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  Redação E-Commerce Brasil

Organizações exponenciais: o que podemos aplicar no e-commerce?

Segunda-feira, 27 de agosto de 2018   Tempo de leitura: 3 minutos

“Qualquer empresa que tenha projetado seu próprio sucesso no século 20 está fadada ao fracasso no século 21”. A frase dita por David S. Rose, fundador da Singularity University mostra como a tecnologia faz parte do processo de mudança do mundo. E, indo um pouco além, podemos pensar: como lojistas podem aplicar as novas tecnologias e gerar resultados satisfatórios para seus negócios?

A resposta pode estar nos ensinamentos do livro “Organizações Exponenciais“, cujo autor, Salim Ismail, palestrou esta semana no Seller Day. Pegando um gancho no assunto da palestra de Salim, que também é embaixador mundial da Singularity Universityo E-Commerce Brasil conversou com alguns especialistas para entender como o conceito de “organizações exponenciais” pode ser aplicado no comércio eletrônico.

De forma geral, a ideia da publicação é analisar como organizações conseguem obter resultados em média 10 vezes melhores, mais rápidos e mais baratos. O primeiro conceito abordado por Salim foi o de que a nossa capacidade de adaptação à mudanças é lenta. “Empresas como Google, Airbnb e Github e a própria Tesla são a prova de que o ritmo das mudanças é realmente muito alto”, disse Salim. Para ele, o desafio é tentar inovar em empresas tradicionais. “É uma tarefa praticamente impossível”, ressaltou.

Mas como mudar essa cultura em empresas convencionais (caso da indústria, por exemplo) que querem migrar para o digital? “Acredito que a resposta para começar qualquer processo de inovação está dentro de cada negócio e não no tempo de existência da empresa”,  explica João Paulo Amadio, especialista em estratégias de e-commerce marketing e transformação digital e Founder da DWBH – Simplificando seu Caminho Digital. Para ele, a clareza de sua razão de existir, de seu propósito como negócio devem ser os alicerces da cultura organizacional. “Por mais paradoxal que possa parecer, a resposta de como evoluir começa na data de sua fundação. Dessa maneira o ponto de partida vem do quão clara é a sua razão de ser, a sua raiz, seu propósito ou seu “porquê” e refletir sempre sobre a pergunta “O que os clientes deixariam de ter em suas vidas se minha empresa não existisse?”, disse Amadio.

A inovação, segundo Salim, também parte do pressuposto de que nos próximos cinco anos a tecnologia vai solucionar o problema de escassez de modo geral. A medida que os custos de energia caem e o desenvolvimento da tecnologia aumenta, a sociedade gera novos modelos de negócio que transformam escassez em abundância. “Nunca tivemos tantas tecnologias se movimentando tão rapidamente, é um momento mágico”, disse Salim.

O autor explica que um dos papeis da Singularity University é justamente entender como as tecnologias podem ser aplicadas para resolver problemas da nossa sociedade e como impactar positivamente o mundo nos próximos 10 anos. Já existem drones, por exemplo, aptos a ajudarem em emergências de socorro médico (assista ao vídeo) ou ferramentas inteligentes como a “Beyond Verbal“, capazes de detectarem o humor das pessoas em tempo real por telefone.

Outra palavra-chave para as organizações se desenvolverem de forma exponencial é a “democracia”. Salim explica que instituições convencionais como casamento, mercado de trabalho, religião e o próprio capitalismo estão se transformando por conta da necessidade de se democratizarem. Lojas virtuais como a Reserva, por exemplo, já oferecem bitcoin como forma de pagamento. Outras empresas, fornecedoras de serviços para e-commerce disponibilizam suas APIs de forma aberta para outros usarem, fomentando ainda mais a democratização do acesso a estas ferramentas. Para Angelo Vicente, Founding Parnert na Ecadeiras, o processo de democratização só acontece por meio da tecnologia, pois é ela quem permite criar escala (a medida que se tornam mais baratas). “Plataformas que não são SaaS (Software as a Service) vão morrer. A Amazon é uma empresa de dados e grande parte da rentabilidade dela vem da tecnologia (plataforma e hospedagem). Não é à toa que ela adquire empresas-chave de tecnologia como Whole Foods. O mesmo acontece na China há muitos anos com Taobao e Tmall – são empresas que vieram de um segmento e já construíram seu próprio ecossistema. Isso é democratização”, conclui Angelo.

