Redação E-Commerce Brasil

Como a Rússia alavancou seu e-commerce em três anos com mudança na legislação

Quinta-feira, 08 de agosto de 2019   Tempo de leitura: 4 minutos

O e-commerce crossborder na Rússia, especialmente as vendas para fora do país, tem crescido exponencialmente nos últimos três anos.

O comércio das lojas russas para o resto do mundo movimentou US$ 430 milhões (R$ 1,68 bilhão) em 2016, US$ 746 milhões (R$ 2,92 bilhões) em 2018 e deve gerar US$ 10 bilhões (R$ 39,2 bilhões) nos próximos anos, segundo Igor Subow, vice-presidente de Logística e Crossborder da E-Commerce Russia Association. E esse crescimento aconteceu após uma mudança na legislação do país.

Igor Subow (sentado) e Maurits Bruggink no Fórum E-Commerce Brasil 2019/Dinalva Fernandes

Junto com Maurits Bruggink, secretário-geral da EMOTA (Associação de Omnichannel e Comércio Eletrônico da Europa, em tradução livre), durante o Fórum E-Commerce Brasil 2019, ele explicou os principais pontos que ajudaram nesse resultado e como isso pode ser exemplo para o Brasil.

“O Brasil e a Rússia têm muitas semelhanças, como a porcentagem da população que usa e-commerce: 30%. O que representa 1% do e-commerce global. O número de compradores online é baixo. Na Europa, por exemplo, o percentual é de 60%”, afirmou Subow.

Mudança na legislação

Em dezembro de 2015, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, criou um programa especial para desenvolver a área. A ideia é de que o governo russo apoiasse as empresas de comércio eletrônico do país para expandir a venda de produtos em mercados internacionais.

“Foi dessa forma que criamos o Centro de Exportação de E-commerce, há três anos, para ajudar as empresas a negociarem com companhias estrangeiras”, explicou o executivo. “O e-commerce crossborder não só abre novos mercados internacionais, mas também reduz o número de intermediários entre as empresas e o consumidor final.”

Exemplo europeu

“Um dos maiores problemas do crossborder é quando o produto desaparece. Na Europa, por exemplo, um item enviado à França pode aparecer na Espanha e, muitas vezes, o produto desaparece momentaneamente do sistema”, completou Bruggink, secretário-geral da EMOTA.

De acordo com Subow, três anos atrás, o número de vendas online da China para Brasil e Rússia era o mesmo. Agora, a Rússia movimenta cinco vezes mais. “Um dos fatores desse aumento é o rastreamento. 80% dos produtos não eram rastreados. Hoje, 60% dos produtos comprados de sites chineses podem ser rastreados. Então, você sabe onde estão”.

Outro ponto muito importante é a experiência do consumidor. “Na Rússia, existem procedimentos muitos bons para falar com clientes, e apenas 2% dos produtos são parados na alfândega. A demora também diminuiu. Os produtos demoravam até três semanas para chegar. Hoje, demora uma semana. 1% dos pacotes são devoluções de compras de até US$ 20, a maioria do Ebay. Mas ainda tem muito que melhorar”, ponderou.

Vantagens de vender por marketplace no crossborder

  • É mais fácil vender: cerca de 36% do comércio online da Rússia acontece em marketplaces;
  • Confiança nos compradores: muitos produtos são vendidos pelo eBay, que começou a atuar no país há dois anos;
  • Proteção dos vendedores: o Alibaba começou a desenvolver o próprio modelo de zona livre na Europa.

Em compensação, veja os três maiores desafios:

  • Experiência limitada dos vendedores;
  • Infraestruturas deficientes;
  • Ausência de apoio do governo.

Assista também: China X Brasil: diferenças inspiradoras

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil

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