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  Redação E-Commerce Brasil

Pesquisa do Google mostra maturidade do brasileiro no ambiente digital

Quinta-feira, 04 de abril de 2019   Tempo de leitura: 8 minutos

O Google realizou, em parceria com a McKinsey, um estudo inédito sobre o uso qualitativo de dispositivos digitais no Brasil. Para tal, foram realizadas três perguntas sobre a relevância do ambiente digital para os brasileiros:

Quais são as competências digitais que o brasileiro domina e não domina?

Onde estão as maiores oportunidades de capacitação do ambiente digital?

E o que o índice significa para a economia?

Maria Helena Marinho Fernandes, gerente de Market Insights, o Índice de Maturidade Digital é o início de uma pesquisa contínua e inédita sobre o assunto no Brasil. Para ela, “o brasileiro tem vocação para o digital”, mas ainda há um longo caminho a se percorrer para alcançar experiência profissional no assunto.

Uma das preocupações do estudo, explica a executiva, é entender como a digitalização da população pode trazer retorno financeiro para as pessoas e impactar suas vidas de maneira positiva. A pesquisa mostra que é possível diferenciar a grande parcela da população conectada com o uso produtivo do ambiente digital.

A pesquisa foi feita com 2.477 pessoas em 12 estados e 28 cidades. Foram respondidas perguntas, com nota de 0 a 5 sobre a aptidão do indivíduo com relação ao acesso, segurança, uso, cultura e criação. Dessa forma, cada categoria ficou com uma nota média de acordo com a proficiência do brasileiro nos diversos assuntos que a englobam.

Acesso

Por exemplo: a nota média na categoria Acesso é 3,5. Aqui, são incluídas habilidades como ligar, configurar e conectar aparelhos eletrônicos. A maior parte dos entrevistados alegou dominá-las. Já atividades que requerem maior conhecimento técnico, como uso de softwares de voz e configuração específica de programas, são relatados com notas baixas. Ou seja, não são dominadas pela população.

Segundo o We are Social de 2018, sete em cada 10 brasileiros estão presentes em alguma rede social. O valor é 45% acima da média mundial. Esses dados provam que o acesso é uma realidade para a maior parte dos brasileiros, sendo a troca de mensagens por aplicativos o principal uso reportado na pesquisa.

Além disso, de acordo com o IBGE, 67% da população tem um smartphone, o que aumenta a importância do mobile na percepção do universo digital do país. Ao todo, são 9 horas por dia empreendidas pelo brasileiro na internet.

O consumo de vídeos cresceu significativamente nos últimos quatro anos também – 135% – e o Brasil é o 4º colocado em tempo de visualização de tela do YouTube. A cada 10 usuários, nove dizem buscar novas formas de conhecimento.

Uso

A segunda competência avaliada sobre a proficiência foi o Uso. Nesta categoria, o brasileiro também fica na média com nota de 3,4 pontos. Pelas respostas coletadas, o brasileiro ainda tem grandes dificuldades e incertezas a respeito das informações salvas na “nuvem” sem um aporte físico.

No Brasil, as atividades digitais como compras e aprendizado estão ganhando visibilidade mas ainda não são aproveitadas com profundidade pelo brasileiro. O país encontra-se como 4ª potência de presença online, mas em 8ª posição quando se trata de consumo online.

As transações online foram relatadas como um ponto negativo também. Por outro lado, destacam-se as avaliações positivas sobre o uso de aplicativos de mensagens – atualmente, 83% das atividades estão relacionadas a eles – e buscadores para as mais variadas funções.

Cultura Digital

Para quem depende do crescimento do comércio eletrônico, no entanto, a evolução da Cultura Digital aponta que o brasileiro se dispõe a aprender através da experimentação e se engaja em reviews e avaliações de lançamentos na internet.

Segurança

A pesquisa indica, que, com relação à Segurança, o brasileiro consegue reconhecer situações em que seus dados estão em risco no ambiente digital. Dessa forma, o usuário tem, nos casos relatados, maior capacidade de cuidar de suas informações pessoais na rede.

Por outro lado, a nota é prejudicada pela falta de discernimento para sites confiáveis. O usuário sente dificuldade em distinguir um site com potencial para compartilhar informações falsas (fake news) de um com fontes confiáveis. Foi relatado na pesquisa um sentimento de insegurança ao navegar na internet.

Criação

A habilidade Criação foi a que recebeu a pior nota por parte dos usuários em ambiente digital. A pesquisa indica que esta é uma das segmentações que causa maior impacto na renda da população. Como aspecto negativo, o usuário tem pouca maturidade com ferramentas que envolvem o conceito de machine learning e uso de sistema de dados.

Como aspecto positivo, existe uma aproximação de conhecimentos como edição de material em vídeo, além de criação e desenvolvimento de apresentações.

Sendo Criação a atividade mais sofisticada, consequentemente é que tem menor nível de maturidade por parte da população.

Fonte: Digital Skills Index, McKinsey, 2019.

Assim, o desenvolvimento das habilidades de criação representam grandes oportunidades culturais, sociais e econômicas para o usuário brasileiro.

Combinação das habilidades

Aproveitadas, as habilidades podem ter um impacto positivo de até R$ 380 na renda mensal de indivíduo que as domine. Esse valor corresponde a 40% do atual salário mínimo. Os dados da McKinsey projetam um aumento de 15% no Produto Interno Bruto (PIB) para os próximos anos (até 2025) caso as habilidades sejam trabalhadas e aplicadas em atividades econômicas.

O desenvolvimento de tais habilidades, em um valor numérico, representaria um aumento de US$ 70 bilhões no PIB nos próximos cinco anos.

A internet é para todos?

O ambiente digital está cheio de oportunidades, mas nem todos têm acesso a elas ainda. Pessoas de baixa renda têm o acesso 10% menor a rede do que as classes A e B. O uso, por sua vez, é 14% menor. Nesse cenário, a pesquisa indica que a falta de acesso impacta de maneira negativa o desenvolvimento das demais habilidades, restringindo as oportunidades online.

A pesquisa Aging Free Fair, da FGV em 2018, apontou que 70% das empresas acreditam que os mais velhos não conseguem acompanhar as inovações tecnológicas. O índice de maturidade realizado pelo Google revela que os idosos têm um aproveitamento 20% menor do que a média geral com relação às habilidades avaliadas. Com relação a categoria criação, a de maior impacto, a diferença é de 30% menos aproveitamento que a média da população.

Mulheres jovens também são impactadas pela diferença de acesso e criação. Nessas habilidades, as respostas delas correspondem a 10% menos do que a média dos homens (em proficiência na habilidade questionada).

No mercado de trabalho, há reflexos dessa discrepância, entre outros fatores: somente 10% das candidatas para vagas de TI são mulheres, segundo a Revelo. Em 2018, somente 15% das inscrições para a o curso de Ciências da Computação na Universidade de São Paulo eram mulheres.

Como a maturidade do uso digital está impactando a renda no Brasil?

Para Paula Castilho, sócia da McKinsey, existe uma grande diferença de conhecimento técnico entre as parcelas da população com relação à maturidade digital.

Segundo ela, o domínio e desenvolvimento das atividades digitais refletem o impacto econômico do ambiente digital na sociedade.

Fonte: Digital Skills Index, McKinsey, 2019.

 

 

Por Júlia Rondinelli, da redação do E-Commerce Brasil

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