Redação E-Commerce Brasil

Porta dos Fundos: Tabet fala sobre realidade e futuro do conteúdo para mídia online

Sexta-feira, 17 de agosto de 2018   Tempo de leitura: 4 minutos

Entre palavrões, piadas e muita descontração, Antonio Tabet, o Kibe, sócio do Kibe Loco e do Porta dos Fundos, contou ao público do Fórum E-Commerce Brasil 2018 um pouco de sua trajetória e do que espera para o futuro do conteúdo para o negócio digital. Em um painel de perguntas e respostas, Rodrigo Nasser, especialista de tecnologia e fundador do ITU Partners, iniciou o bate-papo:

Rodrigo Nasser – Qual a receita de sucesso do Kibe Loco, que nasceu em 2002, época onde a internet era um verdadeiro matagal, desprovida de um monte de tecnologias?

Kibe – Parece engraçado dizer, mas nessa época o site tinha mais audiência do que UOL e BOL, por exemplo. Acho que o principal diferencial estava na qualidade do conteúdo. Eu sempre me preocupei com os pequenos detalhes. Corrigia erros de digitação, deixava tudo o mais correto possível. Naquele tempo havia um boom de blogs, formados em sua maioria por garotas 14 anos. Eu queria fazer um jornal, mas como era muito difícil, decidi criar um Blog. Evitava até falar palavrão para aglutinar o maior número de pessoas possível. Acho que isso contribuiu para despertar a curiosidade do público.

Nasser – O Porta dos Fundos, que chegou praticamente 10 anos depois, teve inspiração no Blog?

Kibe – Muita. Por conta de estudos que eu fazia para o Kibe Loco, sempre por mera curiosidade, descobri que os acessos aumentavam de segunda e quinta-feira, às 11h horas (muito provavelmente o pessoal enrolava mais dentro das empresas até dar a hora do almoço). Foi ali que priorizei as publicações do Kibe Loco, e o mesmo aconteceu no Porta dos Fundos.

Nasser – O conteúdo do Porta dos Fundos foi pensado em algum público específico?

Kibe – Não. Ele foi totalmente orgânico. Nós já tínhamos trabalhado na Globo, e tudo o que tentamos fazer lá e não pudemos, fizemos no Porta. Foi engraçado, porque no início a maioria era de pessoas de 40, 50 anos. Com o tempo, esses “pais” começaram a passar aos filhos e atualmente todo mundo assiste. Hoje tentamos não agradar mais o público que já temos, pois a maioria é masculina. Então moldamos o conteúdo para o perfil feminino e percebemos um aumento significativo de mulheres no canal.

Nasser – Qual a sua visão sobre a mídia veiculada na TV e na internet?

Kibe – Acho que a mudança já está acontecendo. O mercado consumidor está diferente. A audiência da TV está caindo e a internet subindo. O celular está na mão do consumidor, é pessoal, direto com a pessoa, e a TV é praticamente uma lareira na sala de casa. Em nosso país, o mercado publicitário trabalha de um jeito viciado. Mas será viciado até o cara do lado apostar em uma nova mídia e dar certo. Logo, o profissional do marketing vai ter que mostrar o relatório, e o concorrente pode passar um mais assertivo, que é sobre a internet, e deixá-lo para trás.

As coisas estão mudando. Veículos tradicionais tratam a internet como concorrente, mas ela é um braço desse sistema. É preciso dar facilidades às pessoas, e na TV não é esse caso. Para nós, cada comercial acontece um fenômeno: a audiência sobe. Na ocasião que criamos a propaganda da Spoleto, pedimos uma autorização à empresa e eles disseram: “nem em outra vida”. Mudamos o nome para não levarmos processo e subimos. Deu tão certo que eles nos patrocinaram por um ano.

O retorno da LG com uma propaganda no Porta dos Fundos foi 700% maior quando comparado ao comercial no Faustão, por exemplo. Detalhe: com um custo muito menor. Você precisa dar conteúdo para o cara te ver. Hoje, existe muito branding content, as marcas querem ser vistas. Dá pra fazer um programa de esporte da Netshoes, outro de viagem da Gol, por exemplo. Eles têm essa oportunidade e muita grana para investir, mas ainda não o fazem.

Nasser – Hoje você faz parte do marketing do Flamengo e passou a lidar com as redes sociais do time. Como você administra isso?

Kibe – Confesso que é muito bizarro. Todo mundo tem uma relação pessoal com o time e, por meio do celular, tende a dramatizar muito. Sempre existe muita crise, crise, crise… Eles vão atrás disso. Nesse âmbito o Twitter é a escória da humanidade. É ódio puro reunido em um único lugar. No Facebook já é diferente, pois ali as pessoas precisam ser mais reais, a família delas faz parte daquele universo. Já o Instagram é o país da maravilha. Ali sempre está tudo ótimo e perfeito. Por conta dessas diferenças, eu gosto de entender o feedback das pessoas pelo Facebook, porque ali é mais meio termo. Vale lembrar que o Flamengo era o oitavo nas redes sociais quando cheguei. Hoje ele passou até o Corinthians.

Nasser – O que você acha do modelo de mídia “caça-clique”?

Kibe – Algumas pessoas caem no caça-clique. Tem gente que faz dinheiro. Mas eu acho que o futuro é aproveitar o consumidor onde ele estiver, por geolocalização, porque muitas vezes a gente acaba comprando quando não tem necessidade alguma. Acho que isso vai funcionar a médio prazo. Mas, claro, acho que a produção de conteúdo da marca também é melhor, pois você vai ganhar um fã e ele vai se divertir com a sua marca.

Por Giuliano Gonçalves, da redação do E-Commerce Brasil

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