De dentro pra fora, de fora pra dentro

por Livio Capalbo Quarta-feira, 26 de junho de 2013

O Brasil vive um momento histórico e por isso não há como não refletir a respeito da influência das mídias sociais neste processo. Como moro em Vancouver, no Canadá, obviamente não tenho acesso aos canais de televisão do Brasil, portanto minha principal fonte de informação são meus amigos e família. Ao mesmo tempo que não dá pra ter uma noção real do que acontece no meu país, consigo perceber de forma clara de como a produção de conteúdo e a mídia está na mão das pessoas – literalmente.

A força das mídias sociais está sendo demonstrada de dentro pra fora através desta mobilização do povo brasileiro. Antes era possível notar, principalmente no Brasil, que o tipo de conteúdo que acabava tornando-se viral geralmente eram aqueles que estavam relacionados a música ou sátira de algo que estava acontecendo no contexto do país.

Independente da forma que foram iniciados os protestos, pois não pretendo comentar questões políticas nem me posicionar a respeito, é interessante analisar que as pessoas não estão apenas compartilhando, mas também estão participando da discussão e produzindo conteúdo.

Com a “popularização” dos smartphones, a produção de conteúdo está muito mais democrática. O povo faz questão de registrar o que está acontecendo, o que torna esta fonte muito mais confiável que a mídia tradicional. Hoje em dia cada um de nós tem o poder de transmitir a mensagem para sua rede de contatos e fazer com que a informação seja difundida.

Ao comparar a cobertura feita pela mídia online, que hoje em dia utiliza muito do conteúdo da TV, com o conteúdo postado pelas pessoas, é fácil identificar que a mídia convencional administrada pelos grandes grupos é extremamente superficial. Os jornalistas, por melhor que sejam, não conseguem traduzir o que se passa nas ruas do país.

Poucos veículos de imprensa souberam encontrar o equilíbrio ideal ao utilizar o material disponível nas mídias sociais. A sensação, pelo menos para mim que está acompanhando tudo de longe, é que a imprensa ainda não sabe como lidar com a situação. Não é o tipo de acontecimento fácil de ter uma fácil leitura da situação. Seja talvez por isso que em alguns casos, a imprensa acaba sendo expulsa literalmente das manifestações. Só nesta semana, mais de 2 carros de emissoras de TV diferentes foram queimados por manifestantes – sejam eles fiéis representantes do movimento ou simplesmente vândalos se aproveitando da situação.

No contexto de analisarmos as mídias sociais, já fica claro para todos nós que é possível fazer um barulho capaz com que o mundo todo ouça.  A autenticidade e até mesmo o amadorismo da produção de conteúdo jornalístico torna a cobertura feita pelos usuários de rede sociais tão autêntico e intenso.

Não só o mundo se impressionou com os últimos acontecimentos, mas todos nós brasileiros que por muito tempo nos rotulamos como povo passível. Isto talvez seja resultado da presença destas novas mídias. Seja qual for a plataforma, ficou claro que as mídias sociais estarão presentes nas nossas vidas de forma cada vez mais intensa.

As marcas precisam estar cada vez mais atentas ao que está acontecendo para poder participar deste processo. É muito mais analisar como as pessoas reagem do que propriamente tentar traduzir em infográficos com porcentagens que na verdade não significam muito. Está na hora de nós profissionais de marketing digital procurarmos encontrar respostas seguindo nossa percepção e intuição do que analisar números, pois não existe e jamais existirá uma fórmula exata para implementar estratégias de marketing em mídias sociais.

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