“Disrupções no e-commerce” (Salim Ismail):

  • Drones, Delivery Bots;
  • Neuromarketing;
  • AR/VR (Realidade Aumentada/Realidade Virtual);
  • Self-digital Goods;
  • Ecosystems before platforms (Ecossistemas antes de plataformas)

 

Fonte: Singularity University

As cinco chaves (mecanismos externos) do MTP (Massive Transformative Purpose), representados pelo acrônimo S.C.A.L.E.:

  1. Staff on demand (Equipe sob demanda) – Ao invés de “contratar” empregados, as organizações exponenciais contam com forças de trabalho externas – mesmo para processos essenciais.
  2. Community & Crowd (Comunidade e público). A maioria das organizações exponenciais criam e alavancam comunidades para escalar. O TED usa sua comunidade para realizar os eventos do TEDx – mais de 8.000 foram realizadas em apenas cinco anos.
  3. Algoritmos. Ao passo que o mundo se torna dados e informação, as Organizações Exponenciais estão alavancando algoritmos, incluindo machine learning e deep learning para obter novos insights sobre seus clientes e produtos.
  4. Leased Assets (Ativos locados). Em vez de testar seus próprios ativos, as Organizações Exponenciais acessam ou alugam ativos para se manterem ágeis. O Uber não aluga carros, o AirBnB não compra seus próprios quartos de hotel, etc.
  5. Engajamento. Um mecanismo essencial para escalar forças de trabalho, gamificação e primeiros prêmios são extensivamente usados pelas Organizações Exponenciais para atingir escala.

As cinco chaves (mecanismos internos) do MTP (Massive Transformative Purpose), representadas pelo acrônimo I.D.E.A.S.:

  • Interfaces. Quando implementam os elementos acima do SCALE, as Organizações Exponenciais customizam os processos de interface com essas externalidades. Por exemplo, a Quirky customizou os processos de gerenciar sua comunidade de 600.000 criadores. O Uber tem uma forma única de gerenciar todos os motoristas, etc.
  • Dashboards. Para monitorar uma Organização Exponencial, métricas em tempo real são implementadas para rastrear a performance. Internamente, muitas Organizações Exponenciais monitoram indivualmente ou coletivamente a performnace dos times usando a técnica Objectives & Key Results (OKRs). Esta disciplina é usada por Google, Twitter, LinkedIn e muitas outras organizações com hiper crescimento.
  • Experimentação. Para permanecer atento ao mundo externo, as Organizações Exponenciais usam a metodologia Lean ou outras técnicas para experimentar constantemente novas ideias e processos – elas são culturalmente de risco assumido e puxam constantemente processos com ciclos de feedbacks rápidos.
  • Autonomia. As Organizações Exponenciais devolvem autoridade para o nível extremo de descentralização. Em muitos casos, um membro de uma comunidade tem habilidade completa para agir no comportamento núcleo da organização (exemplo: organizadores do TEDx). A tomada de decisão, mesmo em funções críticas de missão crítica, é distribuída para as bordas de uma Organização Exponencial.
  • Social. Todas as Organizações Exponenciais utilizam ferramentas colaborativas, compartilhamento de arquivos ou fluxos de atividades para gerenciar conversas em tempo real e sem latência em toda a empresa.

Fonte: Octaviourzua

Alice Wakai para o Portal E-Commerce Brasil

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