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  Redação E-Commerce Brasil

Web Summit levanta a discussão sobre a relação da política e da tecnologia

Sexta-feira, 08 de novembro de 2019   Tempo de leitura: 7 minutos

A 4ª edição do Web Summit, que aconteceu entre os dias 4 e 7 de Lisboa, foi marcada pelos temas politizados do Palco Central. Entre palestras comerciais, foram debatidos diversos temas de relevância para quem atua no mercado digital: impostos, privacidade dos usuários, cibersegurança, digital payments e marketing de conteúdo. Além disso, foram debatidos os riscos da inteligência artificial para o mercado de trabalho e as soluções geradas por startups.

Em cada edição, o evento apresenta números surpreendentes. Nesta 4ª edição, estes são os destaques:

  • 70.469 participantes de 163 países;
  • 239 patrocinadores com stands;
  • 1.206 palestrantes;
  • 2.700 voluntários;
  • 22 palcos;
  • 2.526 jornalistas;
  • 2.150 startups.

Infraestrutura

O evento conta desde 2016 com redes de internet disponibilizadas de maneira fixa e por wi-fi. Ao todo, foi registrado 12,6 milhões de sessões únicas, um aumento de 30% com relação ao evento do ano passado. Desde 2016, foram gerados mais de 248 terabytes de tráfego nas redes do evento.

Altice Arena

Destaques do evento

Em 2019, uma das palestras mais esperadas foi a de Margrethe Vestager, vice-presidente executiva da Comissão Europeia. Entrevistada pela  jornalista Laurie Segall, falou sobre o propósito da tecnologia e sua importância em servir pessoas. “Dizem que é preciso uma vila para criar uma criança. Eu acho que é preciso uma comunidade que faça com que a tecnologia sirva os humanos. E é isso que vamos fazer”, afirmou.

Margrethe Vestager, Commissioner for Competition da Comissão Européia, em palestra no Web Summit

Durante a conversa, a comissária da UE colocou uma questão: por que é que as regras da propaganda política deveriam ser diferentes no mundo digital? Vestager dá o exemplo do Twitter, que não permite a publicidade com fins políticos.

Ela acrescenta, ainda, que o Facebook poderia seguir esse exemplo.“Simplesmente não compreendo por quê é que não pedimos as mesmas regras para o mundo digital”, questiona Vestager.

“Temos andado com isto há décadas. Dizemos: ‘muito bem, estas são as regras para a publicidade política’ ou ‘estas são as regras para os debates democráticos’. Por que é que teríamos uma abordagem diferente para o mundo digital?”, completa.

Margrethe Vestager, vice-presidente executiva da Comissão Europeia e a jornalista Laurie Segall no Web Summit.

“Se houver uma relação consumidor e o Facebook, em que apenas é disponibilizado ao usuário determinadas mensagens filtradas, acabou a democracia”, alertou a comissionária.

Fintechs

Margrethe Vestager diz que as fintechs têm o potencial para ter um sistema rápido e que permite agilizar os pagamentos. Mesmo assim, é preciso estar atento aos efeitos que a nova tecnologia terá no mercado financeiro.

Ela defende ainda que para não ter efeitos negativos, as fintechs precisam estar sob regulamentações adequadas. “Estamos muito conscientes do risco de desequilíbrios”, afirmou.

Para ela, é importante refletir sobre “o que será um banco nos próximos cinco ou dez anos? Como serão feitas as integrações? Os bancos tem que ser digitalizados”.

Libra

Desafiada a falar da Libra, a criptomoeda criada pelo Facebook em parceria com outras empresas de tecnologia, Vestager destacou que “se olharmos para a Libra, vemos grandes ambições”. A moeda, que ainda não existe, já perdeu parceiros importantes, como o PayPal e o Mercado Pago pela pouca transparência sobre o projetos futuros.

“A Libra é especial porque ainda não existe. Mas nós temos os poderes para olhar para coisas que ainda estão em fase de projeto. Temos que dizer as empresas de tecnologia: está e a forma que devem nos servir, ela concluí.

Inteligência Artificial

Vestager diz que a inteligência artificial é algo “maravilhoso e que pode nos ajudar nas alterações climáticas”.

Quanto a regulamentação para a IA disse que “precisamos de melhores ferramentas para nos proteger e um dos grandes desafios que temos é que se acabe com a forma como a tecnologia nos rastreia”. Ela compara, ainda, a IA com um espetáculo de mágica: é preciso avisar quando as pessoas serão manipuladas.

Portugal e a revolução digital

Para Marcelo Rebelo de Sousa, atual Presidente da República Portuguesa, o evento “antecipa o futuro”. Ele fez elogios a organização do evento e expressou como é promissor para Portugal sediar um evento com tanta informação, colocando o país como “chave da revolução digital”. O evento tem impacto também no PIB português em quase 2%.

Além de uma oportunidade para criar novas perguntas, o presidente destaca que a tecnologia traz também desafios para o futuro: privacidade das informações, manipulação de dados e até mesmo da política.

“Estamos resolvendo antes do tempo muitos dos problemas do presente e do futuro. Não temos medo do futuro. Conseguiremos”, explica Souza. Falamos da privacidade este ano, do medo da manipulação. Sabemos que a política e a lei estão atrasadas para resolver grandes temas. Precisamos de instituições internacionais fortes e de uma democracia mais forte”, ele conclui.

Por Vivianne Vilela, diretora executiva do E-Commerce Brasil, enviada especial para o Web Summit.

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