diferença mais significativa da sua aplicação em ambientes on e offline?

A AI se aplica a toda área que lide com informação segmentada, granularizada e detalhada. Quanto mais largura e profundidade tem uma informação, ou seja, quanto mais detalhes são associados a ela, maior é a necessidade de se trabalhar constantemente o sistema de informação. De uma forma simples, quanto mais informação um ambiente tem, mais ele precisa da AI para organizá-lo e facilitar o acesso a essas informações.

Sobre a diferença da atuação da AI entre ambientes on e offline, acredito que esteja em duas das principais características do meio digital: a capacidade infinita de acumular informação e de desdobrá-la. Na Internet, sempre vai haver espaço para informação. O meio impresso não possui esses atributos por motivos óbvios: o suporte é físico, seja livro, revista, ou jornal. Todos eles, infelizmente, são finitos.

Você diz que organizar, navegar, nomear, buscar, pesquisar, desenhar e mapear são os pilares da AI. Você pode correlacioná-los? Qual a importância de cada processo e como ele afeta a etapa seguinte?

Organiza-se a informação para que o usuário possa navegar intuitivamente em um site. Para isso, é preciso que cada item de ‘comunicação’ do site seja um título de um texto ou o item do menu principal e seja escolhido com cuidado – sua nomeação. O conteúdo tem que ser pesquisado, estruturado e elaborado. E a interface de contato com o usuário preciso ser empática, criar ponte com quem usa o site. A busca é a etapa final dessa trajetória: bem montada a Arquitetura da Informação, é hora de pensar como será a sua recuperação, sua busca.

Qual a importância da AI para o mercado de e-commerce e quais os pontos, dentro do e-commerce, nos quais mais se destacam o trabalho do profissional de AI?

Informação, em um site de comércio eletrônico, é sinônimo de produto ou serviço. Imagine uma estrutura que dificulte o acesso a um produto e às suas informações (descrição, imagens, comentários de outros clientes, se está ou não disponível etc.). A experiência do usuário seria péssima, o que, provavelmente, o levaria para outra loja. E esse não é o objetivo de nenhum lojista. Por isso, em e-commerce, trabalhar bem a Arquitetura da Informação é fundamental.

Já o profissional de AI que trabalha com e-commerce precisa entender um pouco da dinâmica que envolve o mercado eletrônico e ter a capacidade de ‘pendurar’ sua experiência no meio digital, como usuário, atrás da porta. Em AI, o que importa é a necessidade do outro; não importa se, para nós, algo é básico demais ou lógico demais. O foco não está em você, e sim no usuário.

Consideramos como um diferencial necessário a capacidade de entender o modelo mental do perfil do visitante e a forma como ele procura a informação. Assim, o profissional vai encontrar a melhor maneira de transpor isso tudo para a estrutura do site.

Você, como profissional atuante na área há tanto tempo, pôde presenciar a evolução e algumas mudanças do setor. Como foi esse processo? Ele está dentro do esperado, ou ainda deixa a desejar?

Como mercado, ele amadureceu muito nos últimos anos; tanto do ponto de vista do profissional quanto do cliente. O mercado de AI saiu de uma definição quase etérea e subjetiva do que seria a ‘experiência do usuário’, para uma conceituação forte e uma aplicação bem prática.

Fazendo uma comparação entre o mercado brasileiro e os estrangeiros, como o nosso mercado está, em termos de profissionais, qualificação, oportunidades e formação?

Estamos em pé de igualdade com países como Itália, Inglaterra e EUA, exemplos de países que sempre trabalharam Comunicação Digital com o foco no usuário. Sobre a formação e a qualificação dos profissionais, já há diversos cursos de especialização em AI e UX (User Experience) no Brasil em vários estados. Alguns até mesmo à distância, para facilitar e dar mais oportunidade a quem não mora em grandes centros. Na área, paga-se bem, mas ainda é uma atividade que só o futuro dirá se irá se transformar em ‘carreira’ – como quase todas na área digital.

Para quem quer trabalhar na área, por onde começar? Quais cursos fazer, onde buscar referências?

Para começar, compre a edição mais recente de ‘Information Architecture for the World Wide Web’, de Peter Morville e Louis Rosenfled. A obra ainda é considerada a ‘bíblia’ no assunto. Busque grupos no Facebook, blogs e sites, perfis no Twitter… Essa área está sempre evoluindo e há muito o que conhecer, pesquisar e aplicar.

Como identificar que o trabalho de AI está sendo bem feito? Quais os sinais que mostram isso ao profissional?

Acredito que teste com usuários desde o mapa de arquitetura é a melhor opção.  Antes mesmo de se criar um protótipo. Afinal, uma estrutura bem montada, organizada e pensada é clara desde o início.

 

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Artigo publicado na Revista E-Commerce Brasil, edição 11.
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