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  Redação E-Commerce Brasil

Como a GDPR está mudando a mídia programática na Europa

Quarta-feira, 05 de setembro de 2018   Tempo de leitura: 4 minutos

As mesmas dores de cabeça que os brasileiros terão para se adaptar à Lei de Proteção de Dados, sancionada em agosto pelo presidente Michel Temer, os europeus experimentam desde 2016. Nesse ano, a União Europeia aprovou a GDPR, um marco regulatório para captação e tratamento de informações pessoais.

Mais de dois anos depois, porém, muitas dúvidas continuam a sondar o dia a dia de profissionais europeus ligados ao marketing e ao varejo, mesmo após as novas regras entrarem definitivamente em vigor em maio de 2018.

Segundo Céline Craipeau, responsável pela adaptação à GDPR da Tradalab na França, novos modelos de captação de dados ainda serão desenvolvidos, tamanho impacto da lei.

“Com a GDPR, as pessoas ficaram mais a par do que significa privacidade de dados e começaram a ficar mais proativas em relação ao tema”, explicou Craipeau durante o Expo Fórum Digitalks 2018, nesta terça-feira (4).

Para a francesa Céline Craipeau, novos modelos de captação de dados vão surgir com a GDPR / Foto: Caio Colagrande
Para a francesa Céline Craipeau, novos modelos de captação de dados vão surgir com a GDPR / Foto: Caio Colagrande

Novos modelos

De acordo com a especialista, a legislação tem mudado a forma como profissionais de marketing trabalham o retargeting e a coleta de informações – uma vez que até os cookies começaram a ser considerados dados pessoais.

Um dos pontos mais importantes é garantir o armazenamento seguro dos dados. Mas, para se protegerem de qualquer imprevisto, as empresas precisam também registrar as informações de coletas. Ou seja, a data na qual um dado foi coletado ou excluído da base, por qual canal, com qual objetivo.

“Assim que tiver um dado em mãos, você precisa documentar todas as informações sobre ele”, sugeriu Craipeau.

A segmentação do público também tem ganhado atenção. Em campanhas de mídia programática, por exemplo, profissionais nunca devem criar categorias como “gay” ou “direitista” e “esquerdista” – ou seja, baseadas em dados sensíveis.

Céline Craipeau mostrou as principais mudanças que a GDPR operou no marketing europeu / Foto: Caio Colagrande
Céline Craipeau mostrou as principais mudanças que a GDPR operou no marketing europeu / Foto: Caio Colagrande

Conscientização

Na opinião da especialista, o diálogo com os internautas é fundamental para que eles autorizem o uso dados no marketing digital.

“É verdade que, na Europa, a lei foi bastante perigosa para a mídia programática. Mas, nesse momento precisamos pensar em novas formas de coletar dados, e de quanto vamos coletar”, defendeu.

“Uma maneira é explicar às pessoas como os dados são importantes para nós [empresas]. Como, sem essas informações, as propagandas serão sempre as mesmas e como a experiência de navegação dele será muito ruim.”

Escolhas legais

Outra medida necessária é definir qual base legal será utilizada para tratamento de dados pessoais: consentimento ou legítimo interesse.

“Consentimento é algum usuário dizer de forma pró-ativa e ciente que autoriza o uso dos dados”, explicou Craipeau. “Já o legítimo interesse é um pouco confuso. Uma empresa que diz que não pode fazer um trabalho sem os dados subentende que o trabalho é mais importante que a privacidade em si”, problematizou.

Mercado brasileiro

Apesar de ser europeia, a GDPR se estende para outros países. Sites estrangeiros que coletem dados de europeus precisam se submeter às mesmas regras.

Com isso em mente, e considerando que o Brasil terá uma lei similar a partir de fevereiro de 2020, Céline Craipeau sugere antecipação aos profissionais do país.

“Antes de começar qualquer projeto, você precisa pensar em como vai adaptar o negócio à GDPR desde o início para estar em compliance com as regras”, cravou.

Além disso, é preciso tratar desde já as informações coletadas e armazenadas anteriormente.

“Já no caso dos cookies, foi preciso deletá-los. Mas se você fala sobre dados específicos [dos usuários], o que fizeram na Europa foi, por exemplo, enviar e-mail para todas as pessoas perguntando se elas concordam com a nova política de uso de dados”, concluiu.

*O texto havia sido publicado com a informação de que a Lei de Proteção de Dados brasileira entraria em vigor a partir de dezembro de 2019. O mês correto, porém, é fevereiro de 2020. A matéria já foi corrigida.

Por Caio Colagrande, da redação do E-Commerce Brasil

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