Redação E-Commerce Brasil

“As redes sociais definem o que pode ou não ser compartilhado”, diz Snowden

Terça-feira, 05 de novembro de 2019   Tempo de leitura: 6 minutos

O primeiro dia do Web Summit 2019 contou com diversas atrações importantes para o setor online no Center Stage, em Lisboa. E, logo na abertura, os participantes puderam aprender mais sobre segurança na internet com Edward Snowden, que falou ao vivo da Rússia, via videoconferência. Ele foi entrevistado por James Ball, presidente  do The Bureau os Insvestigative Journalism.

O ex-analista de sistemas da CIA e da NSA considera que as grandes empresas de tecnologia não estão manipulando dados, mas sim as pessoas. “Se há algo que aprendemos a partir de 2013 é que “tudo vaza. É sobre estratégia”, pontua.

Segundo ele, há uma tendência generalizada para que todos confiemos nas empresas que nos fornecem os serviços de tecnologia que hoje consideramos indispensáveis. No entanto, Snowden adverte que “estas empresas são geridas por pessoas que fazem tudo para beneficiar os interesses das próprias empresas”.

Questionado se a GPDR (General Data Protection Regulation ou Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados) não protege os cidadãos dentro da União Europeia desse abuso, Snowden afirmou que a atual legislação não é suficiente para regular este problema, pois “o verdadeiro problema não é a proteção desses dados, mas sim o seu armazenamento. Esse armazenamento permite, a qualquer momento, traçar o perfil da qualquer pessoa”, esclarece.

Denúncia e divulgação

Snowden falou ainda sobre o que o levou a denunciar e divulgar os serviços de vigilância massivos da NSA afirmando que “começamos a vigiar as pessoas antes destas infringirem a lei. É o que eu chamo de criação de registro permanente, que cria graves problemas para a democracia. O nosso dilema é saber o que fazer quando as instituições mais poderosas da nossa sociedade se tornam as menos confiáveis. É uma pergunta que esta geração tem que responder”.

As redes sociais

“Empresas como Facebook e Google criarão o registro permanente de dados pessoais, sobre o dia adia das pessoas. Ninguém nas esferas de poder tentou deter isso. Os direitos das pessoas não interessam. O que se faz quando as instituições que deveriam cuidar da população dos seus países se tornam irresponsáveis para com a sociedade que governam?”, questiona.

O ex-agente afirma que a sociedade está vulnerável com a abundância de dados disponíveis nas redes sociais: “Nós temos um sistema embrenhado que torna a população vulnerável para os mais poderosos e ricos. Os seus modelos ajudam os governos a vigiarem o povo em cada momento das suas vidas.”

“Ao longo destes seis anos, sinto que as pessoas estão zangadas com as empresas/pessoas erradas e não com os respectivos governos. O modelo de negócio do Facebook, por exemplo, é terrível. Nós legalizamos o abuso da privacidade do cidadão”, pontua.

“Os dados dos usuários foram e são utilizados para atacar e prejudicar o público. Em última análise as redes sociais hoje definem o que pode ou não ser compartilhado. Todos os intermediários entre nós e as redes sociais e o Google que estamos falando nos controlam. Não são os dados que estão sendo manipulados, são as pessoas”, explica.

Vigilância constante

Ainda de acordo com Snowden, os profissionais e os empreendedores neste universo da tecnologia tem que perceber qual é o problema real por trás da política e da economia: cada vez é menos permitido deter algo.

“O celular que está no bolso de cada um, nesta arena, está registrando, neste momento, onde cada um está. E, se usarem o wi-fi do evento, a quantidade de dados coletados de cada um é absurda. Onde estes dados serão usados? Por quanto tempo? E estes seus dados, junto com todos os outros, estão sendo utilizados para manipular cada um aqui, cada país aqui representado”, explica.

“Novas tecnologias são usadas por entidades privadas para maior bem público. Mas o benefício final justifica seu custo? Os dados não são abstratos. Atualmente, a maioria dos dados é sobre pessoas. São pessoas que são exploradas e manipuladas. Ferramentas destinadas a proteger o público foram usadas para atacar o público”, complementa.

“As nossas comunicações não são só nossas. Criptografia e blockchain são o futuro das comunicações para preservar a privacidade quando tantos dados pessoais. O que você faz quando as instituições mais poderosas da sociedade se tornam as instituições menos responsáveis ​​da sociedade? O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente”, finaliza Snowden.

Leia também: Startups brasileiras participam do PITCH no Web Summit 2019

Por Vivianne Vilela, diretora executiva do E-Commerce Brasil, enviada especial para o Web Summit

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