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iFood e WGSN indicam 5 tendências que devem transformar o food service no Brasil

Por: Lucas Kina

Jornalista e produtor de Podcasts no E-Commerce Brasil

O food service brasileiro deve avançar nos próximos anos em direção a operações mais automatizadas, maior diversidade de sabores e um consumo cada vez mais influenciado por redes sociais, eventos e experiências consideradas premium. É o que aponta um estudo desenvolvido pelo iFood em parceria com a WGSN, que reúne 15 tendências para o setor no Brasil.

IFood e WGSN indicam 5 tendências que devem transformar o food service no Brasil
(Imagem: Magnific)

Ao todo, 5 movimentos do mercado foram antecipados pelo estudo. São eles:

  • Avanço da inteligência artificial (IA) na operação dos restaurantes;
  • Busca por sabores mais complexos;
  • Influência de acontecimentos culturais sobre os pedidos;
  • Crescimento do "premium acessível";
  • Interesse por culinárias regionais.

A análise combina mudanças de comportamento do consumidor com informações sobre pedidos e restaurantes. Segundo Rafael Araujo, Head de Consultoria para a América Latina na WGSN, o objetivo é observar como transformações mais amplas já aparecem nas escolhas de consumo e na operação dos estabelecimentos brasileiros.

O avanço da IA

Como na maioria das categorias que compõem o varejo, a IA começa a ganhar espaço para além das áreas de comunicação e marketing. O estudo mostra que 75% dos brasileiros utilizaram a tecnologia no dia a dia em 2025, ante 54% no ano anterior. No setor de alimentação, a tendência é que a IA seja incorporada a atividades como:

  • Previsão de demanda;
  • Controle de estoque;
  • Redução de desperdícios;
  • Automação do atendimento.

O movimento acompanha a expansão do delivery, que cresceu 10,7% em 2025 na comparação com 2024. Nesse cenário, sistemas capazes de identificar picos de demanda e ajustar compras e processos podem ganhar espaço na rotina dos restaurantes.

Em uma etapa mais avançada, o estudo aponta para o desenvolvimento de cozinhas com maior nível de automação, conectando equipamentos, sistemas e dados em tempo real.

Busca do consumidor

O repertório de sabores também aparece entre as mudanças identificadas. Para 72% dos usuários do iFood consultados, o próprio paladar se tornou mais complexo nos últimos anos.

Entre os perfis que mais despertam interesse ou curiosidade estão os sabores:

  • Defumado - 38,2% dos respondentes;
  • Agridoce - 35,9%;
  • Picante - 23,7%.

Nesse contexto, o umami, considerado o quinto gosto básico ao lado do doce, salgado, azedo e amargo, ganha espaço em combinações que utilizam fermentados, técnicas asiáticas e contrastes entre diferentes sabores.

A mudança também exige adaptações para o delivery. Segundo o levantamento, 65% dos restaurantes parceiros já modificaram receitas especificamente para preservar características dos pratos durante o transporte.

Molhos, texturas, embalagens e formas de finalização passam, portanto, a integrar a discussão sobre como reproduzir em casa uma experiência próxima daquela entregue pelo restaurante.

Eventos, virais e picos de demanda

A relação entre entretenimento e consumo de comida também ganha peso. De acordo com o estudo de iFood e WGSN, 74% dos consumidores já fizeram pedidos de delivery durante eventos culturais, esportivos ou datas comemorativas.

Os jogos de futebol, como a Copa do Mundo, aparecem como a ocasião mais frequente, citados por 48% dos entrevistados. Datas comemorativas e Ano Novo aparecem com 30%, seguidos por finais de novelas ou séries, com 24%, BBB, com 21%, e shows ou festivais, com 19%.

O comportamento nas redes sociais adiciona uma variável ainda menos previsível. Em 2025, os pedidos de morango do amor cresceram 2.300%. Já em 2026, o bolo pudim registrou avanço de 128%.

Segundo os dados apresentados, um alimento que ganha repercussão nas redes pode provocar aumento de até 35% nos pedidos dentro de um único mês. Entre os usuários, 35% afirmam que a curiosidade pelo sabor os leva a experimentar comidas que viralizam.

Para os restaurantes, o fenômeno amplia a importância de acompanhar mudanças rápidas na demanda, especialmente quando um produto deixa de ser uma tendência nas redes e passa a gerar procura efetiva.

Acesso ao premium

A busca por pequenas experiências de consumo mais sofisticadas também aparece entre as tendências do estudo. Para 36% dos restaurantes consultados pelo iFood, a procura por opções consideradas premium cresceu no dia-a-dia.

A percepção de sofisticação, no entanto, não depende necessariamente de marcas ou estabelecimentos de alto padrão. Entre os consumidores, 53% associam o conceito à utilização de ingredientes especiais. Outros 26% relacionam a característica a chefs ou restaurantes renomados, enquanto 18% apontam embalagens diferenciadas.

O aspecto visual também pesa nessa percepção. Para 49% dos entrevistados, a apresentação do prato é um dos elementos que diferenciam uma opção premium.

A tendência indica espaço para produtos que tragam ingredientes específicos, porções diferenciadas ou maior cuidado na apresentação sem necessariamente se afastarem do consumo cotidiano.

Culinárias regionais

O interesse por pratos de diferentes regiões do país também cresce entre consumidores que ainda não tiveram contato direto com essas culinárias. Entre os entrevistados, 54% nunca provaram barreado, prato típico do Paraná, mas afirmam ter interesse em experimentar. O percentual chega a 49% no caso do tacacá e a 44% para o pato no tucupi, ambos associados à culinária da Região Norte.

Entre pratos que já fazem parte do repertório dos consumidores, a intenção de repetir a experiência também é elevada. Cerca de 73% de quem já provou arroz carreteiro afirma que voltaria a consumir o prato. No baião de dois, o índice é de 67%.

O movimento ocorre ao mesmo tempo em que o delivery avança fora dos principais centros consumidores. O aumento nas regiões chegou as seguintes porcentagens:

  • Norte - 19,4%;
  • Centro-Oeste - 16,3%;
  • Nordeste - 13,5%;
  • Sul - 11,7%;
  • Sudeste - 8,4%.

O crescimento também aparece em diferentes tipos de culinária. Veja:

  • Asiática - 23%;
  • Francesa - 16,1%;
  • Baiana - 13,2%;
  • Tailandesa - 12,8%;
  • Nordestina - 12,1%;
  • Árabe - 10,5%.