Acesso rápido
  Redação E-Commerce Brasil

Marketplaces: as mudanças no cenário, novos entrantes, regulações e amadurecimento do setor

Sexta-feira, 19 de outubro de 2018   Tempo de leitura: 2 minutos

Segundo dados da Precifica, o número de lojas em marketplaces cresceu quase 91% entre setembro de 2017 e setembro de 2018. Mesmo sendo um mercado em expansão, os especialistas de e-commerce e varejo digital divergem em suas opiniões. Alguns acreditam que o canal é uma ótima estratégia de venda, outros afirmam que as plataformas funcionam como monopólios e possuem práticas injustas como cobrar taxas abusivas do lojista e deixar o lojista na mão em caso de litígio com o consumidor.

Apesar das polêmicas, Gabriel Villa, Business Designer da VTEX explicou alguns itens importantes de funcionamento das plataformas, para que os varejistas que estão planejando vender pelo canal. A palestra aconteceu durante a Conferência E-Commerce Brasil RIO 2018

Uma vantagem do modelo é centralizar todas as ofertas em um lugar só, o que, segundo Vila, otimiza a conversão de vendas. “No início dos marketplaces no Brasil, o Buscapé virou referência de compra, pois centralizava todos os lojistas num lugar só. Isso fez surgir a cultura do Marketplace”, lembra Gabriel.

O modelo cresceu tanto que os marketplaces passaram a funcionar como bancos. “Sem o IVA (Imposto de Valor Agregado), é preciso solucionar a questão da distribuição do pagamento para os lojistas por meio do split. Não é a à toa que o Banco Central passou a regulamentar essas transações por meio de uma liquidação financeira centralizada”, explicou.

Já o buy box (espaço de maior destaque dentro do anúncio de um produto nos marketplaces), por exemplo, é um dos fatores de compra mais importantes dentro das plataformas, mas também um dos mais difíceis de se compreender. Além de estimular a competição entre os sellers, o buy box acaba sendo um grande limitador de vendas. “Se você não é o primeiro, acaba perdendo a venda”, disse  Gabriel. Mesmo assim, Gabriel acredita que há muito espaço para vender.

Se todas as suas vendas são Amazon, sua plataforma é o Excel

Para Gabriel, a pulverização do mercado de marketplaces brasileiro é outro ponto positivo. Enquanto nos EUA, a Amazon detém 51% do e-commerce, na China, a JD e o Tmall (Alibaba) dominam o mercado e na Europa os modelos de marketplaces predominantes são os regionais (Alegro, CDiscount, Otto), no Brasil a concorrência é maior. “Quando você está na mão de um mercado monopolista é como ‘lutar com um gorila’. Por isso sou otimista e acredito que a melhor opção é que não haja esse monopólio no Brasil”, disse.

Bons motivos para montar um marketplace

Gabriel acredita que uma solução é entrar em marketplaces menores, de preferência aqueles que fazem mais sentido para um determinado perfil de negócio. “Se 95% das suas vendas estão no marketplace, significa que sua loja está abandonada. Será que não tem oportunidade para vender em um canal grátis, mesmo sem mídia? Sua loja passa credibilidade? Suas ofertas estão bem montadas?”, questionou.

Entre as vantagens de criar uma plataforma de marketplace estão:

  • Oportunidade de expandir estoque e garantir sortimento da sua loja, sem custo de capital;
  • Rentabilizar sua base, garantindo experiência (caso da Shopfácil, Modait);
  • Juntar sortimento de lojistas para aumentar conversão (Elo 7 e Estante Virtual);
  • Ser o dono do dinheiro (ou dos pontos ou dos créditos) marcado para compras (multiplus e dotz);
  • Funcionar como um hub físico (aumentando as entregas expressas e a conveniência) como é o caso do Delivery Center, Shopping Cidade Jardim e outros.
  • Parte do trabalho de um marketplace é fazer a curadoria e saber quais produtos terão mais valor para o cliente. Essa curadoria se traduz em distinção da relação do cliente com a marca (Olhar Digital, Wish);
  • Mídia: muito acesso e transformação de CPM/CPC em CPA. (SBT, Afilio e UOL)

Pontos de atenção ao escolher o marketplace ideal:

  • Presteatenção na comissão cobrada pelo marketplace: a conta fecha?
  • Relevância: o marketplace é relevante para o nicho de produto que você vende? (volume potencial)
  • Existe competição (direta ou via sellers) dentro do marketplace?
  • SEO: seu conteúdo de produto vai ser usado contra você mesmo (por concorrentes)?
  • Chancela: o marketplace potencializa sua marca?

Qual portifólio de produtos você vai colocar no marketplace?

  • Calcule suas margens por produto (custos marginais). Produtos que não têm margem, não podem ser ofertados no marketplace. Não inclua custos fixos nessa conta e identifique oportunidades de comprar melhor.
  • Não entregue o ouro para o bandido: marketplaces que vendam diretamente seu produto (ou similares) devem ser tratados com cuidado;
  • O preço não precisa ser o melhor, se você tem estoque (aproveite a ruptura alheia no buybox, tenha sangue frio nas promoções)
  • Ads são bons, mas fique de olho se o marketplace entrega o que promete (lembre que anúncio no marketplace não gera recompra para você, mas pode ajudar a manter seu produto no resultado de busca)

Cross border

O marketplace pode ser uma saída mais fácil para testar mercados, caso da Havaianas que vende no Tmall (China) ou da Tramontina que vende na Alegro (Polônia). Você pode, inclusive, usar um preço mais premium. ‘Mesmo que você não venda em nenhum marketplace aqui no Brasil, talvez faça sentido você vender em um marketplace em outro país’, finalizou.

Deixe seu comentário

0 comentário

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentando como Anônimo

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

  Assine nossa Newsletter

Fique por dentro de todas as novidades, eventos, cursos, conteúdos exclusivos e muito mais.

Obrigado!

Você está inscrito em nossa Newsletter. Enviaremos, periodicamente, novidades e conteúdos relevantes para o seu negócio.

Não se preocupe, também detestamos spam.