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  Redação E-Commerce Brasil

‘Guerra das maquininhas’ balança setor de pagamentos, mas lojista precisa ter cautela

Terça-feira, 23 de abril de 2019   Tempo de leitura: 4 minutos

A “guerra das maquininhas”, iniciada pela Rede na última quinta-feira (18), quando anunciou que ia zerar as taxas de antecipação de recebíveis para lojistas com conta no Itaú, promete balançar profundamente o mercado de pagamentos.

O anúncio da novidade fez as ações dos competidores despencarem. A Stone, que tem seus ativos negociados nos Estados Unidos, caiu 24%. Já Cielo viu o valor das suas ações descer 8,4%, enquanto as da PagSeguro caíram 11,5%.

Maquininha da Rede /Foto: Isabelle Araujo/Agencia Caixa
Rede zerou as taxas para comerciantes que façam antecipação e tenham conta no Itaú; Cade vai investigar /Foto: Isabelle Araujo/Agencia Caixa

Depois do resultado negativo, veio a resposta imediata por parte da concorrência. O Safra Pay, do Banco Safra, por exemplo, zerou as taxas para transações de até R$ 50 mil no cartão de crédito para empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões.

Já o PagSeguro anunciou o recebimento imediato das vendas feitas pela maquininha, independentemente do dia da semana, inclusive em feriados.

A novidade, a princípio, parece ser boa para os lojistas. Mas é preciso tomar cuidado para não entrar na onda sem planejamento e prejudicar o caixa da empresa.

“Acreditar cegamente em uma notícia [no caso, o fim das taxas de antecipação da Rede] é o pior cenário, e muitos lojistas estão agindo exatamente assim. O ideal é fazer as contas, pois poderão se deparar com situações ainda mais convidativas do que as anunciadas inicialmente”, afirma Samuel Gonsales, especialista em omnichannel e CPO da eMillennium.

Segundo ele, os varejistas precisam verificar as taxas cobradas pelos meios de pagamento de maneira periódica pois, de tempos em tempos, podem se deparar com players oferendo oportunidades melhores do que as que as lojas têm naquele momento.

“Não deixe nunca, em hipótese alguma, de fazer as conciliações dos recebíveis – manual ou automaticamente. Existe  a possibilidade de descobrir que a taxa negociada não está sendo praticada pelo meio de pagamento e, consequentemente, dinheiro é perdido nessas transações”, explicou o especialista.

Vão aguentar?

Apesar de já estar em funcionamento, o corte das taxas da Rede nos casos de antecipação ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Após o anúncio, a entidade informou que vai iniciar uma investigação contra uma possível conduta anticoncorrencial por parte da empresa de pagamentos e do Itaú, que controla a Rede.

Além disso, uma parcela do mercado tem visto o corte com ressalvas, uma vez os juros são um dos principais meios de monetização do modelo de negócios das maquininhas. Em entrevista ao UOL, Henrique Capdeville, presidente no Brasil da First Data – que opera a máquina Bin, uma das concorrentes -, opinou que, no futuro, novas tarifas devem ser adicionadas aos comerciantes para cobrir a eliminação das taxas.

Na opinião de Gonsales, porém, essa nova tendência dos meios de pagamento pode se sustentar a longo prazo. “Entendo que as empresas de meio de pagamento estão exercitando a elasticidade de preços de seus serviços. Portanto, sim, essas ações ainda são sustentáveis a longo prazo, pois elas têm margens para isso”, finalizou o especialista.

Por Caio Colagrande, da redação do E-Commerce Brasil

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