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  Redação E-Commerce Brasil

Cresce a importância do marketplace no comércio eletrônico brasileiro, defende head do Ebit/Nielsen

Terça-feira, 22 de outubro de 2019   Tempo de leitura: 10 minutos

“O que é marketplace?” Ana Szasz, head do Ebit/Nielsen, começou sua palestra no Marketplace Conference 2019 com essa indagação. O marketplace, plataforma de vendas online, é como um shopping center online, em que diversos lojistas e marcas podem vender. O modelo funciona através da infraestrutura da plataforma e da venda dos lojistas que gera comissão ao marketplace.

Ana Helena Szasz, head do Ebit/Nielsen, no Marketplace Conference 2019./Foto: Valério Baeta.

Este modelo de venda vem crescendo no Brasil e no mundo e hoje já representa uma fatia significativa do e-commerce. Para dar alguma luz sobre o assunto, a executiva aceitou o desafio de levantar as informações mais relevantes do setor e comentar as principais tendências para os próximos anos.

Segundo ela, para ter sucesso vendendo ou operando em um marketplace, é preciso testar e perceber o que o consumidor busca. “O que é mais legal desse momento dos marketplaces é que não tem receita que vá dá certo”, explica Szasz. Dessa forma, as possibilidades de crescimento e invenção de novos padrões são ainda maiores para quem vende online.

Cronologia e evolução mundial

O primeiro marketplace a se destacar como uma plataforma para abrigar outros vendedores foi o eBay. A princípio, tratava-se apenas de uma reunião digital de colecionadores e consumidores de itens raros. Mas a história, como podemos ver hoje, não parou por ai.

“Sabemos que essa longa história começa lá atrás com o eBay, mas ainda temos coisa para aprender”, diz Szasz. Depois do eBay, a Amazon e o Alibaba entraram em seus respectivos mercados com passos tímidos, mas importantes. Hoje, os dois gigantes disputam espaço com crescimento global. Atualmente, a Amazon, que começou vendendo apenas livros, é avaliada em US$ 1 trilhão.

Evolução cronológica do marketplace no mundo

 

Já no Brasil, o destaque dos marketplaces é mais recente, mas sua história começa com as lojas online que abriram caminho entre os consumidores para criar um cenário digital mais propício.

Evolução cronológica no Brasil

Crescimento dos top 50 marketplaces no Brasil

Dos marketplaces que compartilham os dados com a Ebit/Nielsen, é possível ter uma percepção da relevância desse modelo no Brasil. Somente no primeiro semestre de 2019, o marketplace teve um crescimento de 13%, comparado aos 12% da média do e-commerce. O faturamento, por sua vez, foi de R$ 17, 6 bilhões, enquanto o e-commerce faturou R$ 26, 4 bilhões. A pequena diferença do faturamento em relação ao crescimento médio mostra que o marketplace está ganhando cada vez mais adeptos.

Ao analisar o número de pedidos, o marketplace fica ainda mais pra trás do e-commerce, com 36 milhões e 65 milhões respectivamente. O ticket médio, em contrapartida, é maior no marketplace. A executiva explica que a diferença entre a média do e-commerce e do marketplace é uma consequência do grau de evolução de cada um no mercado, “pois estão em fases e propostas diferentes de desenvolvimento”.

Top 50 marketplaces cresceram 13% no primeiro semestre de 2019

Esses 50 principais marketplaces são responsáveis por 67% do faturamento da modalidade e 55% dos pedidos de todos os marketplaces no Brasil com relação à venda de produtos de bens de consumo. “Tem oportunidade para todo mundo”, defende Szasz.

Faturamento por região

Ao analisar o faturamento por região geográfica, a que tem mais destaque devido ao crescimento é a Sudeste, que cresceu 33% no primeiro semestre de 2019 em comparação ao mesmo período do ano passado.

A região que apresenta maior faturamento ainda é a Sudeste, com R$ 10, 4 bilhões no período analisado. Ao mesmo tempo, o crescimento das demais regiões em comparação ao Sudeste (com apenas 11%), mostra que o comércio eletrônico começa pouco a pouco a se espalhar para o Brasil e se tornar menos dependente do eixo que até então foi de destaque.

