Beabá do e-commerce no Brasil

por Marlene Dualiby Sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Olá, meu nome é Marlene Dualiby, atuo no mercado de e-commerce há 4 anos, fui sócia-proprietária, entusiasta e desenvolvedora do e-commerce Sexchic (Loja de produtos sensuais para mulheres).

Em 2009 quando o site foi lançado quase não existiam sex-shops com linguagem sutil, eram todos bem parecidos e voltados para o público masculino, senti uma necessidade do mercado de um site onde mulheres poderiam comprar seus brinquedos e cosméticos no conforto/sigilo da sua casa e, além disso, ficar por dentro das novidades do mercado. Toda a linguagem do site era estilo pinup (o que depois virou uma tendência nesse mercado) com cores pastéis e imagens bem humoradas.

O site foi descontinuado em 2011 e hoje ainda aguarda um relançamento.

Mas porque parou?

Infelizmente no Brasil não há muito incentivo para pequenos empresários e brigar com quem é maior acaba sendo injusto e desanimador.

Começando pelos Correios, que cobram uma taxa caríssima de frete para a mesma cidade que pode variar de 10 a 20 reais por produto. O cliente se sente desmotivado a efetuar a compra.

Ah, mas existe o E-Sedex!

E-Sedex é um serviço dos Correios para ajudar os comerciantes virtuais, é o serviço de entrega parecido com o Sedex mas cobra bem menos que o valor convencional. Mas para ter um contrato com eles, você tem que gastar cerca de 2mil reais somente de custos de entrega. Qual empreendedor iniciante tem esse custo/investimento logo no início?

Juntando toda experiência e perrengues que acumulei na bagagem sendo como proprietária de e-commerce ou como desenvolvedora, resolvi fazer um guia para eliminar as principais dúvidas de quem está começando no e-commerce.

Pagseguro, Moip, Paypal, o que é isso?

São plataformas de pagamento online, intermediadores de pagamento. Seu cliente paga para eles e eles te repassam o dinheiro. A vantagem é que eles assumem o risco total de vendas. Portanto se eles confirmam que a venda está como aprovada, você irá receber seu dinheiro.

A desvantagem é a porcentagem que cobram sobre a sua venda, que pode variar de 4,99% a 7,4%, mais a tarifa de transação.

O PagSeguro por muito tempo liderou o mercado, mas agora os concorrentes estão começando a mexer.

Veja a tabela abaixo com a comparação de alguns meios de pagamento:
comparacao_meiosdepagamento_2013-1

Porque o Moip está centralizando tudo? Atualmente ele é o único que permite checkout Split – ele permite que num mesmo carrinho seja fechado o pedido de várias lojas diferentes. Por exemplo:

Você pode comprar a calça da loja A, a blusa da loja B e o colar da loja C no mesmo carrinho de compras, isso facilita muito para o cliente final, pois não precisa realizar 3 compras diferentes, com 3 carrinhos de compras diferentes.

Porque tanta resistência com o Moip?

Os usuários já possuem muitos cadastros e a maioria não quer se cadastrar de novo, por isso preferem o Pagseguro, possuem resistência com o Moip, até mesmo porque o Moip não é tão divulgado quanto o Pagseguro para o consumidor final, acredito que ele seja mais focado para os lojistas.

Novidade: Quem está chegando nesse mercado é o Google, com o Google Wallet, já está funcionando e disponível em alguns sites.

Plataformas de e-commerce

Se você não está disposto a investir muita grana no início da sua loja virtual, essa pode ser uma boa alternativa.

São sistemas prontos para você criar e administrar sua loja virtual, você consegue inserir o logo, mudar as cores, cadastrar produtos e vender os produtos da sua loja fazendo tudo isso sozinho.

A mensalidade varia de planos grátis a 300 reais mensais, dependendo da plataforma de e-commerce e recursos escolhidos. Entre as mais conhecidas estão a Nuvem Shop, Rakuten, Dotstore e o Megafashion (voltado somente para moda).

Observação: Fique muito atenta com as plataformas que cobram por Pageviews, porque essa contagem é muito relativa e o barato pode sair bem caro depois.

Market Place

São lugares onde você cadastra os produtos da sua loja e eles são exibidos dentro de um shopping online.

Por exemplo, se o consumidor final busca por uma “Blusa preta”, ele faz essa busca no shopping e aparecerá todas as lojas que possuem a blusa preta.

Vantagem: Esses shoppings geralmente tem uma relevância enorme no Google, portanto seu produto pode ser facilmente indexado.

