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Não deixe seus dados virarem o produto dos outros

por Thoran Rodrigues Quarta-feira, 17 de novembro de 2021   Tempo de leitura: 6 minutos

Fala-se muito hoje sobre a “economia dos dados” e sobre como essa nova economia está alterando a forma como as empresas operam. Do conceito de transformação digital até as inovações mais recentes no campo de inteligência artificial, praticamente todas as tendências atuais no campo de tecnologia estão de alguma forma relacionadas com dados. Como já exploramos antes, o universo do e-commerce não é diferente: os dados são fundamentais para o bom funcionamento das empresas nesse setor, e a boa utilização dos dados é um fator importante para o sucesso delas.

A maioria dos lojistas e das empresas que atuam de alguma forma nesse mercado conhecem o lado positivo da utilização dos dados. Eles possibilitam a realização de transações eletrônicas de forma mais simples e segura, reduzem os riscos de perdas com fraudes, viabilizam a criação de recomendações de produtos e até mesmo experiências de usuário altamente customizadas e individualizadas. Essas, e dezenas de outras aplicações diretas e indiretas das informações que são coletadas e geradas pelos comércios eletrônicos, melhoram a experiência do cliente final, gerando mais fidelidade e mais vendas para as lojas. É um ciclo positivo para todos os envolvidos.

Essa, no entanto, não é a história completa. Para cada compartilhamento de informações realizado com o pleno conhecimento do lojista e dos seus clientes existe uma dezena de outros dados que são compartilhados de forma opaca (ou até escondida), que não trazem nenhum benefício real para o ecossistema como um todo, agregando valor apenas para quem está recebendo os dados todos. Nesse sentido, muitas lojas online são como um grande navio de carga cheio de pequenos furos, vazando seu conteúdo pelo oceano sem perceber o que está acontecendo. Quando chegam ao seu destino final, grande parte da carga foi perdida pelo caminho.

Pense, por exemplo, em todas as ferramentas e “selos” que são incluídos nos sites sem custo para o lojista. Essas tecnologias geralmente prometem vantagens, como a capacidade de conhecer mais sobre os seus clientes, uma melhora de reputação com os consumidores, mais vendas, ou mesmo um posicionamento melhor nas buscas, sem cobrar nada em troca. Basta você colocar o pixel/tag/selo/script (ou qualquer outra tecnologia) no seu site, que as vantagens vão aparecer. O custo dessas ferramentas – e de qualquer outra ferramenta gratuita – são os dados que estão sendo coletados, que vão depois ser utilizados ou revendidos por essas empresas sem trazer nenhum benefício real para quem gerou a informação em primeiro lugar.

E não é só no contexto de soluções mais simples que existe essa distorção. O conceito por trás das dezenas de plataformas gratuitas de e-commerce, CRM, ERP e outras funções críticas de negócios é justamente que os dados que essas plataformas conseguem coletar tem um valor potencial maior do que qualquer valor que fosse cobrado dos clientes. O modelo é igual ao do Facebook: o serviço é gratuito para os usuários, porque os usuários são o produto que é vendido para os anunciantes. A plataforma de ERP é gratuita, porque os dados dentro dela são usados para a venda de produtos financeiros, ou comercializados para o mercado. E assim por diante.

O problema não está no fato das soluções serem de graça porque alavancam de alguma forma os dados coletados, mas sim na forma como isso é feito. A realidade dessa transação, de que um serviço ou produto está sendo entregue em troca de dados que vão ser utilizados de maneira irrestrita no futuro, é, na maioria das vezes, escondida dos lojistas e dos consumidores.

E essa falta de clareza é o problema, porque indica que as empresas que estão do outro lado, recebendo as informações, podem não ter as melhores intenções em mente. Assim, não entre no negócio de maneira inocente. Como diz o ditado, se a esmola é demais, o santo desconfia. Desconfie. Não deixe que os dados dos seus clientes sejam monetizados por terceiros, sem nenhuma vantagem para você

Leia também: O e-commerce e a importância em relação à privacidade.

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