Szasz defende que o crescimento das regiões menos expressivas se dá pela tentativa bem sucedida de oferecer novas soluções ao consumidor. “Essas regiões que crescem por fazerem parcerias e por pensar fora da caixa”, diz a executiva. Isso porque não dispõem das mesmas tecnologias e infraestruturas que permitem o grande faturamento do Sudeste. Mas encontram maneiras de se adequar e atender às necessidades dos consumidores com outros tipos de solução.

M-commerce em marketplace

As compras em marketplace realizadas pelos dispositivos mobile já são 43% do total. Os pedidos no m-commerce já correspondem a R$ 15,5 milhões, com um share de produtos de 36%.

Crescimento por categoria

O marketplace dá grande visibilidade para a venda de produtos não duráveis online. A categoria de maior destaque é Moda e Acessórios, com 23% do total vendido. Em seguida, destacam-se Eletrodomésticos e Casa e Decoração, com 13% e 12% respectivamente.

“Bens não duráveis geram mais pesquisa, audiência e conversão”, defende Szasz. Segundo a executiva, para quem vende bens duráveis, é preciso diversificar as opções de venda, já que o consumidor se engaja com mais facilidade com produtos que requerem recorrência. Dessa forma, uma loja que vende artigos de decoração pode também vender vinhos para atrair o consumidor mais vezes para o seu site.

Prova disso são as categorias que apresentaram maior crescimento. Diferentes das mais compradas, destaca-se Alimentos e bebidas, bens não duráveis, com variação de 112%.

Ana explica que é preciso “mudar paradigmas e conceitos, pois não se pode mais olhar para poucas categorias”. Para isso, ela orienta que o lojista deve se questionar quais são as possibilidade de expandir o negócio dele. Além disso, às vezes o consumidor não sabe que precisa de algo que o lojista pode oferecer. Ou então, não sabe que pode ser comprado online e o lojista que oferecer tal produto terá destaque.

Frete grátis e retire na loja

38% dos pedidos realizados nos top 50 marketplaces analisados pelo Ebit ofereceram frete grátis. Além de deixar o consumidor mais propenso a fechar a compra, o frete grátis ajuda o e-commerce a atrair novos consumidores. “Não é sem estratégia e planejamento”, explica Szasz, “faz parte do custo de aquisição de um novo consumidor”.

Já a opção de retirar na loja física é algo que atrai cada vez mais os consumidores. A região que mais coloca essa estratégia em prática é a Sul, com 16% dos marketplaces permitindo essa opção.

Os motivos que levam o consumidor a preferir a retirada na loja são variados. O principal é justamente não querer pagar o valor do frete. Em seguida, destaca-se a necessidade de ter o produto imediatamente, ter uma loja de retirada no caminho diário do consumidor e até mesmo não ter quem receba o produto em casa.

A participação do retire na loja para o varejo

O lojista precisa se ater ainda, de acordo com a executiva, à possibilidade dos serviços de entrega não alcançarem todos os CEPs e regiões da cidade ou arredores. Com a opção de retirar da loja, mais consumidores podem realizar compras online.

Formas de pagamento

O levantamento do Ebit mostra ainda que o consumidor do marketplace parcela mais no marketplace do que no e-commerce em geral. As parcelas de 4 a 12 vezes são uma opção para 35% dos consumidores.

O cartão de crédito continua o principal meio de pagamento das compras online. O boleto, por sua vez, é uma opção segura para uma grande parte da população que ainda é desbancarizada.

Importância do parcelamento

Importância dos sellers

Muitos marketplaces, ainda, vendem produtos próprios dentro da plataforma. Do primeiro semestre de 2018 em comparação ao primeiro de 2019, no entanto, aumentou em 2% a importância do seller dentro da plataforma. Para Szasz, isso revela uma oportunidade dos lojistas explorarem o conceito de marketplace.