Desvantagem: As taxas estão cada vez mais caras e a política de serviço cada vez mais restrita. Eles cobram uma mensalidade/anuidade + porcentagem sobre a venda + taxa de intermediação.

Como o Moip é o único intermediador que permite Checkout Split, a maioria dos Market Places estão restringindo outras formas de pagamento e deixando somente o Moip como opção de pagamento, o que acaba limitando muito as opções de formas de pagamento para o consumidor final.

Exemplos de Market Place: Mercado LivreElo7 e Tanlup.

Loja dentro do Facebook

Você pode integrar sua fanpage no Facebook com uma loja virtual. Dessa forma você consegue integrar o relacionamento com o cliente com suas vendas.

Num mesmo ambiente você consegue postar lançamentos, novidades e vender os produtos, mantendo seus clientes todos por perto.

Vantagem: Não precisa criar outro site, ou outro canal para vender seus produtos.

Desvantagem: O usuário precisa ter uma conta no Facebook para conseguir comprar. O que acaba limitando um pouco os consumidores finais.

Exemplo: Likestore

Blogs com plug-ins de e-commerce

Sem dúvidas uma grande tendência no e-commerce, loja integrada com o blog.

Assim você consegue postar fotos de uma atriz da novela usando um colar que você vende na sua loja. E tudo isso no mesmo ambiente, então ela vê a foto da atriz junto com a notícia do seu blog e já compra na sua loja virtual.

Vantagem: Ambiente integrado, texto, artigos ajudam a divulgar sua loja.

Desvantagem: Os módulos de e-commerce ainda estão em aperfeiçoamento, são bem difíceis de implantar.

Exemplo: WordPress

Desenvolver uma loja do zero

Você pode contratar uma agência ou uma equipe de programadores, front-end e designer para montar sua loja.

Assim você cria a loja exatamente como você quer, somente com os recursos que você irá utilizar. Totalmente customizada e não possui limitações de layout.

Vantagem: Loja diferenciada do mercado, feita exclusivamente para seu público.

Desvantagem: Tempo e custo de desenvolvimento que costumam ser bem maiores.

Resumindo

O mercado de e-commerce não pára de crescer no Brasil, no primeiro semestre de 2013 faturou mais de R$12,74 bilhões. 24% a mais do que registrado no ano passado. (E-bit, WebShoppers). É sim um mercado em expansão, mas não existe nenhum facilitador real para quem está entrando no mercado.

As plataformas de pagamento online possuem as informações confusas e perdidas. Para encontrar informações sobre prazo de recebimento, taxas, como implantar, é necessário virar o site de ponta cabeça. Parece que é um padrão, todos desenvolvem o site igual. “Para quem quer comprar”, “Para quem quer vender”, e as informações jogadas de forma desordenada – nem os meios de pagamentos aceitos são claros no site.

Porém ainda é a forma que mais recomendo para quem está começando, porque eles assumem o risco total da venda e não é necessário contratar outra empresa de segurança para validar os dados do cartão do cliente, o que seria outro gasto extra para o lojista.
As plataformas de e-commerce estão muito cruas, todas possuem praticamente os mesmos recursos, são complexas e possuem muita dificuldade para cadastrar os produtos. Quem já teve que cadastrar mais de 1000 produtos num sistema destes, sabe muito bem disso. Porém, seu valor de investimento é barato.

O mercado é tentador, existem muitas possibilidades e ferramentas para ajudar os lojistas, porém como tudo ainda é muito recente no Brasil, pois por muito tempo só as grandes empresas conseguiam montar uma equipe ou contratar uma agência para desenvolver seu e-commerce. E hoje qualquer pessoa pode vender online, com o tempo acredito que o mercado será amadurecido, mas por enquanto temos que encontrar a forma que mais se adeque com a nossa realidade.

E todas as ferramentas do mercado que querem ser um diferencial para o empreendedor devem olhar para eles e entender quais são suas “dores”, o que realmente faz sentido e entender de uma vez por todas que (quase) ninguém que tem uma lojinha é desenvolvedor, e tão pouco quer aprender, pois só querem vender seu produto sem ter que desenvolver o sistema inteiro e muito menos dividir os lucros com qualquer empresa facilitadora.

Não é só por 5%.