A head do Ebit/Nielsen defende que existe pontos positivos e negativos em vender dentro de um marketplace. Por um lado, existe uma audiência gerada pelo nome, consumidores que já circulam pelo site e aparecer com prioridade na busca de um possível consumidor. Por outro, o marketplace proporciona uma competição pelo preço que pode ser prejudicial ao lojista, além de gerar comoditização do produto.

Segundo ela, para se destacar, o lojista dentro da plataforma precisa investir em boas descrições e conteúdo próprio. “Não terceirize conteúdo, pois as pessoas querem detalhes”, diz Szasz.

Ela destaca a ainda a importância de fornecer informações confiáveis como um fator de conversão: “se você não estiver falando, alguém vai falar por você”.

Como o consumidor vê o marketplace

O levantamento apurou ainda a perspectiva do consumidor com relação ao marketplace. 64% dos consumidores sabiam do que se tratava. 12% imaginavam que qualquer loja online poderia receber essa qualificação.

Mas por que os consumidores usam o marketplace?

A principal razão, segundo a executiva, não é a intenção de compra, mas a de comparação de preços. Além disso, muitos consumidores exploram as páginas dos marketplaces a procura de mais informações sobre determinado produto e avaliações de consumidores que já o tenham comprado.

Como ferramenta de pesquisa de preço, muitos usuários navegam pelo marketplace pelo dispositivo móvel dentro da loja física.

Ferramenta de pesquisa de preço

Promoções: ponto pro marketplace

Outro grande fator que atrai a atenção dos consumidores é a possibilidade de encontrar promoções. 36% dos consumidores apontaram esse fator como um dos 10 pontos fortes do marketplace.

Dos pontos negativos, o preço do frete é apontado entre os 10 fatores que poderiam melhorar. Promoções, em contrapartida, também aparecem nessa lista como um ponto a melhorar.

Para a executiva, a recorrência no fator promoção mostra uma preocupação do consumidor. “Os brasileiros estão preocupados com o melhor uso que será dado ao dinheiro que tem”. Para que as compras online caibam no orçamento da maior parte da população, é preciso ter em mente as necessidades de consumo dos brasileiros.

Experiência de compra

A maior parte avalia que teve uma boa experiência de compra no marketplace, 46% boa e 44% ótima. Para Szasz, isso só acontece quando o lojista cumpre o que prometeu, entregando o produto conforme a descrição e dentro do prazo estipulado. “As pessoas querem uma relação de transparência”, ela completa.

Por que os consumidores avaliam bem o marketplace?

Para os consumidores, o principal critério para escolher o marketplace e decidir realizar a compra é encontrar os melhores preços e promoções.

Por que comprar no marketplace?

54% dos consumidores se dizem fiéis aos marketplaces em que realizam compras. Ter segurança e confiança na marca é o principal motivo apontado, mas receber promoções direcionadas e facilidades no checkout também são destaques.

Fidelidade

Ana defende que o lojista precisa saber aproveitar as avaliações para perceber os elogios e críticas como forma de melhorar o serviço oferecido.

Oferecer uma comunicação inclusiva e personalizada faz com que o consumidor desenvolva maior relação afetiva com a marca. Assim, é mais fácil converter consumidores em fãs e gerar recorrência.

Tendências globais

Uma pesquisa da DHL mostra o porquê empresas B2B consideram o e-commerce importante. O principal fator, tanto para hoje quanto para os próximos anos é a capacidade de reter clientes.

Por que as empresas B2B acham o e-commerce importante?

Outro fator que levanta a importância do marketplace é o uso dele como ferramenta de pesquisa de preços. Se essa se tornou uma prática comum entre consumidores, gera um efeito ainda mais significativo para quem trabalha com o mercado B2B.

Uma pesquisa da E-Marketers mostra que, nos Estados Unidos, 78% dos funcionários de procurement começam suas buscas por preço na Amazon ou no Google. Entre os consumidores B2B, 30% afirmam fazer mais compras na Amazon Business depois do surgimento da plataforma. De acordo com a B2Bec News, inclusive, a Amazon Business é o marketplace mais usado para esse tipo de pesquisa.

O cenário norte-americano

Confira a apresentação inteira no link.

Por Júlia Rondinelli, para a redação E-Commerce Brasil

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