Foto: Caden Crawford via Compfight cc

Deixe seu comentário

10 comentários

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentando como Anônimo

  1. Concordo plenamente com seu texto.

    No caso da logística via correios, pior ainda é você pagar um valor fixo destes e eles entrarem de greve como exatamente está ocorrendo hoje (13-09-13). Depender somente deles para logística é um grande problema.

    Mas enfim, existem algumas soluções pintando no mercado para lojistas, uma que visualizei recentemente é esta: http://www.squidfacil.com.br. Ela permite ao pequeno lojista trabalhar conectado com seu estoque e faz a entrega diretamente ao consumidor do lojista.

    É algo que me parece bastante promissor em um mercado dominado apenas pelas grandes.

    Obrigado!

    Responder
  2. Oi Marlene, parabéns pela matéria!

    Estou com uma dúvida sobre o que você citou, segue abaixo a minha dúvida:

    É possível disponibilizar em um marketplace somente um carrinho para a loja A, loja B, loja C e quando o cliente final finalizar o pagamento, o sistema do moip já dividir automaticamente o valor total enviando o valor para a conta moip de cada loja e já enviar o valor para a conta moip do marketplace sobre a porcentagem sobre a venda?

    Responder
  3. Marlene, parabéns pela matéria.

    Estou com uma dúvida sobre o que você citou na matéria, segue abaixo a minha dúvida:

    É possível disponibilizar em um marketplace somente um carrinho para a loja A, loja B, loja C e quando o cliente final finalizar o pagamento, o sistema do moip já dividir automaticamente o valor total enviando o valor para a conta moip de cada loja e já enviar o valor para a conta moip do marketplace sobre a porcentagem sobre a venda?

    Obrigado!

    Responder
  4. Não sei como funciona na sua cidade, porém, aqui na minha esse valor de R$2.000 para o e-Sedex não existe. Consegui contratar o serviço normalmente. O que pago mensalmente é aproximadamente R$120,00 (somente caso não seja postado produtos, como taxa de manutenção de contrato).

    Sobre “desenvolver uma loja do zero”. Recomendo que ninguém faça desse modo. Explico: hoje no mercado existem diversas empresas especializadas em plataformas e-commerce, que adaptam a sistemática de compra à sua realidade. São plataformas altamente personalizáveis (exemplo da empresa Nixus, entre outras). Contratar uma empresa para “desenvolver do zero” e-commerce é perda de dinheiro e tempo. Experiência própria.

    E o conselho mais importante: procure profissionais com experiência no mercado.

    Responder
    1. Olá Breno,
      Mas sua loja faz muitas entregas via Sedex? Esse valor ultrapassa os 2 mil reais?
      Em que cidade que você está? E qual plataforma está utilizando?
      Tudo isso pode influenciar no valor final do contrato com o E-sedex.
      Existem algumas plataformas de ecommerce que já vem embutido o e-sedex, sem ter que pagar
      taxa adicional.

      É realmente desenvolver uma loja do zero é complicado, mas se o lojista tiver tempo e dinheiro para investir.
      Ainda acho bacana, por ser totalmente personalizada. Mas depende muito da empresa e equipe que irá desenvolver para você.

      Um abraço

      Responder
  5. Olá, tenho uma loja no Mercado Livre e gostaria de saber como realizar o fluxo de caixa, pois o Mercado Pago informa apenas a data em que o pagamento foi aprovado, ou seja, a data que o cliente paga para eles, não informando o data que o pagamento foi liberado, ou seja, a data que o dinheiro pra mim. O site informa que o dinheiro fica disponível em até 21 dias, mas também não é possível fazer uma previsão dentro dos 21 dias, pois o pagamento pode ser liberado antes, e devido aos erros do próprio site, também depois, mas não tem como saber a data exata, porque eles não informam.

    O problema é que mesmo que eu faça um controle diário da quantidade de dinheiro liberada, preciso saber também qual venda esta sendo liberada, ou seja, qual produto. Espero que entendam minha dúvida. Aguardo.

    Responder

O projeto E-Commerce Brasil é mantido pelas empresas:

Hospedado por: Dialhost Transmissão de Webinars: Leads Qualificados: Dialhost Recrutamento & Seleção: Dialhost Métricas & Analytics: MetricasBoss People Marketing: Dialhost

  Assine nossa Newsletter

Fique por dentro de todas as novidades, eventos, cursos, conteúdos exclusivos e muito mais.

Obrigado!

Você está inscrito em nossa Newsletter. Enviaremos, periodicamente, novidades e conteúdos relevantes para o seu negócio.

Não se preocupe, também detestamos spam.